Energia Barragem do Tua está pronta já produz energia em modo experimental

Barragem do Tua está pronta já produz energia em modo experimental

A barragem de Foz Tua, em Trás-os-Montes, está concluída e começou a produzir energia ainda em modo experimental, aguardando pela licença definitiva para a exploração em pleno, informou hoje fonte oficial da EDP.
Barragem do Tua está pronta já produz energia em modo experimental
Lusa 28 de agosto de 2017 às 16:57
A empresa concessionária do aproveitamento hidroeléctrico tinha apontado Agosto como a data para a conclusão do projecto e indicou, em resposta a um ponto da situação pedido pela Lusa, que "está a avançar como previsto e encontra-se a ser explorado em serviço experimental, com capacidade de produção de energia e de bombagem".

De acordo com a fonte, "a construção já está globalmente concluída, decorrendo neste momento apenas alguns trabalhos de acabamentos, que serão terminados até final deste ano".

A Direcção Geral de Energia e Geologia (DGEG) realizou, em Junho, uma vistoria ao aproveitamento hidroeléctrico de Foz Tua que, segundo a EDP, "concluiu estar em condições para entrar em exploração". Falta, contudo, o parecer oficial desta vistoria e a emissão da respectiva licença para a exploração em pleno da barragem.

"A EDP irá continuar a concluir trabalhos em curso e a explorar a central nas condições em que tem vindo a explorar até ao momento", acrescentou a fonte oficial da empresa.

O nível máximo da albufeira é de 170 metros e, quando estiver a funcionar em pleno, produzirá "o dobro do consumo de energia dos cinco municípios desta zona".

A nova barragem representa um investimento de 370 milhões de euros e começou a ser construída há seis anos, a pouco mais de um quilómetros da confluência dos rios Tua e Douro, e com o paredão a unir os concelhos de Alijó (Vila Real) e de Carrazeda de Ansiães (Bragança).

Da área de influência fazem ainda parte os municípios de Murça, em Vila Real, e Mirandela e Vila Flor, em Bragança, num processo que tem estado envolto em polémica e contestação pelos impactos no Douro Património da Humanidade, no vale do rio Tua e desactivação da centenária linha ferroviária do Tua.

Um novo plano de mobilidade foi a principal contrapartida imposta pela submersão de quase 20 quilómetros da linha do Tua.

O plano está pronto com barcos para navegar na nova albufeira, entre o Tua e a Brunheda, e um novo comboio turístico, da responsabilidade do empresário Mário Ferreira, para fazer os cerca de 30 quilómetros de ferrovia que restaram entre a Brunheda e Mirandela.

A EDP entregou 10 milhões de euros ao operador turístico para dinamizar o projecto, com um figurino que inclui também comboio para servir a mobilidade quotidiana das populações ribeirinhas do Tua.

O arranque continua impedido pela indecisão das diferentes entidades envolvidas sobre quem assume a responsabilidade da segurança da linha do Tua, como disse recentemente à Lusa Fernando Barros, presidente da Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Tua.

A Agência entende que "o proprietário da infraestrutura continua a ser a empresa Infraestruturas de Portugal (IP)" e que "deve ser responsável pela superstrutura da linha, ou seja, por viadutos, pelos taludes, pelos túneis, pela segurança dessas grandes infraestruturas".

Relativamente à linha propriamente dita e à plataforma, "terá de ser o operador a manter operacional", defende o presidente da agência, à qual foi concessionada a linha e que subconcessionou todo o projecto de mobilidade ao operador turístico.

Falta o acordo para criar as condições de logísticas e ultrapassar o impasse burocrático atribuído a um novo modelo que junta entidades públicas e privadas e nunca antes experimentado em Portugal, segundo os responsáveis.



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comentários mais recentes
Carlos Santos 29.08.2017

A Barragem do Tua vai ter efeitos irreversíveis segundo os relatórios da UNESCO. Esta Barragem não vai adiantar nada no aumento da produção de energia. Foi construída como suporte às Eólicas.
Não passa de uma operação financeira. Se não existir água o Estado paga.
Perdeu-se um Vale fantástico