Banca & Finanças Bruxelas confirma que Domingues também negociou recapitalização da Caixa antes de ser presidente do banco

Bruxelas confirma que Domingues também negociou recapitalização da Caixa antes de ser presidente do banco

A revelação foi feita aos eurodeputados eleitos do PSD/PPE que desafiam António Costa a explicar esta situação. José Manuel Fernandes quer saber por que motivo o primeiro-ministro designou um administrador do BPI para tratar da recapitalização da Caixa.
Bruxelas confirma que Domingues também negociou recapitalização da Caixa antes de ser presidente do banco
Miguel Baltazar
Marta Moitinho Oliveira 23 de Novembro de 2016 às 19:05
O presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) participou em reuniões com a Comissão Europeia no âmbito do processo de recapitalização da Caixa antes de assumir a liderança do banco público, confirmou Bruxelas aos eurodeputados portugueses em representação do PSD. O Banco Central Europeu também manteve contactos com António Domingues. 

"O novo plano de actividades para a CGD foi apresentado à Comissão pelas autoridades portuguesas, que também consideraram necessário que o então futuro conselho de administração da CGD (que, entretanto, foi nomeado) participasse em algumas das reuniões e fosse informado sobre requisitos em matéria de auxílios estatais", lê-se na resposta da comissária Margrethe Vestager, disponibilizada pelos eurodeputados do PSD. Pela resposta não é possível saber em que reuniões esteve Domingues.

"Também a Presidente da Supervisão do BCE, Danièle Nouy, confirmou que esteve com Domingues numa ida sua à uma conferência a Lisboa (em Maio) a pedido do próprio e que também esteve com ele na sede do BCE em Frankfurt", lê-se no comunicado enviado à imprensa pelos eurodeputados.

"Estes dados novos foram revelados pela presidente em resposta a uma questão oral colocada pelo Deputado José Manuel Fernandes no dia 9 de Novembro de 2016, no Parlamento Europeu", explicam.

"Em causa estão reuniões que António Domingues teve com a Presidente da Supervisão do BCE e com a Comissão Europeia sobre a recapitalização da CGD quando ainda era quadro do BPI", constatam os eurodeputados. O BPI comunicou a saída de Domingues a 30 de Maio. A sua entrada na Caixa foi a 31 de Agosto. 

A comissária europeia adianta que os primeiros contactos do Governo português para a recapitalização do banco começaram em Abril de 2016 e lembra que os interlocutores oficiais são os estados-membros, que têm a faculdade de escolher quem representa o Governo nas reuniões.  

"As autoridades portuguesas contactaram, primeiro, a Comissão sobre uma eventual nova recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD) em Abril de 2016, a fim de assegurar que a recapitalização não constitui um auxílio estatal", explica Margrethe Vestager. "A Comissão recorda que, nos procedimentos em matéria de auxílios estatais, os seus interlocutores oficiais são os Estados-Membros. No caso da CGD, os interlocutores da Comissão são as autoridades portuguesas. Compete às autoridades nacionais decidir quem deve estar presente ao seu lado nas reuniões".

Esta confirmação leva os eurodeputados a questionar o primeiro-ministro. José Manuel Fernandes, deputado do PSD, questiona o Governo "como pôde António Costa ter indicado para representar a CGD alguém que à data ainda não tinha entrado em funções na CGD e, ainda, mais grave, era administrador executivo de um banco privado e concorrente da mesma? Não põe isso em causa as mais elementares regras de transparência e de prevenção de conflitos de interesses?"

 

Paulo Rangel desafia o líder do Executivo a dar mais esclarecimentos sobre a Caixa. "É importante que António Costa esclareça tudo, mas tudo, e de uma vez, sobre a Caixa: que papel teve ele no acordo para a isenção de obrigação de entrega da declaração de rendimentos? E agora, com esta novo esclarecimento, como mandatou alguém para negociar a recapitalização da Caixa quando esse alguém era ainda administrador de outro banco e nem sequer tinha garantido que aceitaria o futuro cargo na Caixa?"

O ministro das Finanças anunciou a 24 de Agosto que o Governo e a Comissão tinham conseguido um acordo de princípio que previa um reforço de capital no valor global de 5.160 milhões de euros, dos quais 2,7 mil milhões com injecção de dinheiro fresco e sem que seja considerada ajuda de Estado. 




A sua opinião9
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Anónimo Há 1 semana

Isto é uma vergonha nacional! E Domingues teve a coragem de chamar mentiroso a Passos quando o ex-ministro se referiu a esta questão!

comentários mais recentes
Quando nao ha assunto......va de bater na lata! Há 1 semana

A direitralha incompetente,cada dia q passa,menos razao,assuntos ou algo de util tem para dizer/oferecer aos Portugueses. Ate o diabo faltou ao anunciado encontro e mostrou nao querer nada com eles!
Resta-lhes o folhetin da estoria da CGD!Nao lhes interessa nada resolver o financiamento da CGD!

Anónimo Há 1 semana

Uma falta grave para o GOVERNADOR ser Despedido! Violacao do sigilo bancário , conflito de interesses, falta de idoneidade Domigues ser DESPEDIDO

Anónimo Há 1 semana

Rua Domingues!
Rua Centeno!
Rua Costa!
Rua Marcelo!

Anónimo Há 1 semana

Que grande vergonha e que grande filho da puutaa.
Ele e quem o escolheu ( Marcelo e o Costa Maduro)

É ir para a porta da CGD com um barrote pôr fim a esta vergonha nacional.

ver mais comentários
pub
pub
pub
pub