Start-ups Bloomberg: “Portugal lançava navios, agora lança start-ups”

Bloomberg: “Portugal lançava navios, agora lança start-ups”

A Bloomberg volta a olhar para o ecossistema nacional de empreendedorismo. Isto numa altura em que "um encontro de várias forças está a levar os empreendedores a construírem as suas empresas" em Portugal. Mas alerta que "o verdadeiro teste" será dentro de alguns anos.
Bloomberg: “Portugal lançava navios, agora lança start-ups”
Ana Laranjeiro 01 de fevereiro de 2017 às 10:14

O ecossistema nacional de empreendedorismo volta a ser destacado pela Bloomberg. "Portugal lançava navios, agora lança start-ups". Este é o título que está no site da agência, embora no terminal o título se foque noutra realidade: "Start-ups tecnológicas olham para Lisboa numa altura em que o Brexit abala o panorama londrino".

O artigo começa com a história de Jaime Jorge, líder da Codacy, que em 2012 "fez algo que poucos dos seus compatriotas portugueses alguma vez fizeram" – recusou um emprego na Google, em Londres, e formou a sua empresa. A Codacy, que tem uma ferramenta que corrige erros no código de software, é uma das start-ups nacionais mais conhecidas e conta com gigantes como a Paypal e a Adobe como seus clientes.


O caso desta start-up é considerado como "algo novo neste pequeno país assolado por uma economia estagnada e um sector bancário" sob pressão. Para a agência, "um encontro de várias forças está a levar os empreendedores a construírem as suas empresas" em Portugal depois de, no passado, aqueles " que eram suficientemente corajosos" para começarem a sua empresa tecnológica o faziam fora de portas.


"Graças à cloud computing (computação na nuvem) e aos software de open source é fácil e mais barato do que nunca montar uma plataforma digital em qualquer lugar. E universidades como Instituto Superior Técnico em Lisboa estão a ensinar os estudantes a arte do empreendedorismo em vez de aliciarem-nos apenas para carreiras em empresas multinacionais", escreve a agência.


Por outro lado, Lisboa tem uma vantagem face a Londres. Os salários são mais baixos. A Seedrs, a plataforma de equity crowdfunding lançada por Carlos Silva e Jeff Lynn, é um exemplo disso. A sede está na capital britânica mas a equipa de desenvolvimento está em Lisboa. "Sabia que havia talento ao nível da engenharia aqui que não estava a ser explorado e, de uma perspectiva de custos, seria muito mais eficiente do que estabelecer [essa equipa] em Londres", disse Carlos Silva à Bloomberg.


Um estudo da Allianz Kulturstiftung colocou Lisboa como a quinta comunidade de start-ups com melhor desempenho na Europa. Mas o "panorama tecnológico é ainda pequeno", um retrato que assenta nos negócios realizados no ano passado.

Além da Codacy, a Hole19, uma aplicação para golfistas, e a Uniplaces, uma plataforma que permite o aluguer de quartos a estudantes universitários, são também casos mencionados. Em relação a duas fintech, a Feedzai e a CrowdProcess, a Bloomberg refere que estão "a fazer ondas em termos mundiais".

Brexit vai provocar um êxodo?


O Reino Unido vai deixar a União Europeia. As negociações oficiais ainda não começaram. Mas sabe se já que Londres deve perder o acesso ao mercado único e deverá também ficar sem acesso à liberdade de movimentos no espaço da União Europeia. A Bloomberg defende que o Brexit "provavelmente não vai provocar um êxodo tecnológico de Londres". Mas "pode acelerar a formação de start-ups em outros locais".

Apontando que, à semelhança do que está a ser feito em Portugal, também Itália e Espanha criaram incentivos fiscais para estimular os ecossistemas e que a França arrancou no mês passado o "French Tech Ticket" – que dá autorizações de residência a 70 empreendedores estrangeiros, um ano numa das incubadoras do país e 45 mil euros para despesas – a Bloomberg indicia que Portugal, com o Web Summit, teve uma parte da promoção internacional coberta.


João Vasconcelos, actual secretário de Estado da Indústria, assume que Portugal tem a "sua própria identidade" "Durante séculos fomos para o estrangeiro. Os empreendedores portugueses nascem com um pensamento global", acrescentou.

Para evitar comparações com outros centros de empreendedorismo, como Berlim e Silicon Valley, o secretário de Estado e o líder do Web Summit, Paddy Cosgrave, lançaram a campanha "This is Portugal" [Isto é Portugal], usando para isso vários outdoors, espalhados por Lisboa. O objectivo era mostrar que Portugal tem uma identidade própria.

"A génese de todo este ecossistema foi a crise financeira e a falta de empregos", afirmou Stephan Morais, da Caixa Capital.


O artigo termina sublinhando que "o verdadeiro teste vai chegar dentro de dois anos, quando a geração de start-ups como a Jaime Jorge" precisarem de financiamento para crescer (growth-stage funding). Para isso, possivelmente, terão de recorrer a fundos que estão em Silicon Valley ou até em Singapura. "Se estes empreendedores regressarem com o capital para criar mais produtos, mais empregos e uma maior riqueza, vai estar no caminho para transformar as suas apostas em algo inesquecível".

 




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comentários mais recentes
Ricardo Há 4 semanas

"A sede está na capital britânica mas a equipa de desenvolvimento está em Lisboa". Pois é! aí é que está a diferença! O Governo deveria perceber que os impostos que pede em Portugal nunca irão aliciar investimento! Escreve-se microempresa em inglês (start-up) e já parece chique e inovador! lol.

Petromax Há 4 semanas

Isto das startups parece-me mais uma treta de jornalista para encher o chouriço e mostrar serviço. E igualmente para fazer propaganda aos governos ´
Destas startups indígenas lançadas só para aí 10% é que vão sobreviver. Quanto é que isto no futuro pesa no PIB? Se for umas décimas já é uma sorte.

jose Há 4 semanas

Treta. Quanto é que isto vale no Pib de Portugal? 0,01%? Nem tanto.

Tereza economista Há 4 semanas

O diagnostico está aí para todos verem. Falta um sistema de valores em que a justiça funcione minimamente.

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