Indústria Bosch de Braga ganha contrato de 1.300 milhões da Renault e Nissan

Bosch de Braga ganha contrato de 1.300 milhões da Renault e Nissan

Novos projectos para a área de sistemas de navegação e entretenimento, no valor de 1.300 milhões de euros, vão levar a um aumento das instalações da fábrica de Braga. Parte da produção será transferida para Ovar.
Bosch de Braga ganha contrato de 1.300 milhões da Renault e Nissan
Miguel Baltazar
André Veríssimo 17 de maio de 2017 às 18:17

A Bosch Car Multimedia de Braga ganhou um grande contrato para a produção de sistemas de informação e entretenimento automóvel, revelou esta quarta-feira à tarde Carlos Ribas, representante do grupo alemão em Portugal, num encontro com jornalistas em Lisboa.

 

O contrato, que tem um valor global de 2.000 milhões de euros torna a Bosch no fornecedor dos sistemas de informação e entretenimento para todos os automóveis da Renault e Nissan. Portugal será responsável por 65% da produção, o equivalente a cerca de 1.300 milhões. O contracto é válido por cinco anos e arranca em 2018.

 

Carlos Ribas avançou que estes novos contratos irão obrigar ao aumento da capacidade da fábrica de Braga e a transferir parte da produção para as instalações da empresa em Ovar, onde funciona a Bosch Security Systems. Segundo o líder da Bosch, em Portugal serão investidos este ano e no próximo 38 milhões de euros na aquisição de terrenos e construção de novos edifícios nas instalações na cidade minhota. Para 2019 e 2010 está prevista nova ronda de investimento de 9 milhões.

O aumento de produção levará também a novas contratações. Carlos Ribas mantém a meta de mil novos trabalhadores em todas as unidades portuguesas do grupo até ao final de 2018, embora admita que ela possa ser ultrapassada. Este ano já foram contratados 500 e o número pode duplicar. O nível de investimento, que em 2016 foi de 88 milhões de euros, deverá ser ligeiramente inferior em 2017.

Quebrada a fasquia dos 1000 milhões

A Bosch Portugal teve receitas de 1.100 milhões de euros em 2016, ultrapassando pela primeira vez a fasquia dos mil milhões de euros. O número representa um crescimento de 18% face aos 933 milhões obtidos no ano anterior, e é muito superior aos 5% registado pelo grupo Bosch a nível mundial.


A unidade de Braga foi a que mais aumentou as receitas, com um crescimento de 36%. Além do representante em Portugal, o encontro contou ainda com a participação de Javier González, responsável Ibérico da Bosch, que salientou que só a Bosch Car Multimedia vende tanto como cinco fábricas em Espanha. Para o espanhol, que trabalhou cinco anos e meio na empresa em Lisboa, estes números mostram que "vale a pena investir em Portugal".

Lisboa recebe centro de serviços partilhados para a Europa

A Bosch em Lisboa recebeu esta quarta-feira a visita do Ministro da Economia. Em Portugal esteve também presente um membro do conselho de administração do grupo alemão, tendo sido anunciado que Lisboa será um centro de serviços partilhados na área dos recursos humanos para vários países europeus, entre eles França, Suíça e Itália.

A criação deste centro de serviços partilhados levará à contratação de mais de 80 pessoas para os escritórios de Lisboa, avançou Carlos Ribas. "É uma demonstração de que a parceria entre a Bosch e Portugal é para durar", afirmou o responsável.
 
Também para continuar é a ligação da Bosch ao ensino superior. Com a Universidade do Minho estão em vigor dois protocolos de investigação, um de 18 milhões e outro de 55 milhões, que passam pelo desenvolvimento de soluções para a condução autónoma.

Em curso está também um protoloco com a Universidade de Aveiro no âmbito do projecto "smart green home" e está a ser negociado um outro sobre "smart cities" entre a Bosch de Ovar e a Universidade do Porto. "Temos 500 pessoas em Investigação e Desenvolvimento em Portugal. Não descanso enquanto não chegar às 1000", afirma Carlos Ribas.

(Notícia actualizada às 19.50 com mais informação)




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mais votado Anónimo 17.05.2017

A Bosch da Alemanha não tem certamente esta unidade em Portugal para fazer de conta que produz alguma coisa. Tem de justificar o investimento e dar retorno sobre o mesmo.

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Anónimo 17.05.2017

Desde quando é que uma multinacional estrangeira num determinado país não ganha contratos? Desde a altura em que o socialismo lusitano foi exportado para a Venezuela a par com o notebook da JP Sá Couto no governo Sócrates. Veja-se o caso da GM da Venezuela que encerrou recentemente por causa das cadeias de abastecimento terem colapsado. Mas Portugal ainda não é a Venezuela. Apesar do governo andar a tentar insistentemente a UE ainda serve de salvaguarda perante tal risco.

Anónimo 17.05.2017

André, repare, os sindicatos na Alemanha e restante mundo livre, rico e desenvolvido não capturam a criação de valor e por isso a Alemanha é sede para tanto colosso empresarial, o seu Estado é sustentável e a população goza de elevado nível de vida e igualdade de oportunidades. "As part of its so-called "Future Pact" designed to boost productivity by 25 percent over four years, the VW brand is eliminating 23,000 jobs by 2020 in Germany." http://europe.autonews.com/article/20170510/ANE/170519998/how-vw-plans-to-achieve-job-cuts-in-germany

Anónimo 17.05.2017

Ter os centros de decisão de tão importantes multinacionais é uma vantagem para os trabalhadores das organizações, mas tê-los no território nacional assentou antes de mais em regras laborais flexíveis e mercado de capitais forte e dinâmico. Com a robotização o operário imigrado na Alemanha está com os dias contados e o sindicalista está prestes a dar o canto do cisne. Aquele tipo de sociedades não se deixa capturar pelo atraso.

Anónimo 17.05.2017

Os salários ou o custo do trabalho em Portugal são mais reduzidos do que noutras economias mais ricas e desenvolvidas do que a portuguesa, mas o que se passa é que as empresas gozam de economias de escala que as empresas portuguesas só atingiriam se se internacionalizassem. E o que é facto é que muito raramente isso acontece porque sindicatos e esquerda não deixam que se reúnam as condições para que tal aconteça. Por outro lado, e não menos importante, há que salientar que o sector empresarial dessas economias mais ricas e desenvolvidas tem uma muito maior alocação de capital com grande incorporação de tecnologia de ponta, económica e eficiente, que poupa enormemente em factor trabalho. Uma coisa é ter 200 assalariados a ganhar 1000 outra é ter 50 a ganhar 2000 para produzir o dobro do que se consegue produzir empregando os primeiros.

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