Telecomunicações Bloco pede gestão pública no SIRESP. PSD atira: "mudem" o sistema que tem Costa como "verdadeiro rosto"

Bloco pede gestão pública no SIRESP. PSD atira: "mudem" o sistema que tem Costa como "verdadeiro rosto"

O Bloco de Esquerda propôs o fim da gestão privada do SIRESP no Parlamento. O debate levou o PSD a criticar a posição do Bloco, dizendo fingir-se da oposição. E aproveitou para dizer que o actual modelo do SIRESP tem como verdadeiro rosto António Costa.
Bloco pede gestão pública no SIRESP. PSD atira: "mudem" o sistema que tem Costa como "verdadeiro rosto"
Bruno Simão/Negócios
Alexandra Machado 05 de julho de 2017 às 16:21
A discussão do projecto do Bloco de Esquerda de cessação da parceria público-privada do SIRESP (Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal) foi criticada pelos partidos mais à direita do hemiciclo, mas também do PS que considerou o projecto extemporâneo, face à criação da comissão independente para averiguar o que aconteceu no incêndio de Pedrógão Grande.

Sandra Cunha, que pelo Bloco defendeu o projecto, justificou-o pela ineficácia e incompetência que caracterizou a actuação da operadora SIRESP. Apesar de reafirmar que este projecto foi feito por causa de todas as falhas do sistema ao longo dos anos, dissociando-o directamente do incêndio de Pedrógão, a deputada ouviu Telmo Correia, do CDS, a acusar o Bloco de "oportunismo político". Telmo Correia que aproveitou, mais esta ocasião, para pedir a demissão da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, dizendo ter havido uma "desorganização grave e descoordenação no terreno", pelo que acusou o Bloco de "branquear uma realidade que é de responsabilidade política óbvia".

Para Telmo Correia a questão essencial não é se o sistema fica no público ou no privado. "O Bloco que foi tão lesto a pedir demissões no passado, agora perante isto demissões e responsabilidade política zero", disse Telmo Correia, acrescentando que a ministra "não tem condições de continuar nem condições de renegociar SIRESP".

O passado não ficou, aliás, de lado do debate parlamentar, já que se da esquerda se recorda da primeira adjudicação do contrato, no tempo do governo de Santana Lopes, pelo ministro Daniel Sanches (que tinha sido administrador da SLN), já das bancadas da direita é recordado que a adjudicação final foi mesmo de um governo socialista, de José Sócrates, que tinha António Costa como ministro da Administração Interna.

Carlos Abreu Amorim, social-democrata, foi mesmo o primeiro a recordar o papel de António Costa, que diz ser "o rosto, o verdadeiro rosto do actual modelo do SIRESP". A resposta da bancada do PS não se fez esperar: "não fica bem enjeitar os filhos. A paternidade está lá e tem um cordão umbilical para o resto da sua história", declarou Fernando Anastácio.

José Silvano, do PSD, voltou ao embate político: "Se era tão mau porque é que quando António Costa, MAI, teve a oportunidade não fez novo concurso, novo procedimento e novo contrato, porque é que renegociou este?"

Foi também da bancada do PSD que se acusou, neste debate levado ao Parlamento pelo Bloco, o partido liderado por Catarina Martins de "fingir ser um partido de oposição, quando são governo. Se acham que não serve, mudem-no", disse Carlos Abreu Amorim. José Silvano, mais tarde, afirmou disponibilidade para mudar alguma coisa do SIRESP. "O PSD está de consciência tranquilo. E disponível para discutir em todas as suas formas. Ao PS, se quer mudar este modelo ou aperfeiçoar tem aqui os seus parceiros para isso, mas nós não iremos ser obstáculo", declarou.

O PS aproveitou o debate para questionar o Bloco quanto custaria ao Estado cessar o contrato da PPP. A resposta de Sandra Cunha não foi taxativa: o SIRESP não pode estar refém de estimativas financeiras nem de negócios, declarou apenas.



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