BES prevê subscrição da totalidade dos direitos de compra de acções
26 Abril 2012, 19:23 por Hugo Paula | hugopaula@negocios.pt
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Os executivos do banco liderado por Ricardo Salgado estão convencidos de que os investidores vão subscrever as acções no valor de 1,01 mil milhões de euros.
O BES recebeu a indicação dos seus principais accionistas e investidores de que pretendem subscrever os direitos de compra das novas acções que o banco vai emitir no aumento de capital.

“Além dos accionistas dos bancos, temos indicação de que os investidores institucionais mais relevantes no estrangeiro” planeiam comprar as acções, disse o responsável financeiro (CFO, na sigla inglesa) do BES, Amílcar Morais Pires, à Bloomberg. “Estamos convencidos de que os direitos vão ser subscritos na totalidade”, acrescentou.

O Banco Espírito Santos tem uma capitalização bolsista de 2,4 mil milhões de euros e está a oferecer 2,56 milhões de novas acções ao preço de 0,395 euros. Um preço que representa um desconto de 30% face ao valor dos títulos no encerramento da sessão anterior ao anúncio do aumento de capital.

O CFO do banco disse ainda que muitos dos accionistas que vão participar no aumento de capital são novos, tendo entrado no seu capital já depois do final do ano e incluindo alguns originários do Reino Unido e Estados Unidos da América, refere a Bloomberg.

A operação de aumento de capital do BES permite-lhe reforçar o rácio “core Tier one” para 10,75%. No entanto, a venda de novas acções vai ser acompanhada da compra de 50% da unidade de seguros BES Vida ao Crédit Agricole, o que vai ter um impacto negativo de 22 pontos no rácio de capital, levando-o para o nível de 10,53%, depois de estarem concluídas as duas operações.

Um nível do rácio de solvabilidade que permite ao banco satisfazer as exigências dos reguladores. A troika e o Banco de Portugal exigem um rácio “cote Tier one” de 10% até ao final de 2012 e a Autoridade Bancária Europeia tem uma exigência de 9%, a ser cumprida até ao final de Junho deste ano. Neste caso, a exposição à divida pública tem de estar avaliada a valores de mercado.

Carteira de crédito deverá diminuir entre 2% e 3% ao ano

Também para responder às exigências da troika, o BES está a trabalhar para reduzir o rácio de empréstimos face a depósitos para 120% até ao final de 2014. No final deste ano, os empréstimos deverão corresponder a 130% dos depósitos, disse Amílcar Morais Pires.

Para cumprir estas metas, o banco já não está a considerar a venda da sua carteira de créditos internacionais, revelou o CFO à Bloomberg. Nos últimos 18 meses, o banco vendeu créditos no valor de dois mil milhões de euros.

O BES antecipa que a sua carteira de crédito diminua 2% a 3% ao ano e prevê que os depósitos continuem a crescer, permitindo ao banco atingir a sua meta de 120% até à data prevista, disse.

O banco com sede na Avenida da Liberdade acredita que a dívida portuguesa não virá a ser reestruturada, motivo pelo qual está a comprar obrigações com maturidades de prazo mais longo, disse Morais Leitão à agência noticiosa.

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