Energia BPI: Fusão EDP/Gas Natural geraria sinergias anuais de 450 milhões

BPI: Fusão EDP/Gas Natural geraria sinergias anuais de 450 milhões

O BPI considera que a fusão das duas empresas podia gerar sinergias anuais de cerca de 450 milhões de euros. Já o Haitong diz que as sinergias seriam limitadas tendo em consideração que os portfólios das duas empresas se complementam.
BPI: Fusão EDP/Gas Natural geraria sinergias anuais de 450 milhões
Miguel Baltazar
Sara Antunes 04 de julho de 2017 às 11:55

A Reuters avançou esta segunda-feira que a Gas Natural está a abordar a EDP para uma fusão entre as duas companhias, numa operação que já foi pensada no passado. As duas empresas já vieram entretanto negar quaisquer negociações. E os analistas alertam que, apesar de fazer sentido em termos de negócio, a probabilidade de esta fusão acontecer agora é limitado.


Ainda assim, há alguns cálculos sobre potenciais sinergias neste negócio.

 

O BPI estima que a fusão das duas empresas geraria "sinergias anuais de cerca de 450 milhões de euros", isto tendo como base as sinergias conseguidas pela fusão entre a Gas Natural e a Union Fenosa, em 2009.


"Assumindo uma separação de accionistas das duas empresas, em linha com o peso do EBITDA para 2017 (42% para a EDP e 58% para a Gas Natural), antecipamos uma criação de valor potencial de 0,50 euros para a EDP e 2,30 euros para a Gas Natural", ainda assim, como a avaliação da espanhola já tem incorporado um potencial de fusões o impacto real no seu valor seria menor. Já no caso da EDP a parcela as sinergias potenciais poderiam representar mais 12% da avaliação que o BPI tem actualmente (3,70 euros).

 

A fusão das duas empresas daria origem a uma empresa com um EBITDA de 8,7 mil milhões de euros e um lucro de 2,4 mil milhões, tendo em consideração as estimativas de resultados para as duas empresas em 2018.

 

As contas do BPI apontam para que o La Caixa, que é o principal accionista da Gas Natural (24,4%), ficasse com o maior accionista da empresa resultante da fusão, com 16% do seu capital. A Repsol seria a segunda (13%), enquanto a China Three Gorges, o maior accionista da EDP (21,35%), seria o quarto maior accionista, com cerca de 7% do capital.

 

O Haitong considera que esta troca de posição de relevo numa empresa por uma participação menor não será do interesse da China Three Gorges.

 

"Não só o portfólio de geração se tornaria mais equilibrado (a exposição hídrica da EDP compensaria a sobreexposição da Gas Natural às centrais de gás), mas a empresa combinada ficaria muito próxima da Endesa e da Iberdrola no mercado de electricidade ibérico (usando os dados do mercado de 2015, teria 24% de capacidade instalada contra 21% da Iberdrola, teria 29% de electricidade distribuída contra 39% da Endesa e 31% da Iberdrola e 25% de fornecimento de electricidade versus 31% da Endesa e 29% da Iberdrola).

 

O Haitong faz as contas e diz que, tendo por base as estimativas para 2018, os negócios combinados das duas empresas dariam origem a "uma empresa com activos de 90 mil milhões de euros e uma dívida líquida/EBITDA de cerca de 3,5 vezes".

 

Este banco de investimento realça que uma vez que os portfólios das duas empresas se complementam, potencial de sinergias é mais reduzido.

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de "research" emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de "research" na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro.




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