Banca & Finanças Banca volta a pedir mais financiamento junto do BCE

Banca volta a pedir mais financiamento junto do BCE

Os empréstimos concedidos pelo banco central à banca portuguesa aumentaram em Julho. Em termos homólogos este é o primeiro aumento desde 2013.
Banca volta a pedir mais financiamento junto do BCE
REUTERS
Sara Antunes 08 de agosto de 2017 às 11:12

Depois de os dados de Julho terem revelado novas reduções do valor dos empréstimos da banca portuguesa junto do banco central, Julho marca um novo aumento. Os bancos pediram mais 304 milhões a Frankfurt do que no mês anterior.


A banca nacional tinha, em Julho, 23.488 milhões de euros em empréstimos junto do Banco Central Europeu (BCE), um valor que corresponde a um aumento de 1,31% face ao mês anterior. E a um acréscimo de 1,21% quando comparado com o mesmo mês do ano passado.

Esta é mesmo a primeira vez desde Fevereiro de 2013 em que a dependência da banca nacional aumenta face ao ano anterior. Apesar deste aumento, o montante de financiamento está longe dos máximos atingidos em 2012, depois da crise financeira ter ditado o pedido de resgate por parte de Portugal. 

No balanço do primeiro semestre, concluiu-se que o volume de financiamento junto do BCE no final do primeiros seis meses do ano (23,18 mil milhões) era o mais baixo desde 2009. No final do primeiro semestre de 2009 o total de financiamento do BCE à banca nacional era de 10,56 mil milhões de euros.

 

Aquele ano foi marcado pelo consecutivo aumento de dependência da banca nacional do banco central, já que foi marcado pela crise financeira que assolou o mundo. Recorde-se que a falência do Lehman Brothers nos EUA ocorreu em Setembro de 2008 e as consequências da crime de "subprime" alastraram-se à Europa.

 

Da crise financeira, a Europa passou para uma crise de dívida, que culminou com o pedido de resgate financeiro da Grécia no ano de 2010, seguindo-se a Irlanda e Portugal, em 2011.

 

Este pedido de ajuda externa fechou os mercados para o país, e a banca teve de recorrer cada vez mais ao BCE para conseguir financiar-se. O pico foi atingido precisamente em Junho de 2012, mês em que os empréstimos do banco central aos bancos portugueses superaram os 60,5 mil milhões de euros, um valor nunca antes visto.

 

Desde então, a tendência tem sido de redução progressiva da dependência do BCE. Desde Março de 2016 que o montante de financiamento da banca está abaixo dos 25 mil milhões de euros.

  

(Notícia actualizada às 11:16 com mais informação)




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mais votado Anónimo 08.08.2017

A dívida pública anda a bater recordes. Mas o pior é que a banca de retalho subsidiada pelo Estado está mesmo à espera disso para aumentar a carteira de clientes e elevar o "produto bancário". A banca de retalho tradicional é a maior amiga do excedentarismo, da falta de transparência e demais fontes de despesismo. Não brinquem mais com o fogo que esta pandilha é perigosa e totalmente irresponsável.

comentários mais recentes
Anónimo 08.08.2017

A dívida pública anda a bater recordes. Mas o pior é que a banca de retalho subsidiada pelo Estado está mesmo à espera disso para aumentar a carteira de clientes e elevar o "produto bancário". A banca de retalho tradicional é a maior amiga do excedentarismo, da falta de transparência e demais fontes de despesismo. Não brinquem mais com o fogo que esta pandilha é perigosa e totalmente irresponsável.

Anónimo 08.08.2017

Quiseram pôr o Estado a salvar os bancos de retalho detidos por privados e pelo público para salvar bancários, seus sindicatos, pensões e mais alguns interesses muito duvidosos. E tudo isto para quê? Para que esses bancos de retalho concedessem crédito para a internacionalização das empresas portuguesas não foi certamente porque isso nunca mais aconteceu nem pelos vistos acontecerá. Estes bancos resgatados em vez de se reestruturarem e transformarem em bancos de investimento, organizações fintech, firmas de gestão de investimentos, sociedades de capital de risco e private equity, foram e continuam a ir pelo caminho mais fácil e mais insustentável do crédito ao consumo e à habitação concedidos à legião de excedentários de carreira sindicalizados no país da UE onde o capital está já quase todo aplicado e transformado em prédios e pouco ou nada em máquinas que criem valor sob a forma de bens e serviços transaccionáveis à escala global de elevado valor acrescentado.

dr. bcp 08.08.2017

RE. bcp, uma trampa. sua exa. nao percebe nada de finanças

surpreso 08.08.2017

"The show must go on",O mafioso Draghi a alimentar o vício dos tugas.Sabemos como acaba

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