Banca & Finanças Caixa Geral de Depósitos com prejuízo de 39 milhões

Caixa Geral de Depósitos com prejuízo de 39 milhões

Paulo Macedo afirma que os resultados do primeiro trimestre, em que houve um prejuízo de 39 milhões de euros, "estão em linha com o plano estratégico". As imparidades voltaram a subir.
Caixa Geral de Depósitos com prejuízo de 39 milhões
Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro 18 de maio de 2017 às 18:24

A Caixa Geral de Depósitos apresentou um prejuízo de 39 milhões de euros nos primeiros três meses do ano. Este resultado deve-se ao programa de rescisões que tem em curso.

 

O número registado no primeiro trimestre compara com um resultado líquido negativo de 74 milhões no mesmo período de 2016, de acordo com o comunicado de resultados apresentado esta quinta-feira, 18 de Maio.

 

O banco liderado por Paulo Macedo justifica o prejuízo devido aos "custos não recorrentes de 58 milhões de euros". Na prática, o que está aqui em causa é o "provisionamento do programa de pré-reforma e de rescisões por mútuo acordo". A instituição financeira está comprometida com a redução de 2.200 trabalhadores até 2020.

 

Segundo afirmou o presidente executivo da instituição financeira, Paulo Macedo, estes resultados "estão em linha com o plano estratégico" que foi definido aquando da capitalização da CGD, no início deste ano. O banco defende que, excluindo o custo não recorrente com o programa para pré-reformas e rescisões de 2017, o banco teria apresentado resultado líquido positivo de 3,5 milhões.

 

Produto sobe à custa do mercado

 

Em relação à margem financeira, que corresponde à diferença entre juros cobrados em créditos e juros recebidos em depósitos, a CGD apresentou uma subida homóloga de 18,4% para 326 milhões de euros, que se deve sobretudo à descida das taxas que paga nos depósitos a clientes.

 

No entanto, nas comissões líquidas cobradas aos clientes o banco público apresentou um comportamento negativo. A rubrica cedeu 3,7% para 108,7 milhões. A ajudar a CGD no primeiro trimestre estiveram as operações financeiras, onde o banco obteve 80,7 milhões, face aos quase 100 milhões de prejuízos que registara neste campo. "Este montante reflecte essencialmente os ganhos decorrentes da evolução das taxas de juro em mercado e de uma adequada gestão dos instrumentos de cobertura do risco de taxa de juro da carteira de títulos", indica o comunicado de resultados do primeiro trimestre.

 

Assim, com a soma da margem, das comissões e das operações financeiras, o produto bancário da instituição financeira chegou a 489,5 milhões de euros, mais 65,2% do que no ano anterior.

 

Já no campo dos custos, a CGD registou um encargo operacional de 345,5 milhões de euros, um avanço de 16%. Este aumento deve-se, então, ao esforço para provisionar o programa de pré-reforma.

 

As provisões e as imparidades da Caixa agravaram-se 34,6% nos primeiros três meses do ano, situando-se em 112,8 milhões de euros. 

Crédito volta a recuar

 

O crédito a clientes da CGD deslizou 5% em termos homólogos, fixando-se em 67.138 milhões de euros, com uma quebra de 13% nos créditos a empresas e de 5% nos particulares. O aumento verificado foi no sector público administrativo (50%) e nos institucionais (14%). Na comparação trimestral, os depósitos recuaram 2,3%, com quedas em todos os sectores.

 

Os depósitos a clientes avançaram em Março, quando comparados com Dezembro, ainda que ligeiramente (0,7%), atingindo os 69.838 milhões. Olhando para Março de 2016, houve uma quebra de 5% dos depósitos captados pela CGD.

 

Rácios melhoram 

 

No final do primeiro trimestre, a CGD já apresenta rácios de capital que incluem a capitalização estatal de 3,9 mil milhões de euros. O rácio que mede o peso dos melhores activos, o Common Equity Tier 1, ficou em 12,3% face a 12% do final do ano passado, seguindo as normas actualmente em vigor.

 

De acordo com as regras de regulação totalmente em vigor, o rácio CET1 situou-se em 12%, acima dos 11,8% de Dezembro. 



 

(notícia actualizada pela segunda vez às 19:00 com mais informação)




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mais votado Anónimo 18.05.2017

Despedimentos e cortes de remunerações e de bónus indecorosos nem vê-los.

comentários mais recentes
Anónimo 19.05.2017

Não acontecem reformas económicas sem despedimentos nem leis reescritas. Todos os países mais desenvolvidos fizeram ou estão a fazer essas reformas. Portugal caiu no imobilismo. A economia mundial está a crescer neste pós-crise. Portugal apanha a boleia, mas ao contrário de países com políticos sérios e visionários, não se prepara para o que vem aí.

Anónimo 19.05.2017

O produto bancário subiu em flexa, o que prova que a CGD é viável. A perda vem dos custos com as reformas antecipadas (pessoas em casa a receber ordenado até à reforma), as quais foram impostas por Bruxelas. Ora, Bruxelas manda mas quem paga são os portugueses. Mandem a conta para Bruxelas!

Anónimo 18.05.2017

ALMEIDA, para mim fica na história de uma localidade Aldeã, sem SERIEDADE,
Então, que grande Bronca, uma Câmara que é cliente de Banco Privado, Paga ao seu Pessoal Através de BANCA Privada, move, serve-se da mediocridade? dos seus munícipes para fazer política, para Prejudicar o País,

Anónimo 18.05.2017

A bolha de crédito continua a crescer, ou julgam que o milagre económico vem de Fátima?
Mais dois anos e veremos novamente o resultado. A culpa também é do Super Mário de Frankfurt.
Conheço muita gente que ainda à pouco tempo não tinha dinheiro para o café e agora já anda montada em popó novo.

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