Start-ups Banco de Portugal: É “prioritário” ter conhecimento aprofundado das fintechs portuguesas

Banco de Portugal: É “prioritário” ter conhecimento aprofundado das fintechs portuguesas

O supervisor do sistema bancário considera que um dos pontos “prioritários” na área das fintech é “a criação de uma base de conhecimento mais aprofundada sobre a realidade do sector em Portugal”.
Banco de Portugal: É “prioritário” ter conhecimento aprofundado das fintechs portuguesas
Bloomberg
Ana Laranjeiro 24 de março de 2018 às 18:00

O mundo das fintech (empresas que desenvolvem tecnologia que é usada pelo sistema financeiro) está a desenvolver-se a velocidades diferentes. Na Ásia, por exemplo, Hong Kong e Singapura são duas áreas geográficas em que este sector está em forte desenvolvimento. Na Europa, Londres é um dos principais centros desta área.

A Comissão Europeia ainda recentemente lançou um plano de acção para esta área, com vários passos que pretendem ser dados. Quisemos perceber o que é que alguns dos actores do ecossistema nacional consideram que falta em Portugal.

O número de fintechs não é claro. E é essa uma das lacunas que, por exemplo, o Banco de Portugal (BdP) quer ajudar a colmatar. Hélder Rosalino, administrador do BdP, diz ao Negócios que "é importante produzir e partilhar conhecimento sobre o sector nacional das fintech" e esta "é uma das prioridades do plano estratégico do Banco de Portugal nesta área". "Neste sentido, o Banco de Portugal pretende elaborar um mapeamento das fintechs em Portugal, que lhe permita caracterizar o sector e as principais iniciativas que estão em desenvolvimento no nosso país".

O responsável adianta que vai ser realizado um questionário, em conjunto com as associações do sector, para que este sector possa ser caracterizado. "O Banco de Portugal pretende também realizar um inquérito às instituições de crédito, para fazer um levantamento do que a própria banca está a fazer nesta matéria. Ou seja, o que consideramos prioritário nesta fase, para além do reforço da interacção entre todos os intervenientes neste sector, é a criação de uma base de conhecimento mais aprofundada sobre a realidade do sector em Portugal, sobre as principais iniciativas que estão em curso e sobre o contexto da inovação financeira existente no nosso país", acrescenta.

José Figueiredo, da Comparajá - plataforma de comparação de créditos e telecomunicações – questionado sobre o que é que falta em Portugal nesta área sublinha que há "uma área específica em que as fintech poderão dar uma excelente resposta a uma grande lacuna no mercado bancário nacional: a inexistência de uma entidade que faça ‘credit scoring’ [uma espécie de perfil de crédito] em tempo real, por exemplo, com recurso à inteligência artificial". O responsável assinala que esta é "uma área que será certamente desenvolvida com a transposição da directiva PSD2".

Sebastião Lancastre, da Easypay, empresa que trabalha na área dos pagamentos electrónicos, considera que a maior lacuna em Portugal é a falta de fintechs. "Temos uma legislação antiquada, um regulador que só agora é que está a tomar o seu papel nesta realidade e um país onde só existem cerca de 15 fintechs", diz ao Negócios. "Precisamos de legislação actual, precisamos que o governo não se atrase a transpor directivas da maior importância, precisamos de um regulador que pressione para acabar com esta inactividade e precisamos de medidas de apoio real à inovação, ao empreendedorismo e à criação de negócio", acrescentou.

João Machado da Mota, da Associação Portuguesa de Fintech e Insurtech, defende que "a sector enfrenta muitas dificuldades que vão desde a dimensão do mercado nacional à escassez de recursos e a limitações regulamentares". "Mas, mesmo assim, o sector está a desenvolver-se e a internacionalizar-se. É importante estabelecer relações entre os ‘players’ nacionais e apoiar a internacionalização das nossas empresas. E a regulação tem de ajustar-se de forma rápida as novas tecnologias para promover o desenvolvimento do sector, garantindo que todas as empresas e tecnologias competem em condições de igualdade".

O responsável adianta ainda que que a associação tem tentado "promover a difusão de conhecimento sobre o sector e as novas tecnologias, estabelecido relações entre empresas nacionais e entre empresas nacionais e internacionais".




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