Banca & Finanças BPI gasta 91 milhões para rescindir com 519 trabalhadores

BPI gasta 91 milhões para rescindir com 519 trabalhadores

Foram 519 os funcionários do BPI que aderiram ao programa de reformas antecipadas e rescisões, já concluído. Juntando-os aos 98 trabalhadores que tinham já acordado a saída, o banco espera poupar 36 milhões de euros por ano.
BPI gasta 91 milhões para rescindir com 519 trabalhadores
Miguel Baltazar
Diogo Cavaleiro 20 de julho de 2017 às 17:29

O BPI gastou 91 milhões de euros para rescindir com 519 trabalhadores no programa de reformas antecipadas e de rescisões por mútuo acordo, segundo informou a instituição financeira em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Tendo em conta estes números, cada trabalhador recebeu, em média, uma indemnização de 175 mil euros.  

 

"Em resultado do programa sairão progressivamente dos quadros do banco 519 colaboradores, 292 por reforma antecipada e 227 por rescisão voluntária, com um custo total de 91 milhões de euros, registado nas contas do primeiro semestre de 2017, que serão divulgadas no próximo dia 25 de Julho", revela o documento divulgado esta quinta-feira, 20 de Julho.

 

Formalmente, o programa lançado pelo banco que vai ser liderado por Pablo Forero (ainda carece de aprovação do Banco Central Europeu) acabou, mas além destes números, havia já outros funcionários a acordar a saída. Já tinham chegado a esse entendimento mais 98 colaboradores. Neste caso, o custo foi de 15,4 milhões.


"Assim, no primeiro semestre de 2017 acordaram voluntariamente a sua saída do banco 617 colaboradores, o que implica um custo total de 106 milhões de euros, integralmente considerado nas contas de Junho deste ano, e uma redução anual de 36 milhões de euros nos custos de estrutura do Banco BPI", acrescenta o mesmo documento.

O custo é reconhecido já no primeiro semestre, apesar de 73 funcionários apenas saírem de funções em 2018. As condições oferecidas passavam, em regra, por uma compensação equivalente a 2,5 salários por ano, um valor acima do habitual, tendo em conta que quem aderia não tinha direito a subsídio de desemprego. O objectivo seria fechar com cerca de 400 funcionários.  

O BPI tinha 5.445 trabalhadores na actividade nacional no final de Março, menos 430 do que no mesmo mês de 2016. Com este programa o número de funcionários do BPI vai cair para menos de 5.000. 


BPI satisfeito

Este gasto será sentido, então, nos resultados que vão ser conhecidos no dia 25 de Julho. No primeiro semestre de 2016, o banco alcançou um lucro líquido de 105,9 milhões de euros. Já na comparação trimestral, o BPI registou um prejuízo de 122,3 milhões nos primeiros três meses deste ano, devido às mudanças de contabilização do Banco do Fomento Angola.

"A comissão executiva do Banco BPI considera que foram adequadamente cumpridos os objectivos estabelecidos, não estando por isso previstos novos programas neste domínio", admite a nota. No decorrer do processo, saíram notícias a assinalar o interesse dos funcionários em aderir ao programa. 

"A comissão executiva do Banco BPI reafirma o objectivo de sinergias de 120 milhões de euros anunciado para o final de 2019", acrescenta ainda. O processo foi lançado depois de concluída a compra pelo CaixaBank, actualmente dono de 84,5% da instituição financeira de que Fernando Ulrich passará a ser o presidente da administração. 


(Notícia actualizada com mais informações às 17:47)




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mais votado Anónimo 20.07.2017

Entre 2011 e 2015, a função pública perdeu 69 064 pessoas, uma redução de 9%. Não houve despedimentos. Não se fez propriamente gestão de recursos humanos porque a lei e os tribunais não deixaram. Ofereceram-se reformas antecipadas, saídas voluntárias com indemnização segundo a lei em vigor, licenças sem vencimento, mas não se pôde despedir excedentários onde eles existiam. Foi um processo caro e ineficiente porque gestão de recursos humanos implica que quem fica e quem é convidado a sair seja escolhido com base em critérios rigorosos e bem definidos que vão ao encontro das necessidades e expectativas do empregador de acordo com a sua missão, visão e real propósito que não é seguramente empregar colaboradores. Foi o máximo que se conseguiu numa jurisdição, cultura e sociedade como a portuguesa. Contudo, de lá para cá esse número tem vindo a reduzir-se. A este ritmo, no final das legislaturas socialistas o saldo será positivo. Portugal terá mais funcionários públicos do que em 2011.

comentários mais recentes
ANTI EXCEDENTARIO 20.07.2017

Chamo a atenção do ANONIMO EXCEDENTARIO que em toda a banca ninguem é despedido, o que está corretíssimo.Se as pessoas saem de livre vontade, seja por reforma seja por acordo, tudo bem.Mas a campanha que o ANONIMO EXCEDENTARIO faz,é do despedimento puro e duro sem qualquer compensação. Está com azar

ANTI EXCEDENTARIO 20.07.2017

Anda por aqui um fanaticoANONIMO PRO EXCEDENTARIO,que é uma praga docaraças.O tipo polui tudo oque é sítio sempre com a mesma treta.Mas quando lhe colocam questões talvez menos agradaveis,o tipo dá às de"vila diogo"e não responde.E não responde pela simples razão que não é ele o autor dos comentario

Anónimo 20.07.2017

Demoraram muito tempo para fazer o que está certo. É caso para dizer que "casa roubada trancas à porta". Pode ser que ainda se safem com as massas acumuladas pela cleptocracia angolana... mas vão ter que se mexer. Isto por si só não chega. É preciso definir nova estratégia. Toda a banca mundial está em transformação profunda e acelerada e a era dos subsídios estatais e do proteccionismo provinciano está-se a acabar para os bancos.

Anónimo 20.07.2017

Bom negócio para a equipa de gestão do BPI. Saiu relativamente barato.

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