Banca & Finanças Bloco fala em "nomeações partidárias" e "sensibilização" para financiamentos da CGD

Bloco fala em "nomeações partidárias" e "sensibilização" para financiamentos da CGD

O BE pede mais intensidade nas referências a projectos problemáticos da Caixa como Vale do Lobo e La Seda. As recomendações de Moisés Ferreira prendem-se com maior controlo sobre o banco público.
Bloco fala em "nomeações partidárias" e "sensibilização" para financiamentos da CGD
Bruno Simão/Negócios
Diogo Cavaleiro 11 de julho de 2017 às 13:40

A relação entre a Caixa Geral de Depósitos e o accionista Estado é um dos pontos centrais nas alterações propostas pelo Bloco de Esquerda ao relatório preliminar da comissão parlamentar de inquérito ao banco público.

 

"Nomeações partidárias, a pressão sobre os dividendos a distribuir ao Estado, a utilização do fundo de pensões como medida extraordinária para melhorar o défice do país ou a ‘sensibilização’ para determinados projectos e o cuidado em perguntar sobre a classificação de determinado projecto nacional, tudo isto aconteceu durante este período [2000 a 2007]", refere uma das conclusões do deputado Moisés Ferreira.

 

Os partidos tinham até segunda-feira, 10 de Julho, para sugerir alterações ao relatório da autoria do deputado socialista Carlos Pereira relativamente à comissão de inquérito que tinha como objecto apurar as causas da capitalização de 2016, que se efectivou um ano depois com a entrada de 3,9 mil milhões de euros estatais, e a gestão do banco desde 2000.

 

Um dos aspectos referidos pelo BE prende-se com as "possíveis pressões para concessões de créditos", também no período após 2007. "Não ficou claro o racional de determinados comportamentos da Caixa, nomeadamente na concessão de crédito para aquisições de acções do BCP ou a forma pouco prudente como se abalançou, não só com o financiamento, mas também participando no capital em determinados projectos, com o Vale do Lobo ou a La Seda, o que levou a que perdesse duas vezes nos mesmos projectos", escreve. Aliás, uma nova sugestão de conclusão é a que "deve permanecer a dúvida sobre a prudência e racional do interesse público na participação da CGD no projecto Vale do Lobo".

 

Moisés Ferreira rejeita a ideia, deixada no relatório preliminar, de que a crise iniciada em 2007 com o subprime, nos Estados Unidos, foi a grande explicação para as imparidades registadas pela CGD ao longo dos últimos anos, e que contribuíram para os prejuízos.

 

Tal como antecipado por Carlos Pereira em entrevista ao Negócios e à Antena 1, o papel da Europa é alvo de propostas de alterações. "As instituições europeias prejudicaram, objectivamente, a Caixa por esta ter propriedade pública", defende Moisés Ferreira.

 

As recomendações prendem-se com o carácter público da instituição financeira. "A propriedade pública da Caixa exige que esta esteja submetida a mais procedimentos de controlo, rigor e transparência", além de exigir uma maior prudência nas suas práticas.

Carlos Pereira finalizará o relatório até dia 14, após receber as propostas de modificação (PSD e CDS não apresentaram), sendo que a votação final está agendada para dia 18.




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mais votado Anónimo 11.07.2017

A CGD foi sempre uma espécie de agência de empregos cá do burgo. Se roubar o Estado e a economia para isto não é crime, o que é que será então?

comentários mais recentes
Anónimo 11.07.2017

Anónimo da CGD, entram em provas. Eu também já entrei em muitas provas. Toda a gente entra ou entrou em provas, provinhas e provonas. A questão não é essa. A questão é se são precisos 200 e põem e mantêm lá 2000, alguém terá que pagar através de comissões/preço do bem ou serviço, contribuições e impostos. A sustentabilidade do Estado, a competitividade da economia e o grau de equidade na sociedade ressentem-se penosamente.

José Henrique Sousa 11.07.2017

Amigo Anónimo, gostaria de o esclarecer que para entrar na CGD, fomos sujeitos a provas diversas, abrangendo todas as áreas, sendo a nossa missão, para além do cumprimento das normas estabelecidas pelo C.A., o esclarE cimento escrupuloso dessas normas aos clientes. O Banco com maior formação.

Anónimo 11.07.2017

É uma empresa que tem sido levada ao colo pelo Estado desde que foi fundada. Está repleta de ineficiências e excedentarismo. A gestão é medíocre ou apática e os colaboradores capturaram a organização. Podia dar 3 vezes mais lucro com metade dos colaboradores actuais. Podia inovar e expandir-se na criação de valor em inúmeras outras áreas de negócio tornado-se ainda maior e transformando-se num verdadeiro potentado que puxasse pela economia portuguesa no seu todo. Não é nada disso. Faz lembrar o monstro de corrupção, obscuridade, promiscuidade estatal e desperdício em que se tornaram algumas das maiores empresas brasileiras. E todos sabem em que é que isso deu no Brasil...

Anónimo 11.07.2017

Na CGD ainda não sabem por onde é que podem começar a despedir os 2200 excedentários que teve de ser "Bruxelas" a indiciar. Nem sabem ainda quantos zeros a mais poderá ter o cheque do prémio por terem sido excedentários remunerados durante estes anos todos.

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