Banca & Finanças Caixa deixa de pagar subsídio de refeição nos dias de férias

Caixa deixa de pagar subsídio de refeição nos dias de férias

Até aqui, os funcionários da CGD recebiam o subsídio de alimentação, de 11,10 euros por dia, ao longo de 12 meses. Com a reestruturação em curso, a administração de Paulo Macedo deixa de atribuir subsídio nos dias de férias.
Caixa deixa de pagar subsídio de refeição nos dias de férias
Miguel Baltazar
Diogo Cavaleiro 20 de abril de 2017 às 13:14

A Caixa Geral de Depósitos vai reduzir o subsídio de refeição dos seus trabalhadores em Portugal, avançou a revista Sábado. O banco público sob o comando de Paulo Macedo (na foto) vai deixar de atribuir este subsídio nos 25 dias de férias aos quase 9 mil trabalhadores da actividade nacional, o que acontecia até aqui. 

 

"A partir de Maio, (…) [deixarão] de ser processados os subsídios de refeição respeitantes às férias gozadas em cada mês", indica a nota colocada pelo banco na intranet, a que o Negócios teve igualmente acesso.

 

Até aqui, os trabalhadores da instituição financeira recebiam subsídio de refeição, no valor de 11,10 euros, nos 25 dias úteis que têm de férias. Estes dias significavam, portanto, um encargo de 277,5 euros por ano para a CGD por cada funcionário.

Agora, a administração decidiu abandonar esta prática e defende estar a alinhar-se ao Acordo de Empresa. "Este subsídio deverá ser pago por cada dia de trabalho efectivamente prestado, pelo que a Caixa irá passar a processar, ao nível das remunerações, o subsídio de refeição, nos termos daquele Acordo", continua a nota.

Com esta decisão, e tendo em conta o pagamento de impostos, a remuneração com subsídio de refeição recebida será reduzida, tendo em conta os 25 dias úteis de férias que deixam de ser pagos, em 244 euros anuais (segundo cálculos feitos pela Sábado).

 

Poupança anual de 2,45 milhões

 

Tendo em conta o plano estratégico oficial, a Caixa conta com 8.868 funcionários na actividade doméstica. Multiplicando-os pelos 277,50 euros que deixarão de ser pagos anualmente a cada trabalhador, o banco estatal chegará a uma poupança em torno de 2,46 milhões de euros.

 

A CGD tinha este regime, já que, segundo explicou fonte sindical, recebiam um salário de 21 dias por mês, sendo compensados depois com o recebimento do subsídio de refeição mesmo nos dias de férias, ao contrário do que acontece na generalidade dos serviços públicos.

 

Segundo uma nota do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo CGD, citada pela revista Sábado, está a ser preparado um recurso para os tribunais. "Após sete anos sem revisão salarial e quatro anos sem promoções, a prioridade social da CGD é cortar no subsídio de almoço", critica essa mesma nota. Aí, é convocada uma reunião nacional de delegados sindicais para 4 de Maio.
 

Após a capitalização com recurso público de 3,9 mil milhões de euros da Caixa Geral de Depósitos, a Caixa tem de implementar um plano de reestruturação onde o ajustamento da infra-estrutural operacional, tanto na rede comercial como nas áreas centrais, é um dos pilares do plano. O objectivo de redução de custos operacionais até 2020 é de 20%. Até esse ano, a intenção é reduzir em 25% o número de colaboradores na actividade nacional. 


(Notícia actualizada às 14:45 com informações sobre a nota do STEC)




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mais votado Anónimo Há 2 dias

O que é certo é que nas economias e sociedades mais desenvolvidas as organizações do sector público e privado despedem muitas dezenas de milhar de colaboradores tidos como excedentários por não serem necessários e o seu posto de trabalho não se justificar devido a grandes alterações nas condições de mercado motivadas por factores como o surgimento da competição movida por novos concorrentes, grandes avanços tecnológicos ou simples quebra na procura de um bem ou serviço. Em Portugal exige-se que o Estado continue a subsidiar emprego excedentário e carreiras fictícias que o mercado já não quer nem precisa, quer seja na banca, quer seja na administração pública, etc. A crise de equidade e sustentabilidade que se tem vivido é unicamente causada por esta incompetência, maldade e falta de seriedade promovida por capitalistas de compadrio, sindicatos radicais, políticos eleitoralistas irresponsáveis e outras associações de malfeitores que atropelam os direitos, liberdades e garantias do povo.

comentários mais recentes
Racir Há 1 dia

11, 5 euros é mais que o dobro do SA dos FPs. Não percebo!

Anónimo Há 1 dia

Até o CEO da Altice está espantado com as regras laborais portuguesas que o obrigam a pagar milhares de salários a colaboradores excedentários de que a empresa já não necessita. É o que faz não se ter dado nas orelhas dos sindicalistas mais cedo... Triste paízinho roubado descaradamente por todos os ladrões, dos maiores aos mais pequeninos.

Mr.Tuga Há 1 dia

Atendendo ao milagre economico tuga alcançado pelos geringonços e a BOA SAUDE cá do burgo e da CGD, o Toine Bost*a VAI MANDAR REPOR!

Anónimo Há 1 dia

Faz sentido, esperemos também que deixe de pagar despesas de representação aos administradores em igual período...

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