Banca & Finanças Banco de Portugal escolhe Lone Star para negociar venda do Novo Banco

Banco de Portugal escolhe Lone Star para negociar venda do Novo Banco

O fundo norte-americano é o que está mais bem colocado para "finalizar com sucesso o processo negocial tendente à aquisição das acções do Novo Banco", mas o Banco de Portugal avisa que a proposta da Lone Star pode ter impacto nas contas públicas.
Banco de Portugal escolhe Lone Star para negociar venda do Novo Banco
Bruno

O Banco de Portugal confirmou na noite de quarta-feira que vai negociar a venda do Novo Banco com a Lone Star, embora alerte que a proposta do fundo norte-americano pode ter impacto nas contas públicas e que as ofertas dos restantes candidatos não foram excluídas e podem ainda ser melhoradas.

 

"O Banco de Portugal, no cumprimento do seu mandato relativamente ao processo de venda do Novo Banco, concluiu com base nos elementos disponíveis nesta data que o potencial investidor Lone Star é a entidade mais bem colocada para finalizar com sucesso o processo negocial tendente à aquisição das ações do Novo Banco e decidiu convidá-lo para um aprofundamento das negociações", refere um comunicado da entidade liderada por Carlos Costa.

O comunicado do Banco de Portugal, enviado às redacções pouco antes do final de quarta-feira e depois de uma reunião do conselho de administração do banco central, confirmou as expectativas que já apontavam para a escolha da Lone Star para encetar as primeiras negociações exclusivas.

 

Mas a posição da equipa de Carlos Costa não implica a eliminação das restantes ofertas que estão em cima da mesa, pois vão agora decorrer negociações entre ambas as partes e a palavra final cabe ao Executivo de António Costa.

 

No comunicado emitido, o Banco de Portugal salienta que a proposta da Lone Star "é a que mais assegura" a "estabilidade do sistema financeiro e o reforço da confiança no futuro do Novo Banco", que são os "objectivos do processo de venda que o Banco de Portugal está a conduzir".

 

O problema do aval público

 

Mas o Banco de Portugal reconhece que a oferta da Lone Star "apresenta condicionantes, nomeadamente um potencial impacto nas contas públicas, que se procurarão minimizar ou remover no aprofundamento das negociações que agora se inicia".

 

As condicionantes que Carlos Costa refere no comunicado dizem respeito às garantias públicas que a Lone Star pretende para fechar o negócio e que, segundo o Negócios sabe, o Governo de António Costa se recusa a conceder.

 

A tarefa do Banco de Portugal passa agora por convencer este fundo norte-americano a prescindir da existência de um aval do estado, uma condição que a Apollo também terá colocado em cima da mesa.

 

A proposta da Lone Star prevê a compra da instituição por 750 milhões de euros, com o reforço de capital em igual montante. No entanto, o fundo norte-americano propõe ainda a criação de um veículo para ficar com os activos que não quis adquirir, gerindo o risco e a recuperação com o Estado. Como tais activos seriam assegurados não é certo mas o ministro das Finanças, Mário Centeno, assegurou esta quarta-feira que não será por garantia do Estado.


Apollo à espreita 


O Banco de Portugal adianta no comunicado emitido esta noite que "esta nova fase de negociações com o potencial investidor Lone Star não exclui a melhoria das propostas dos restantes potenciais investidores", acrescentando que estes "já mostraram disponibilidade para o fazer".

 

O Negócios sabe que o consórcio que reúne a Apollo e a Centerbridge está de sobreaviso, pois falhem as negociações entre o Banco de Portugal e a Lone Star, a segunda proposta da aliança norte-americana será recuperada. Já a oferta do China Minsheng está, na prática, fora da corrida.

Na entrevista ao DN e TSF, o ministro das Finanças deixou claro que é o Governo que vai tomar a decisão final sobre a venda do Novo Banco. Mesmo que, face às propostas em cima da mesa, venha a optar por nacionalizar a instituição para "garantir a estabilidade do sistema financeiro" e evitar "envolver dinheiro dos contribuintes".  

 
O futuro do Novo Banco continuam assim em aberto, sendo que serão três as soluções possíveis: a venda a privados como primeira opção; a nacionalização como solução de recurso e a a liquidação como última hipótese.

Certo é que o Novo Banco precisa de necessita de uma injecção de capital, independentemente de ser vendido ou nacionalizado, sendo que as necessidades de capital da instituição liderada por António Ramalho deverão ascender a 750 milhões de euros.

As três propostas pelo Novo Banco

Dos cinco candidatos iniciais, entre os quais o BPI e o BCP, sobraram três propostas firmes de compra do Novo Banco. Em Novembro, a oferta do China Minsheng era a favorita. Mas as suas dificuldades financeiras levaram os investidores norte-americanos a ganhar vantagem


 

LONE STAR

A proposta da Lone Star para o Novo Banco ganhou visibilidade quando se começou a perceber que a oferta chinesa estava a perder favoritismo, à medida que cresciam as suas dificuldades em prestar as garantias exigidas pelo Banco de Portugal.

O fundo norte-americano, que já investiu 700 milhões em negócios imobiliários em Portugal (pagou 500 milhões por quatro centros comerciais Dolce Vita e 200 milhões pelo "resort" de Vilamoura), está disponível para mobilizar 1.500 milhões para ficar com o Novo Banco.

Metade deste valor é o preço que a Lone Star oferece para adquirir 100% da instituição. Além disso, a gestora liderada por John Grayken compromete-se a injectar outros 750 milhões no reforço de solidez do Novo Banco.

A oferta, cuja validade terminou esta quarta-feira, prevê ainda a criação de um veículo para gerir os activos não rentáveis, que beneficie de uma garantia estatal, mas com receitas asseguradas.

Antes da melhoria das propostas finais e com os chineses fora da corrida, a oferta da Lone Star passou a favorita.

APOLLO GLOBAL MANAGEMENT

Não se conhecem quaisquer pormenores da proposta final do consórcio que une a Apollo e a Centerbridge. Apenas é público que a primeira oferta final desta aliança foi considerada a menos interessante, por ser pouco ambiciosa financeiramente. No entanto, a partir do momento em que ficou claro que o China Minsheng não tinha condições de cumprir a sua proposta financeira, o consórcio começou a empenhar-se na melhoria da sua oferta, numa tentativa de anular o aparente favoritismo da Lone Star.

Os esforços da Apollo/Centerbridge pretendem igualar, senão mesmo superar, a proposta do rival norte-americano. No entanto, há um aspecto em que esta aliança se pretende diferenciar e que passa pela possível inclusão de investidores portugueses na sua solução para o Novo Banco. Como o Negócios noticiou, o grupo Violas Ferreira quer fazer parte do consórcio, para funcionar como génese de um futuro núcleo duro de investidores portugueses no Novo Banco.

A proposta final revista da Apollo/Centerbridge foi entregue antes da decisão do Banco de Portugal.

 

CHINA MINSHENG FINANCIAL HOLDING

O interesse do China Minsheng Financial foi o último a ser conhecido. O nome do grupo chinês apareceu publicamente apenas em Outubro, apesar de a "holding" liderada por Li Huaizhen estar a trabalhar no dossiê do Novo Banco há mais de quatro meses, contando com o apoio financeiro do Haitong Bank, o antigo banco de investimento do BES entretanto vendido a um grupo financeiro de Hong Kong.

A proposta chinesa ganhou lastro durante a visita oficial do primeiro-ministro à China, em Outubro último. Nessa deslocação o investidor chinês manifestou a António Costa o seu empenho na compra do Novo Banco.

Este interesse traduziu-se numa proposta firme que foi considerada a mais interessante. O China Minsheng propôs-se comprar a maioria da instituição por 600 milhões de euros, injectar 150 milhões num aumento de capital e, a prazo, pagar mais 150 milhões para ficar com a totalidade do banco. No entanto, o grupo nunca chegou a prestar as garantias financeiras exigidas pelo Banco de Portugal, acabando fora da corrida.

(notícia actualizada pela última vez às 00:29)




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mais votado JCG 05.01.2017

Entreguem o NB aos outros bancos, distribuindo as ações representativas do seu K pelos bancos na percentagem em que estes participam do fundo de resolução (FR).

Se são os outros bancos que têm de arcar com o prejuizo desta trapalhada BES, então creio que é óbvio que têm o direito de ficar com os "salvados" mantendo assim em aberto a hipóteses de minimizarem o prejuizo. Se venderem é que é prejuizo fechado.

Dar uma vantagem competitiva ilegítima a um novo operador/ concorrente ao darem-lhe o banco de mão beijada é que me parece uma opção disparatada e com eventuais graves impactos na concorrência e na sustentabilidade dos outros bancos que já estão fragilizados.

comentários mais recentes
António 05.01.2017

Resumindo, esta será mais um PPP. Se der lucro, o comprador embolsa, se não der, todos desembolsamos directa ou indirectamente. A sugestão do JCG faz todo o sentido, apesar de vir a ter custos a nivel dos despedimentos que irão certamente surgir!

Anónimo 05.01.2017

Ano novo vida nova. Chegaram os 4%. É pá queres ver que aquilo dos reis magos...
Obrigado esquerda, já rebentaram Portugal!

Anónimo 05.01.2017

Senhores Governantes acompanhem a par e passo a venda do Novo Banco e por favor, em nome do POVO, não dei em aval nenhum. Os fundos Abutres só compram se houver a possibilidade de ganhar muito dinheiro independentemente de quem fica arder, MUITO CUIDADO.

Amilcar Alho 05.01.2017

Apoio o comentário do JCG. A Resolução do BES foi o maior crime económico cometido em Portugal. Teve consequências incomensuráveis. A banca e os pequenos Investidores só no crédito concedido à PT que passou para a OI perdeu 9 mil milhões €. Porque é que ninguém fala disto.

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