Banca & Finanças BPN já custou ao Estado 3,66 mil milhões de euros

BPN já custou ao Estado 3,66 mil milhões de euros

No relatório sobre o acompanhamento da execução orçamental da Administração Central em 2016, o TdC aponta que apenas no ano passado o BPN agravou o seu peso nas contas públicas em 420 milhões de euros, valores provisórios.
BPN já custou ao Estado 3,66 mil milhões de euros
Bruno Simão/Negócios
Lusa 12 de junho de 2017 às 15:05

O custo acumulado da nacionalização do Banco Português de Negócios (BPN) para o Estado continuou a subir e no final de 2016 ultrapassava os 3,66 mil milhões de euros, segundo um relatório divulgado hoje pelo Tribunal de Contas (TdC).

 

No relatório sobre o acompanhamento da execução orçamental da Administração Central em 2016, o TdC aponta que apenas no ano passado o BPN agravou o seu peso nas contas públicas em 420 milhões de euros, valores provisórios.

 

No final de 2016, o saldo acumulado das receitas e despesas orçamentais decorrentes da nacionalização e reprivatização do BPN e da constituição e funcionamento das respectivas sociedades-veículo Parvalorem, Parups e Parparticipadas ascendia a -3,66 mil milhões de euros.

 

Este valor resulta do saldo negativo acumulado dos anos anteriores: 735,8 milhões de euros em 2011, 966,4 milhões em 2012, 468 milhões em 2013, 476,6 milhões em 2014 e 593,9 milhões em 2015 e 420 milhões no ano passado.

 

A factura do BPN para o Estado ainda pode continuar a subir, até porque o tribunal ainda não tem dados de 2016 da Parvalorem, da Parups e da Participadas - as sociedades-veículo criadas para gerir os activos do banco considerados tóxicos -, que em 2015 apresentavam capitais próprios negativos que totalizavam 2.200,7 milhões de euros, "encargos que poderão vir a ser suportados pelo Estado no futuro".

 

A nacionalização do Banco Português de Negócios (BPN) em 2008 foi a primeira em Portugal depois de 1975 e a queda do banco deu origem a vários processos judiciais.

 

Quatro anos depois de ter sido posto sob a gestão da Caixa Geral de Depósitos (CGD), o BPN foi vendido ao Banco BIC Português, entidade de capitais luso-angolanos.

 


A sua opinião28
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Anónimo Há 1 semana

Países avançados, com economias desenvolvidas e políticos sérios, usam excedentes comuns que são públicos, do Estado e por isso de todos os cidadãos nacionais, para constituir Fundos de Riqueza Soberanos que sirvam como um garante de equidade e sustentabilidade futura. Em Portugal não só não se colocam esses recursos a salvo dos gangsters da banca, dos sindicatos defensores do excedentarismo de carreira e da corrupção política, como se entrega diligentemente o ouro aos bandidos. E assim se acumula dívida e mais dívida para satisfazer os caprichos iníquos e insustentáveis de uns, que é colocada em nome de todos, inclusivamente dos seus filhos menores de idade...

comentários mais recentes
O PSD devia secar os eucaliptos infil. que o secam Há 1 semana

Não foram buscar o dinheiro e vivem feliz,na minha aldeia tento um ladrão do BPN e é PSD e ainda tem a lata que quer os votos no PSD? Sem vergonha sr. passos coelho.

Joao Guimaraes Há 1 semana

Pois! O engraçado é que mesmo que venham a prender alguns cadáveres para satisfazer o povo, não está previsto nem faz parte da "justiça" reaver os bens e activos roubados. Aqui, como em muitos países do 3º Mundo, o roubo compensa largamente....

Anónimo Há 1 semana

Este país tem gente a mais a ganhar demais face ao valor que criará, cria ou criou. Não são portanto de estranhar as falências cíclicas do país, a sua constante dependência e as crises que ele vive.

Anónimo Há 1 semana

Como é que se paga todo o excedentarismo e sobrepagamento em organizações como as da banca de retalho? Com recurso a artimanhas como rendas abusivas, subsídios, isenções discricionárias, proteccionismo mafioso e portanto, com recurso à criação de um mercado completamente distorcido. Quem perde são os consumidores, os investidores e os contribuintes.

ver mais comentários
pub
pub
pub
pub