Bloco de Esquerda questiona Governo sobre eventual alienação da RTP e da Tobis a angolanos
23 Outubro 2011, 22:12 por Lusa
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O Bloco de Esquerda (BE) pediu hoje, com carácter de urgência, que o Governo esclareça a possível venda da Tobis e de um dos canais da RTP a investidores angolanos, como tem sido noticiado na comunicação social.
A deputada Catarina Martins (BE) entregou uma pergunta escrita na Assembleia da República, dirigida à Presidência do Conselho de Ministros, para saber se o Governo confirma a visita do Director do Departamento para a Informação e Propaganda do MPLA às instalações da Tobis Portuguesa e se o Executivo pondera vender esta empresa a algum grupo de investidores estrangeiros.

O BE refere que a comunicação social portuguesa noticiou que a Tobis poderá "já ter sido vendida ao MPLA", sendo que o Director do Departamento para a Informao e Propaganda do MPLA terá visitado as instalações da empresa na companhia dos responsáveis do Instituto do Cinema e Audiovisual.

No mesmo pedido de esclarecimento, o Bloco de Esquerda pretende saber se o Governo tem conhecimento da intencão do grupo Newshold de comprar parte da RTP, e se há intenção de vender algum dos canais da RTP.

"A Tobis não só tem todas as condições para se afirmar como um laboratório de excelência a nível europeu como é a única instituição nacional com capacidade técnica para o essencial diálogo entre o digital e a película, constituindo-se, em articulação com a Cinemateca e o Arquivo da RTP como uma peça fundamental para uma política para o audiovisual e para a memória", diz a deputada do BE no texto da pergunta escrita enviada ao Executivo.

Na perspetiva do BE, a sua alienação, por si só, é "já um erro" e a venda de uma empresa pública a um partido político seria algo de "inaudito e completamente inaceitável".

Quanto à RTP, o Bloco lembra que comunicação social dá conta do interesse do grupo angolano Newshold - detentor do semanário "Sol" - em adquirir um canal da RTP.

"O serviço público de rádio e televisão, assente nas suas obrigações de promoção da cultura e de uma cidadania informada e democrática, necessita dos instrumentos para se afirmar junto de audiências largas e diversificadas, pelo que alienação de qualquer dos canais da RTP é um erro", sublinha a deputada Catarina Martins.

Em sua opinião, esta alienação não fragiliza só o serviço público, mas "toda a comunicação social", pois num momento de crise económica e retracção do mercado publicitário, a entrada de um novo operador na televisão generalista coloca em causa a "sobrevivência" de todo o sector.

"A notícia de reforço da posição do grupo Newshold, que, segundo a comunicação social, estará também interessado em adquirir o Correio da Manhã e o grupo Cofina, é uma má notícia para a pluralidade da comunicação social própria dos países democráticos", enfatiza a deputada.
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