Banca & Finanças Berlim está a interceder pelo Deutsche Bank em Washington

Berlim está a interceder pelo Deutsche Bank em Washington

Apesar de ter negado qualquer plano para ajudar o Deutsche Bank, o Governo alemão está em conversações com as autoridades norte-americanas para garantir um bom acordo para a instituição, avança a Reuters.
Berlim está a interceder pelo Deutsche Bank em Washington
Reuters
Rita Faria 06 de Outubro de 2016 às 08:38

O Governo alemão está em "conversações discretas" com as autoridades norte-americanas para ajudar o Deutsche Bank a garantir um bom acordo com o Departamento de Justiça sobre o valor da coima a aplicar ao banco pela venda irregular de instrumentos financeiros associados a hipotecas, avança a Reuters, citando fontes de Berlim.

 

Até ao momento, o Executivo germânico negou qualquer intromissão neste processo, dizendo que cabe ao banco estabelecer um acordo com as autoridades dos Estados Unidos, que fixaram a penalização em 14 mil milhões de dólares.

 

No entanto, membros do Governo de Angela Merkel, falando em condição de anonimato, disseram à Reuters que esperam facilitar um acordo rápido que permita ao Deutsche Bank comprar tempo para recuperar a sua estabilidade.  

 

Segundo a agência noticiosa, uma dessas fontes admitiu mesmo que houve "contacto a todos os níveis" entre responsáveis alemães e norte-americanos.

 

Outra fonte garantiu que o ministro das Finanças Wolfgang Schaeuble não planeia reunir-se com responsáveis do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, durante a sua visita a Washington, esta semana. Porém, "pode haver conversações", explica. "Não tem de ser o ministro".

 

O Deutsche Bank tem estado no centro das preocupações desde que foi revelado que o Departamento de Justiça estabeleceu uma coima de 14 mil milhões de dólares, em meados do mês passado. A pesada multa alimentou receios em torno da saúde financeira da instituição, e da possibilidade de ter de realizar um aumento de capital ou pedir ajuda estatal para enfrentar o processo.

 

A resolução da crise através de um bom acordo com as autoridades norte-americana é, assim, crucial para a chanceler Angela Merkel, que enfrenta eleições no próximo ano.

 

"Resgatar Deutsche Bank não seria popular", disse fonte do Governo à Reuters. "Nenhum governo no mundo (…) quer ter de salvar bancos antes de uma eleição. Mas eu não acredito que isso será necessário".

 

Na semana passada, na sequência de notícias dando conta de um plano de Berlim para lidar com a incapacidade do Deutsche Bank para enfrentar a coima, o ministério das Finanças alemão garantiu que o Governo não está a trabalhar nesse cenário nem a preparar qualquer plano para ajudar a instituição.

As acções do Deutsche Bank estão a valorizar 1,91% para 12,30 euros, depois de terem subido 2,77% na sessão de ontem. Este é o sexto dia consecutivo de ganhos para os títulos do banco alemão. 
 

 




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mais votado 00SEVEN 06.10.2016

Para:

Anónimo 13:16

O caso do Deutsche Bank não é diferente de todos os casos que a justiça americana seguiu relativamente aos bancos europeus tais como BNP, Barclays, Swiss Bank, e tantos outros.
A litigação é feita pelo DOJ - Department of Justice em Washington porque é uma violação às leis do país que estão sob a alçada do tribunal federal.
Em todos os casos há sempre um montante preliminarmente anunciado pelo DOJ que depois é negociado entre as partes e nestas negociações há muitas variáveis que contam para o resultado final.
Por exemplo no caso do BNP o montante inicialmente anunciado foi de 14 biliões de Dólares e acabou por ter um valor final de 9.9 biliões de Dólares.
Há muita coisa em jogo e, em minha opinião, estas coimas são simplesmente astronómicas e um confisco aos acionistas dos bancos cuja viabilidade pode por em causa.

comentários mais recentes
Fortunato Rodrigues 06.10.2016

Cá se faz, cá se paga, Ângela Merkel. Tb há maus gestores em banco (DB).

00SEVEN 06.10.2016

Para:

Anónimo 13:16

O caso do Deutsche Bank não é diferente de todos os casos que a justiça americana seguiu relativamente aos bancos europeus tais como BNP, Barclays, Swiss Bank, e tantos outros.
A litigação é feita pelo DOJ - Department of Justice em Washington porque é uma violação às leis do país que estão sob a alçada do tribunal federal.
Em todos os casos há sempre um montante preliminarmente anunciado pelo DOJ que depois é negociado entre as partes e nestas negociações há muitas variáveis que contam para o resultado final.
Por exemplo no caso do BNP o montante inicialmente anunciado foi de 14 biliões de Dólares e acabou por ter um valor final de 9.9 biliões de Dólares.
Há muita coisa em jogo e, em minha opinião, estas coimas são simplesmente astronómicas e um confisco aos acionistas dos bancos cuja viabilidade pode por em causa.

João Cerqueira 06.10.2016

Faz muito bem. Aqui foi igual.

Jose Alexandre 06.10.2016

Conversações ou negociações?
50% de perdão ao DB contra 50% de perdão à Apple.

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