Banca & Finanças Banco de Portugal ajuda Angola perante BCE

Banco de Portugal ajuda Angola perante BCE

O Banco Nacional de Angola pediu auxílio ao Banco de Portugal para que passasse a ter uma supervisão reconhecida pelo BCE no final do ano passado. Lisboa aceitou e está a ajudar o regulador angolano.
Banco de Portugal ajuda Angola perante BCE
Bruno Simão/Negócios
Diogo Cavaleiro 12 de maio de 2017 às 12:27

O Banco de Portugal está a ajudar Angola a ser reconhecida como tendo uma supervisão bancária equivalente à europeia. Foi a ausência dessa equivalência que obrigou o BPI a vender uma posição de controlo no Banco de Fomento Angola a Isabel dos Santos.

 

"O Banco Nacional de Angola solicitou ao Banco de Portugal, no último trimestre de 2016, apoio nos domínios de regulação e supervisão bancárias", indica a autoridade portuguesa liderada por Carlos Costa no relatório anual da actividade de cooperação relativo a 2016.

 

No documento, publicado esta sexta-feira 12 de Maio, é assinalado que o projecto "visa apoiar as autoridades angolanas no processo de reconhecimento da equivalência face aos requisitos de supervisão e regulação em vigor na União Europeia, actuando na supervisão (micro) prudencial e na prevenção do branqueamento de capitais e no financiamento do terrorismo".

 

Em causa estão contactos que resultaram, por exemplo, na "definição dos principais temas nas áreas de actuação do projecto" que une os dois reguladores e que tem em vista "o desenvolvimento do processo conducente ao reconhecimento da equivalência da regulação".

 

A parceria estabelecida entre Lisboa e Luanda visa reverter uma decisão tomada pela Comissão Europeia em 2014, em que a supervisão angolana, entre outras, deixou de ser reconhecida como equivalente à do BCE. Sem esse reconhecimento, as exposições dos bancos europeus a esses países consomem mais capital, obrigando a repensar a estratégia perante aqueles mercados. Foi por esse motivo que o BPI teve de deixar de ser o accionista maioritário do BFA, onde tinha 50,1%, vendendo 2% à Unitel, operadora angolana de Isabel dos Santos.

 

O Banco de Portugal realizou com o Banco Nacional de Angola acções de cooperação que resultaram, em 2016, em 65 dias de trabalho, mais do que os 52 do ano anterior e mais do que os 37 de 2014. Os bancos centrais de Cabo Verde e São Tomé e Príncipe foram aqueles com que o regulador português mais trabalhou no ano passado. 




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mais votado Anónimo 13.05.2017

Hoje em dia a UE já faz transferências e concede ajudas e financiamentos aos Estados-membros menos ricos e desenvolvidos. No futuro, com uma UE federal com um orçamento maior e mais competências políticas a nível federal, mais direitos (como mais transferências para os Estados e economias que têm menos e mais e melhor cidadania europeia) implicarão ainda mais deveres (como reformas adequadas feitas na íntegra e de forma atempada) para cada Estado-Membro. Esses deveres, tantas vezes referidos por instituições como a Comissão Europeia, o FMI e a OCDE de forma quase informal e geralmente inconsequente, hoje em dia não são cumpridos. Com uma UE federal existirão meios e ferramentas para que as reformas, os deveres, avancem no seu tempo e Estados-Membros como Portugal e a Grécia não se desleixem e atrasem tanto por força dos seus políticos eleitoralistas mais irresponsáveis, dos seus sindicalistas chantagistas mais fundamentalistas e dos seus banqueiros criminosos mais extorsionários.

comentários mais recentes
Anónimo 13.05.2017

Ao contrário da situação nos países ricos e desenvolvidos, o excedentarismo em países atrasados, cheios de pobreza, miséria e subdesenvolvimento, como na África Subsariana, é desprezável, ou um mal necessário, na medida em que como não existe um sistema público de segurança social nem outras estruturas do Estado de Bem-Estar Social, o excedentarismo acaba por cumprir, ainda que parcialmente e de forma muito limitada, as mais fundamentais e estruturantes funções sociais dos Estados de Bem-Estar Social já bem estabelecidos no Primeiro Mundo. No Primeiro Mundo, onde existem condições para criar valor do mais elevado quilate, mesmo com escassez de recursos naturais, o excedentarismo, nas organizações públicas e privadas, é um cancro económico e social que extrai valor do Estado, incluindo o Estado Social, da economia e da sociedade, tendo por isso que ser combatido sem piedade, a par com os flagelos da corrupção política, do compadrio e demais formas de cleptocracia instituída.

Anónimo 13.05.2017

Hoje em dia a UE já faz transferências e concede ajudas e financiamentos aos Estados-membros menos ricos e desenvolvidos. No futuro, com uma UE federal com um orçamento maior e mais competências políticas a nível federal, mais direitos (como mais transferências para os Estados e economias que têm menos e mais e melhor cidadania europeia) implicarão ainda mais deveres (como reformas adequadas feitas na íntegra e de forma atempada) para cada Estado-Membro. Esses deveres, tantas vezes referidos por instituições como a Comissão Europeia, o FMI e a OCDE de forma quase informal e geralmente inconsequente, hoje em dia não são cumpridos. Com uma UE federal existirão meios e ferramentas para que as reformas, os deveres, avancem no seu tempo e Estados-Membros como Portugal e a Grécia não se desleixem e atrasem tanto por força dos seus políticos eleitoralistas mais irresponsáveis, dos seus sindicalistas chantagistas mais fundamentalistas e dos seus banqueiros criminosos mais extorsionários.

O gesto reflete a amizade que os Portuguese 12.05.2017

têm por Africa. Resta saber é se essa amizade é reciproca. Por aquilo que se sabe não é. Temos o dever de fazer sentir aos Angolanos que Portugal não tem complexos de espécie alguma. Angola não pode estar a mercê de clusters que se querem servir de Portugal, só quando as coisas lhes correm mal.

Anónimo 12.05.2017

E a nós cidadãos comuns nem uns CoCos nos dão?

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