Telecomunicações BE diz que PT está a contratar temporários para lugar dos que quer despedir

BE diz que PT está a contratar temporários para lugar dos que quer despedir

A coordenadora do Bloco de Esquerda afirmou este domingo, 6 de Agosto, que a PT já está a contratar trabalhadores temporários para ocuparem o lugar dos que pretende despedir, situação que o partido já denunciou à Autoridade para as Condições do Trabalho
BE diz que PT está a contratar temporários para lugar dos que quer despedir
Miguel Baltazar
Negócios com Lusa 06 de agosto de 2017 às 19:47
"O BE enviou já para a Autoridade para as Condições do Trabalho este anúncio de empregos temporários para a mesma empresa onde a PT está a despedir, para que ninguém tenha dúvidas de que o que a PT está a fazer é ilegal", afirmou a coordenadora do BE, Catarina Martins, que falava na praia fluvial de Valhelhas, concelho da Guarda, onde participou num convívio de verão dos bloquistas.

Durante a intervenção, a coordenadora do BE abordou a questão dos trabalhadores de PT/Meo, tendo reiterado que a transferência de funcionários da PT é uma forma "fraudulenta" de dispensar trabalhadores e que o que está em causa "é um dos maiores processos de despedimento e de precarização do trabalho", que já se viu em Portugal.

Depois de afirmar que "isto não pode passar", até porque representaria "carta-branca" para outras empresas que quisessem fazer o mesmo, Catarina Martins denunciou ainda que a PT está a levar a cabo um processo de contratação de trabalhadores temporários, cujo anúncio foi até dado a conhecer aos actuais funcionários.

Segundo disse, a PT "escreveu uma carta aos mesmos trabalhadores que está a dispensar, perguntando se têm amigos que queiram ir para uma empresa de trabalho temporário trabalhar na Meo".

"A PT está a dizer aos trabalhadores que está a despedir - porque diz que tem gente a mais - que quer contratar os seus amigos para uma empresa de trabalho temporário que vai fazer o mesmo serviço que eles estão a fazer na Meo; quanto desplante, quanto desrespeito pelos trabalhadores", acrescentou.

Classificando a situação de "inarrável", Catarina Martins mostrou-se convicta de que a situação comporta uma situação de "fraude" e voltou a apelar à intervenção do Governo.

"(...) É uma fraude e o Governo português não pode deixar passar porque nós temos de ser um país em que quem trabalha é respeitado", acrescentou. Vieira da Silva, ministro do Emprego, disse em entrevista este domingo que o Governo está a seguir a situação, mas que não tem conhecimento de qualquer despedimento em larga escala na PT.

O grupo Altice, que anunciou em 14 de julho que chegou a acordo com a espanhola Prisa para a compra da Media Capital, dona da TVI, numa operação avaliada em 440 milhões de euros, adquiriu a PT Portugal há dois anos.



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mais votado Anónimo 07.08.2017

Escusado será dizer que os sindicalistas não concordam. E também querem aumentos porque acham que andam a oferecer trabalho muito abaixo do seu preço de mercado. Alguns até defendem convictamente que têm andado a trabalhar literalmente de graça. Por outras palavras, querem que eu lhes pague mais nas facturas, nas contribuições e nos impostos. Não, obrigado.

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Anónimo 07.08.2017

Admiro a paciência de quem repete vezes sem conta os mesmos comentários. Talvez seja a tal automatização de que tanto falam ou então repetem a mensagem para ver se acreditam nela.
A meo despede porque o capital quer mais lucros. Alguem acredita que a Meo vai agora descer preçario depois de despedir

Anónimo 07.08.2017

Caro Jornal de Negócios, é um facto que a Altice em Poortugal, tal como outras organizações portuguesas, está de mãos e pernas atadas devido ao governo socialista, à constituição do PREC de 1976 e à legislação laboral. E isso tem feito e continuará a fazer toda a diferença pela negativa. "As empresas de telecomunicações, tal como outras companhias dos sectores tecnológicos, estão a reestruturar-se, eliminando postos de trabalho a favor da automação, e reposicionando-se em novos projectos" Fonte: “Telecommunications providers, like other tech companies, are undergoing restructuring, losing jobs to automation, and pivoting to new projects,” (Relatório da Challenger, Gray & Christmas de Março de 2017) https://www.challengergray.com/press/press-releases/2017-march-job-cut-report-cuts-rise-17-percent-telecom-retail

Anónimo 07.08.2017

Os "definitivos" dispensados regressam ao sistema de ensino por um, dois ou mais anos, procuram oferecer no mercado o seu talento a um novo empregador interessado em aproveitar e valorizar as suas competências e experiência ou pura e simplesmente com o know-how adquirido abrem o seu próprio negócio. Os "precários" quando obsoletos, farão o mesmo. Qual o suporte para isto? Já existe. É o Estado de Bem-Estar Social. Mas tem que ser universal ou torna-se caro, injusto e ineficaz.

Anónimo 07.08.2017

Os ditos "precários" em Portugal teriam muito mais oportunidades e muito maiores expectativas se não estivessem constantemente tapados e prejudicados pelos "definitivos" blindados à prova de mercado, de alterações da oferta e da procura, à prova de avanço tecnológico, de inovação. Nada é definitivo na vida, na economia, nos mercados laboral, de capitais, de matérias primas ou de bens e serviços. Se fosse definitivo, suponhamos que desde a década de 1990, andávamos todos ainda dependentes da era do telemóvel do tamanho de um tijolo ao preço de 10 mil euros cada. Não seria agradável. Os "definitivos" fazem dos chamados precários o smartphone topo de gama que não consegue entrar no mercado porque o gigantesco e oneroso telemóvel obsoleto que parou no tempo e é de outra era arranjou um esquema legislativo que o protege a ele e ilegaliza a concorrência.

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