Media BCP reclama mais de metade dos 80 milhões de dívida da Lisgráfica

BCP reclama mais de metade dos 80 milhões de dívida da Lisgráfica

Tal como em 2012, a gráfica pediu para entrar em PER. Desta vez, a dívida global é de 80 milhões de euros, com o BCP a representar 53% do valor reclamado. O Novo Banco e o Estado também constam da lista.
BCP reclama mais de metade dos 80 milhões de dívida da Lisgráfica
Diogo Cavaleiro 18 de agosto de 2017 às 09:54

O Banco Comercial Português é responsável por mais de metade dos cerca de 80 milhões de euros da dívida reclamada e reconhecida da Lisgráfica. O número é revelado no Processo Especial de Revitalização que a empresa solicitou em Junho.

 

Na lista de créditos reconhecidos, revelada no portal Citius esta semana, o administrador judicial Miguel Ribas reconheceu uma dívida global de 81,4 milhões de euros. Há inúmeros créditos laborais reconhecidos, que quando são emergentes de contrato de trabalho são privilegiados - têm privilégio no reembolso. 

 

O BCP é, contudo, o principal credor da empresa que tem o pedido de PER a correr no Tribunal Judicial da Comarca de Sintra. Os 43,4 milhões de euros reclamados pelo banco, a grande maioria garantida, representam 53,3% do total. A instituição financeira não faz comentários sobre a exposição, como é habitual, por conta do dever de sigilo bancário. 

 

O Novo Banco também surge em destaque, sobretudo através do NB Património – Fundo de Investimento Imobiliário Aberto, com uma dívida reclamada de 9,5 milhões.

 

Certo é que os bancos têm feito, nos últimos anos, um reforço das imparidades, para reconhecer eventuais perdas futuras em créditos já concedidos. Ou seja, mesmo que a dívida não seja paga no futuro, uma parte (ou toda) poderá já estar reconhecida como perdida, pelo que não haverá perdas adicionais. E a Lisgráfica já tinha entrado em PER em 2012, pelo que a dívida já poderia estar assumida como arriscada e, por isso, ter um tratamento especial no que diz respeito às imparidades.

 

O Estado também reclama neste processo que envolve a gráfica de publicações periódicas. O Instituto de Segurança Social reclama 6,5 milhões de euros, 8% do total, sendo que o IAPMEI também surge na lista com uma reclamação de 882 mil euros. O Fisco tem um crédito reclamado de 1 milhão de euros.

 

Sendo uma empresa gráfica, são várias as companhias do sector que surgem na lista, desde o Público à Impresa passando pela Cofina (dona do Negócios).

 

A Lisgráfica, com sede em Queluz de Baixo conta com 200 trabalhadores, quando eram 290 em 2012. A Rasográfica, liderada também por Luciano Patrão, detém 51,37% dos direitos de voto da empresa, a par da Gestprint, com António Braz Monteiro como presidente, com 38,97% dos direitos de voto. O restante é detido por accionistas que não detêm participações qualificadas.

 

Em 2012, a empresa já tinha estado em PER. Nessa altura, a dívida do BCP não chegava aos 40 milhões, mas era já uma das mais relevantes do total de 100 milhões de euros reclamados junto da Lisgráfica.




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mais votado Anónimo 18.08.2017

Esta é uma empresa que tem práticamente o monopólio da impressão de revistas em Portugal e não dá lucro? Aumentem os preços. Os clientes fojem para Espanha? Pois que fujam, e se não é competitiva que feche. Agora os contribuintes a pagar os prejuízos isso é que não. Alguma vez esta empresa deu lucro?

comentários mais recentes
BcpAto 18.08.2017

Também quero reclamar dos lucros prometidos que deram lugar a 20 mil euros perdidos na aposta do Bcp

Anónimo 18.08.2017

Esta é uma empresa que tem práticamente o monopólio da impressão de revistas em Portugal e não dá lucro? Aumentem os preços. Os clientes fojem para Espanha? Pois que fujam, e se não é competitiva que feche. Agora os contribuintes a pagar os prejuízos isso é que não. Alguma vez esta empresa deu lucro?

SIMOESbenfica 18.08.2017

O Banco de Portugal, ou o Ministério Público, deveriam analisar como foi concedido este crédito, pois, facilmente, chegariam à conclusão que a grande maioria da exposição resulta de decisões das cúpulas do Banco, apesar de pareceres negativos da estrutura intermédia, que se limitava a dar pareceres. Estes senhores, hoje na reforma, estão podres de rico ...vá-se lá saber como...

Ventura Santos 18.08.2017

PER para quê ? Para enganar alguns dos credores mais desprevenidos ? Deixem morrer ...

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