Indústria “Bombeiro” do calçado cria 85 empregos em Castelo de Paiva

“Bombeiro” do calçado cria 85 empregos em Castelo de Paiva

A Carité, que detém seis unidades industriais e emprega 500 pessoas, vai investir 1,5 milhões de euros e criar 85 empregos no renascimento da fábrica de calçado destruída em Castelo de Paiva pelo incêndio de Outubro.
“Bombeiro” do calçado cria 85 empregos em Castelo de Paiva
Rui Neves 11 de fevereiro de 2018 às 22:00
A fábrica de calçado OQ, de Castelo de Paiva, que foi uma das cerca de 500 empresas destruídas pelos incêndios de Outubro passado, vai ser reconstruída no mesmo local e voltar a dar trabalho aos seus 85 trabalhadores, agora por iniciativa do grupo Carité, que é um dos maiores fabricantes portugueses de sapatos.

"Como o anterior dono não quis reconstruir a fábrica, o presidente da Câmara de Castelo de Paiva contactou-me para me convencer a fazer isso. E conseguiu, sendo que todos os 85 trabalhadores vão ser reintegrados", garantiu o presidente do grupo Carité, Reinaldo Teixeira, em entrevista ao Negócios.

O projecto industrial de Carité em Castelo de Paiva, num "investimento de cerca de 1,5 milhões de euros" na abertura da sétima unidade industrial deste grupo, tem como pressuposto "a garantia da qualidade da mão-de-obra local", tanto mais que actualmente "subcontrata alguma da produção actual" a duas fábricas deste concelho.

Reinaldo Teixeira adiantou que as obras de construção deverão arrancar "ainda este mês", prevendo que a nova fábrica "entre em operação em Maio". O terreno onde antes morava a OQ foi comprado pela Carité "por 150 mil euros". Com uma área coberta de 2,2 mil metros quadrados, esta unidade fabril vai dedicar-se "à produção de cerca de 700 pares de sapatos por dia de calçado de senhora ‘casual’ e desportivo", revelou o empresário.

Todos os trabalhadores da fábrica destruída pelos incêndio vão ser reintegrados. Reinaldo Teixeira
Presidente do grupo Carité
De acordo com o dono da Carité, este projecto de investimento foi aprovado, na semana passada, no quadro do sistema de apoio financeiro criado pelo Governo após os incêndios. Reinaldo Teixeira estima que seja contemplado com "um apoio a fundo perdido da ordem dos 70% do investimento" realizado, com a ressalva de que ao total da ajuda serão deduzidos "os 220 mil euros que os donos da fábrica destruída receberam da seguradora".

Fornecedora de marcas de luxo internacionais como a Paul Smith, Tommy Hilfiger, Kenzo, Cristian Pellet, Floris van Bommel e Adidas, o grupo Carité exporta 98% da sua facturação, de 27 milhões de euros no ano passado, para cinco países - Holanda, Alemanha, França, Inglaterra e Estados Unidos. O mercado holandês representou 25% das vendas em 2017, o alemão 20% e o norte-americano 10%.

À semelhança da estratégia da indústria portuguesa de calçado, a grande aposta comercial da Carité passa por reforçar as exportações para os Estados Unidos, onde quer "duplicar ou triplicar as vendas nos próximos dois anos".

Actualmente com seis fábricas - três em Celorico de Basto, uma em São João da Madeira e duas em Felgueiras, onde está sedeado, e com cerca de 500 trabalhadores, o grupo Carité ainda só factura um milhão de euros com a sua marca própria J. Reinaldo, que marca presença, por estes dias, na Micam, a maior feira de calçado do mundo, que se realiza em Milão, Itália. O "private label" (produção para terceiros) vale 26 milhões de euros.

*O jornalista viajou a convite da APICCAPS



A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
comentar
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
pub