Banca & Finanças BPI vai ter perda de 182 milhões com desvalorização do kwanza

BPI vai ter perda de 182 milhões com desvalorização do kwanza

A exposição do BPI a Angola, através da sua participação no BFA, vai obrigar o banco português a registar uma perda resultante da desvalorização do kwanza. Tendo em conta dados do final de Setembro, prejuízo desta exposição era de 182 milhões, revela o prospecto da OPA do CaixaBank.
BPI vai ter perda de 182 milhões com desvalorização do kwanza
Reuters
Maria João Gago 16 de janeiro de 2017 às 21:52

O BPI vai ter de reconhecer uma perda nos seus resultados devido à desvalorização do kwanza, moeda a que a instituição está exposta por causa da sua participação no Banco de Fomento Angola (BFA). Tendo em conta o impacto contabilizado até ao final de Setembro, o prejuízo decorrente desta exposição pode ascender a 182 milhões de euros.

 

A necessidade de o BPI reconhecer esta perda na sua conta de exploração decorre do facto de o banco ir deixar de consolidar a sua participação no BFA, devido à venda de 2% desta instituição à Unitel, revela o CaixaBank no prospecto da oferta pública de aquisição (OPA) sobre o banco de Fernando Ulrich.

 

"A desvalorização do kwanza foi-se registando na conta de reservas cambiais do BPI no seu balanço consolidado, sem se reflectir nos resultados. A 30 de Setembro de 2016, os valores registados na reserva cambial do balanço consolidado ascendiam a 182 milhões de euros. No momento da desconsolidação do BPI, após a venda de 2% do BFA, os valores registados na referida reserva cambial passarão para a conta de resultados, pelo que, a 30 de Setembro de 2016, esse valor de 182 milhões de euros resultaria numa perda na conta de resultados", revela o grupo catalão.

 

Nas contas dos primeiros nove meses de 2016, o BPI não registou qualquer perda relacionada com a desvalorização da moeda angolana, uma vez que, como ainda consolidava a participação de 50,1% no BFA, pôde reconhecer esta redução de valor através de uma dedução aos seus capitais próprios.

 

No entanto, como o banco português reduziu a sua participação no BFA para 48,1% e já não vai consolidar esta exposição – para poder cumprir as exigências do Banco Central Europeu sobre o excesso de concentração de riscos em Angola –, a desvalorização da moeda angolana passa a ser feita através da conta de resultados.

 

Tendo em conta que, no final de Setembro, o BPI lucrou 182,9 milhões de euros, o reconhecimento da desvalorização do kwanza na conta de exploração (182 milhões) teria feito com que a instituição apresentasse um resultado marginalmente positivo.




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