Banca & Finanças Caixa Geral de Depósitos apresenta lucros de 51,9 milhões de euros

Caixa Geral de Depósitos apresenta lucros de 51,9 milhões de euros

Após seis anos consecutivos a reportar prejuízos, a CGD chegou aos lucros em 2017, ano da capitalização. O presidente da administração, Rui Vilar, fala em “sinal visível de virar de página”.
Caixa Geral de Depósitos apresenta lucros de 51,9 milhões de euros
Diogo Cavaleiro 02 de fevereiro de 2018 às 17:58

A Caixa Geral de Depósitos registou um lucro de 51,9 milhões de euros em 2017, anunciou Rui Vilar, presidente da administração da instituição financeira. No ano anterior, o banco público tinha apresentado um resultado líquido negativo de 1.859 milhões de euros, motivado pelas imparidades de 3.000 milhões que foram constituídas antes da capitalização estatal.

O regresso aos resultados líquidos positivos antecipa em um ano aquilo que estava acordo pelo Estado português e a Comissão Europeia.

 

Segundo o comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a actividade doméstica continua a apresentar perdas, com resultado líquido negativo de 175,9 milhões de euros, enquanto a actividade internacional apurou lucros de 227,8 milhões de euros.

 

Em termos consolidados, a margem financeira do banco comandado por Paulo Macedo disparou 19% para 1.241 milhões de euros no ano passado, em termos homólogos, um resultado que se deve à redução do custo dos depósitos e ao cancelamento dos CoCos.

 

Já as comissões bancárias cresceram 3% para 464,9 milhões de euros, ainda que Paulo Macedo refira que "a Caixa ainda não recuperou os níveis de cobrança de comissões de 2015". 

Operações financeiras impulsionam

 

Os resultados de operações financeiras deram um grande impulso aos lucros, já que passaram de 77 milhões em 2016 para 216 milhões de euros no ano passado. "Os ganhos reflectem sobretudo a trajectória positiva dos instrumentos derivados, na sequência da adequada gestão de instrumentos de cobertura de risco e da evolução das taxas de juro".

 

O produto bancário ficou em 1.965 milhões de euros, 38% acima do período homólogo.

 

Já os custos recuaram 5,6% para 1.103 milhões de euros, incluindo custos com pessoal e com quebra de gastos gerais. 

 

As provisões e imparidades afundaram: em 2016 tinham sido de 2.999 milhões de euros para, em 2017, se fixarem em 677 milhões de euros. Uma quebra de 77%. Em causa estão as provisões para vendas de actividades internacionais e ainda os encargos com os programas de diminuição de pessoal. 

 

Em termos de capital, a CGD apresentou um rácio Common Equity Tier 1 [que mede o peso dos melhores fundos] de 14%, acima dos 12,1% do final de Dezembro.

 

Queda nos depósitos e nos créditos

 

Os depósitos de clientes caíram 4,6%, sobretudo na actividade internacional. Em Portugal, a CGD conta com 42.319 milhões de depósitos. De qualquer forma, e seguindo uma tendência geral na banca, aumentaram em 8,5% os recursos fora de balanço, sobretudo fundos de investimentos e Obrigações do Tesouro Rendimento Variável (OTRV).

 

Em Portugal, o crédito cedeu 7,9% para 48.779 milhões de euros, com quebras nas empresas (-14%) e nos particulares (-4,5%).

 

O rácio de exposições não rentáveis (NPE) passou de 12,1% em 2016 para 9,3% no ano passado.

 

 

(notícia actualizada às 18:23)




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mais votado Fogo de palha intenso, mas de fôlego curto Há 3 semanas

1-Parabéns Dr.Macedo e todos os que trabalham na Caixa, pelo simbolismo dos lucros obtidos, e votos para que continuem e progridam no futuro.
2-Votos, também, para que, os aumentos registados nas comissões,
mais do que uma draconiana elevação dos objetivos comerciais fixados à rede de vendas,
resultem de uma maior procura dos clientes,
sem serem pressionados para comprarem mais e mais,
mas antes porque reconhecem por si próprios um aumento da qualidade e da diversidade dos produtos que a Caixa lhes oferece.
Passar como bola para a rede de vendas o objetivo de aumentar as vendas,
pode ser um fogo de palha intenso, mas inevitavelmente de fôlego curto.
A longo prazo o mais importante é que o incremento das vendas perdure,
e tal só poderá ser resultado de um deliberado esforço no presente
para aumentar a qualidade dos produtos no futuro,
tomando como desiderato atingir padrões que hoje são bitola lá fora.
Os clientes merecem-no,
e o capital humano da Caixa, permite-o.

comentários mais recentes
Vira, vira, homem do leme… Há 2 semanas

Olha que há tempestade forte pela frente e recifes perigosos.

Põe a nau no rumo certo e prà frente rumo ao futuro

Cuidado Caixeiros: Satisfação, sim; Euforia, não Há 2 semanas

Os resultados da Caixa serão motivos de satisfação:
para Vocês, em termos de segurança para o futuro,
para os Clientes, em termos de esperança por melhores dias;
para os Politicos, em termos de deixarem de serem constantemente açoitados devido aos dramas da Vossa Casa.
Mas cuidado, Caixeiros, o amanhecer ainda não rompeu na Caixa,
e por vezes a noite é ainda mais escura antes do romper da aurora.
Reparai que o lucro que tanta satisfação deu a todos,
não deixa de ser resultado de 2 decisões melindrosas:
-Redução do que é pago aos Depositantes, numa altura em que é desesperadamente necessário incentivar a poupança em ordem a que as famílias e o País salvaguardem o seu futuro;
-Não redução significativa do grau do crédito mal parado, não provisionado.
Portanto:
Satisfação, sim, a que provavelmente todos os Portugueses, clientes ou não clientes da Caixa, se associam;
Mas euforia não, pois uma andorinha ainda não faz a Primavera.

RE: LUCROS DE SANGUE Há 2 semanas

No céu cinzento sob o astro mudo
Batendo as asas pela noite calada
Vêm em bandos com pés de veludo
Chupar o sangue fresco da manada

Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

A toda a parte chegam os vampiros
Poisam nos prédios poisam nas calçadas
Trazem no ventre despojos antigos
Mas nada os prende às vidas acabadas

São os mordomos do universo todo
Senhores à força mandadores sem lei
Enchem as tulhas bebem vinho novo
Dançam a ronda no pinhal do rei

Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

No chão do medo tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos na noite abafada
Jazem nos fossos vítimas dum credo
E não se esgota o sangue da manada

Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

Os Vampiros (José Afonso)

RE: LUCROS DE SANGUE Há 2 semanas

Bem dito

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