Banca & Finanças Bruxelas escrutina troca de dívida do Novo Banco

Bruxelas escrutina troca de dívida do Novo Banco

A Comissão Europeia vai avaliar as condições da troca de dívida do Novo Banco, antes de a operação chegar ao mercado. Bruxelas quererá garantir que há partilha de custos com os obrigacionistas. NB e BdP estão a procurar ter oferta equilibrada.
Bruxelas escrutina troca de dívida do Novo Banco
Maria João Gago 11 de junho de 2017 às 22:00
A oferta de troca de dívida do Novo Banco está a passar pelo crivo de Bruxelas, antes de poder chegar ao mercado. O Negócios sabe que as autoridades portuguesas têm estado em contacto com a Direcção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia (DGComp, na sigla inglesa) para afinar as condições finais da operação destinada a gerar 500 milhões de euros de solidez e de cujo êxito depende a concretização da venda do Novo Banco.

Formalmente, a DGComp não deverá ser chamada a pronunciar-se. No entanto, no quadro das negociações do plano de negócios que a Lone Star se vai comprometer a pôr em prática no Novo Banco, há a preocupação de assegurar que Bruxelas fica confortável com os termos de troca a propor aos investidores que têm a dívida da instituição.

Ao que Negócios apurou, as autoridades europeias quererão assegurar que as condições de oferta de troca não possam ser consideradas muito favoráveis para os investidores. Bruxelas pretenderá garantir que a operação permite que os obrigacionistas participem, efectivamente, nos custos da venda do Novo Banco. Ou seja, que há partilha destes encargos com os investidores.

Ao mesmo tempo, tanto o Novo Banco como o Banco de Portugal querem acautelar que as condições de troca não são demasiado agressivas para os detentores da dívida. O que, no limite, poderia pôr em causa o sucesso da oferta e, consequentemente, a concretização da venda da instituição à gestora norte-americana de "private equity".

Para encontrar um ponto de equilíbrio entre a necessidade de garantir a partilha de encargos ("burden sharing") reclamada por Bruxelas e a atractividade da oferta de troca indispensável ao seu sucesso, os assessores financeiros estão a testar diversas estratégias de abordagem aos investidores. Este exercício é imprescindível para que o sindicato de bancos internacionais contratado pelo Novo Banco  – Mediobanca, Deutsche Bank e JP Morgan – possa acertar as condições finais da oferta a apresentar aos investidores.

Em causa estará uma proposta que pretende alterar as condições actuais das emissões de dívida do Novo Banco. É esta mudança – que pode afectar o prazo de reembolso, a taxa de juro ou o valor nominal dos títulos – que vai permitir gerar a folga de solidez de 500 milhões. Uma almofada destinada a reduzir a probabilidade de o Estado, através do Fundo de Resolução, ter de injectar mais dinheiro no  Novo Banco.

Elisa Ferreira aposta na venda

"Acredito completamente que a assinatura vai ser cumprida". Foi desta forma que Elisa Ferreira, administradora do Banco de Portugal com o pelouro da supervisão, manifestou confiança na concretização da venda do Novo Banco à Lone Star, o que pressupõe o sucesso da oferta de troca de dívida. Em recente entrevista à RTP, a futura vice-governadora garantiu que o Banco de Portugal não antecipa qualquer percalço que possa pôr em causa a concretização da venda da instituição. E afirmou que os prazos definidos para a troca de dívida e para o resto do processo estão a ser cumpridos.




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mais votado Anónimo Há 2 semanas

Os ofertantes de factor produtivo trabalho no mercado laboral devem perceber que quando não existe procura para o tipo de trabalho que têm para oferecer ou quando a oferta desse tipo de trabalho se expande pressionando o preço de mercado para baixo, o Estado, a economia e sociedade não têm a obrigação de se deixarem pilhar para lhes oferecer um tão generoso quanto irrealista nível de vida ambicionado, baseado em expectativas exageradas e fantasiosas. Em alternativa, esses ofertantes até ai tomados por um falso sentido de auto-elegibilidade que o respectivo sindicato ou ego corrompido lhes incute, devem estar dispostos a oferecer trabalho com real procura mesmo que o seu preço de mercado esteja abaixo das suas expectativas pessoais e a criar propriedade intelectual, a empreender ou investir obtendo por essas vias royalties, lucros, mais-valias, dividendos, rendas e juros.

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Anónimo Há 2 semanas

Este país tem gente a mais a ganhar demais face ao valor que criará, cria ou criou. Não são portanto de estranhar as falências cíclicas do país, a sua constante dependência e as crises que ele vive.

Anónimo Há 2 semanas

Os cidadãos portugueses que se interessam pela actualidade económica e o investimento, e que não são assalariados de um banco nem do sector público, não percebem que todo o dinheiro que o Estado empatou a salvar bancários de bancos insolventes do sector privado e funcionários públicos excedentários poderia ter sido posto a salvo desses amigos do alheio e aplicado num Fundo Soberano como o que a Noruega, Singapura, Hong Kong, Coreia do Sul, Austrália, Irlanda, Chile, etc. têm, obtendo potenciais retornos sobre o investimento muito mais elevados e contribuindo para a sustentabilidade desse mesmo Estado de uma forma justa e equilibrada?

Anónimo Há 2 semanas

Como é que se paga todo o excedentarismo e sobrepagamento em organizações como as da banca de retalho? Com recurso a artimanhas como rendas abusivas, subsídios, isenções discricionárias, proteccionismo mafioso e portanto, com recurso à criação de um mercado completamente distorcido. Quem perde são os consumidores, os investidores e os contribuintes.

Anónimo Há 2 semanas

Os ofertantes de factor produtivo trabalho no mercado laboral devem perceber que quando não existe procura para o tipo de trabalho que têm para oferecer ou quando a oferta desse tipo de trabalho se expande pressionando o preço de mercado para baixo, o Estado, a economia e sociedade não têm a obrigação de se deixarem pilhar para lhes oferecer um tão generoso quanto irrealista nível de vida ambicionado, baseado em expectativas exageradas e fantasiosas. Em alternativa, esses ofertantes até ai tomados por um falso sentido de auto-elegibilidade que o respectivo sindicato ou ego corrompido lhes incute, devem estar dispostos a oferecer trabalho com real procura mesmo que o seu preço de mercado esteja abaixo das suas expectativas pessoais e a criar propriedade intelectual, a empreender ou investir obtendo por essas vias royalties, lucros, mais-valias, dividendos, rendas e juros.

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