Banca & Finanças Bank of America aponta Dublin como nova morada após o Brexit

Bank of America aponta Dublin como nova morada após o Brexit

A instituição norte-americana admite mudar vários postos de trabalho e aponta para Dublin como nova morada, caso o Reino Unido perca acesso ao mercado único.
Bank of America aponta Dublin como nova morada após o Brexit
Rita Faria 14 de março de 2017 às 12:44

Poucas horas depois de o parlamento britânico ter aprovado o projecto de lei para avançar com o Brexit, o Bank of America admitiu escolher Dublin como a sua nova morada dentro da União Europeia, caso o Reino Unido perca acesso ao mercado único.

Segundo Nikolaus Naerger, director do banco norte-americano na Alemanha, Suíça e Áustria, a instituição planeia mudar alguns postos de trabalho para outras localizações na UE, incluindo Frankfurt, Madrid, Luxemburgo e Amesterdão.

"Vamos olhar atentamente para perceber quem poderá ser a entidade que garanta o direito de passaporte no futuro" e tomar uma decisão assim que as negociações em torno do Brexit sejam mais claras, admitiu o responsável numa conferência de imprensa da Associação de Bancos Estrangeiros, na Alemanha, citado pela Bloomberg.

Tendo o banco uma operação totalmente licenciada na capital irlandesa, "Dublin é uma emergência, uma opção de base que o Bank of America tem", acrescentou Nikolaus Naerger.

O Bank of America junta-se, desta forma, a uma lista de grandes bancos que já estão a fazer planos para o pós-Brexit. De olho na Irlanda estarão também o Standard Chartered e o Barclays, enquanto o Goldman Sachs Group, o Citigroup e o Lloyds Banking Group apontam para Frankfurt.

As instituições começaram a detalhar os seus planos depois de a primeira-ministra Theresa May ter anunciado em Janeiro que o Reino Unido sairia do mercado único da UE em 2019, o que provavelmente indica o fim do direito de passaporte, que permite que os bancos forneçam serviços directamente aos restantes países do bloco a partir dos seus centros em Londres.

 

Frankfurt é uma opção natural para as empresas que estão a fugir da City devido ao seu ecossistema financeiro, que inclui o Deutsche Bank, o Banco Central Europeu e o BaFin, um dos únicos reguladores com experiência na supervisão de operações complicadas com derivados.

 

Quanto à Irlanda, é um país de língua inglesa, que tem uma carga fiscal baixa e leis e regulamentações semelhantes às britânicas.

 

Nesta altura, a primeira-ministra britânica já tem caminho livre para accionar o artigo 50.º do Tratado de Lisboa, com vista ao início das negociações para a saída do Reino Unido do bloco europeu, depois de o parlamento ter aprovado esta noite o projecto de lei que permitirá a Theresa May avançar com o processo de divórcio.




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