Banca & Finanças Carlos Costa ataca Bruxelas pelas medidas impostas à banca

Carlos Costa ataca Bruxelas pelas medidas impostas à banca

O governador do Banco de Portugal criticou hoje as medidas que Bruxelas obriga os bancos a tomar quando recorrem a ajudas de Estado, por ser uma interferência sobre o sector, considerando mesmo que os países do Sul ficam prejudicados.
Carlos Costa ataca Bruxelas pelas medidas impostas à banca
Sara Matos
Lusa 01 de junho de 2017 às 14:36

"Foi uma coisa a que me opus desde sempre. Desde o primeiro dia em que entrou cá a Direção-geral da Concorrência [da Comissão Europeia] que acho ilegítimo e inadmissível que se faça política sectorial a pretexto de ajudas de Estado", disse Carlos Costa numa conferência, em Lisboa, sobre regulação e supervisão bancária.

 

Segundo o responsável pelo banco central, aquando do início da crise financeira houve apoios aos bancos "sem limites" de ajudas de Estado e só mais tarde é que começou a ser exigido um "quadro disciplinar" a essas instituições até se chegar à situação que existe hoje, em que para Bruxelas aceitar que o Estado conceda apoio financeiro aos bancos as instituições tem que proceder a reestruturações. Assim, considera Carlos Costa, há "uma política sectorial a pretexto de [imposição] de remédios".

 

O governador do Banco de Portugal disse mesmo que se mostrou contra essas exigências perante os técnicos da Direção-Geral da Concorrência.

 

Os bancos portugueses que, em 2012, recorreram a ajudas de Estado para se recapitalizarem tiveram de levar a cabo planos de reestruturação do negócio, antecipadamente aprovados por Bruxelas, o que foi o caso do privado BCP e do banco público Caixa Geral de Depósitos (CGD), com redução de dimensão nomeadamente com vendas de activos e saídas de pessoal e fecho de agências.

 

Já este ano, a recapitalização da CGD com entrada de capital directo do Estado implicou um novo plano de reestruturação do banco público que tem provocado muita contestação, desde logo pelo fecho de balcões em zonas rurais, caso da agência de Almeida (na Guarda), que levou mesmo a manifestações populares e de autarcas.

 

O presidente executivo da CGD, Paulo Macedo, esteve hoje presente nesta conferência organizada pelo Centro de Investigação em Regulação e Supervisão do Sector financeiro.

 

O Governador do Banco de Portugal considerou também hoje que as "actuais regras são um convite descarado e inadmissível para um tratamento" desigual entre o Norte e o Sul da Europa, prejudicando os países do Sul.

 

Para Carlos Costa, a "grande ameaça" actual à União Europeia "vem das regras em matérias de ajuda de Estado e em matéria de capitalização por via do 'burdenshating' [partilha de custos]", referindo que isto não o preocupa pelos caso do "problema português, pois está completamente ultrapassado".

 




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mais votado Anónimo 01.06.2017

Dívida excessiva e excedentarismo são duas faces da mesma má moeda. É preciso expulsá-la dos nossos Estados, economias e sociedades para pôr termo à grave crise de equidade e sustentabilidade que flagela a Eurozona e atrasa o processo de integração europeu.

comentários mais recentes
J. SILVA 01.06.2017

Este gestor das "célebres" offshores do BCP, só chegou a governador pela amizade com o ministro Teixeira dos Santos. Anda este crápula a avaliar a idoneidade dos gestores da banca quando a dele está ao nível da sarjeta. Esta conversa é de mafioso, já que contradiz as decisões sobre o BES e BANIF.

Anónimo 01.06.2017

As esquerdas sindicais que vêem no factor trabalho um fim em si mesmo e no sindicato o clube que fanaticamente apoiam quais tiffosi inebriados pelo keynesianismo desmiolado e o marxismo anti-capital, como se houvesse alguma distinção entre os factores produtivos a não ser aquela que advém do valor que a sua combinação consegue gerar com base na mais economicamente racional alocação dos mesmos, têm que perceber que a crise económico-social de equidade e sustentabilidade que se vive é acima de tudo culpa sua porque é com base nas profundas distorções de mercado que fomentam que outras distorções de mercado obtêm as condições para surgir e proliferar.

Anónimo 01.06.2017

Então mas vamos despedir as pessoas assim sem mais nem menos mesmo que elas já não tenham desde há muito qualquer tarefa justificável a cumprir na organização que as emprega e tem remunerado? Claro que não. Aumentem-se as comissões, as contribuições e os impostos às "não pessoas" que são os clientes ou utentes da organização e os contribuintes. O nível de vida das pessoas tem que ser salvo e mantido em elevado patamar custe lá o que custar. Haja humanidade. Tenham as pessoas em consideração. As não pessoas que paguem e não bufem.

Anónimo 01.06.2017

Nada como um "fim de mandato" para pôr a boca no trombone e contarem-se umas verdades...

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