Banca & Finanças Carlos Costa: Novo Banco é "muito importante" para o financiamento da economia portuguesa

Carlos Costa: Novo Banco é "muito importante" para o financiamento da economia portuguesa

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, disse hoje que o Novo Banco é "uma rede muito importante" para o financiamento da economia do país, manifestando a expectativa de que a venda daquela instituição seja compatível com o seu papel.
Carlos Costa: Novo Banco é "muito importante" para o financiamento da economia portuguesa
Lusa 10 de Novembro de 2016 às 14:50

Ao participar numa conferência na Universidade de Évora, Carlos Costa foi questionado por um aluno da academia alentejana sobre o ponto de situação da venda do Novo Banco, mas limitou-se a afirmar que o processo "está em curso".

 

"Sobre o Novo Banco não vou falar, como é óbvio. O que posso dizer é que é uma rede muito importante em termos de financiamento da economia e das pequenas e médias empresas", sendo esse papel "muito bem entendido por todos os que conhecem a economia portuguesa e o sistema financeiro", realçou.

 

O governador do Banco de Portugal (BdP) argumentou ainda que a expectativa existente é a de que o processo de venda do banco "seja compatível com o valor supremo que é o valor da estabilidade financeira e da continuação de financiamento da economia".

 

O novo processo de venda do Novo Banco - a instituição resultante da resolução do Banco Espírito Santo (BES) - foi aberto em Janeiro deste ano e o prazo para os interessados apresentarem propostas finais e melhoradas para a compra terminou no dia 04 deste mês.

 

Nesse dia, em comunicado, o BdP revelou ter recebido "cinco propostas no âmbito dos dois procedimentos de venda, Procedimento de Venda Estratégica e Procedimento de Venda em Mercado" e que agora serão analisadas "à luz dos critérios" dos "respectivos cadernos de encargos, divulgados no passado mês de Abril".

 

Os nomes dos candidatos não foram revelados pelo supervisor, mas, segundo a imprensa, são os bancos BCP e BPI e os fundos Apollo/Centerbridge, em parceria, e Lone Star, que apresentaram propostas no âmbito do processo de venda direta, enquanto a 'holding' China Minsheng se propõe ser accionista do Novo Banco através da opção de venda em mercado.

 

Na conferência de hoje em Évora, intitulada "A Supervisão Para Além do Supervisor", o governador do BdP respondeu igualmente a um estudante que quis saber porque é que não se pode "deixar cair um banco" em Portugal.

 

"É muito bonito deixar cair um banco, mas se tiver lá depósitos não fica contente, pois não? Se souber que os seus depósitos desapareceram da noite para o dia não fica contente. O que vai dizer é porque é que não me garantiram depósitos", retorquiu Carlos Costa.

 

Neste tipo de casos, "o custo social, o custo colectivo, é muito superior ao custo de uma intervenção" e, como "a estabilidade do sistema financeiro é um bem público de natureza superior", torna-se necessário intervir, defendeu o governador do BdP.

 

"O sistema financeiro funciona como o sistema sanguíneo. Porque é que vou intervir sobre um coágulo que está a bloquear uma artéria? O problema é que morre o doente [Se não o fizer]. Portanto, tenho que intervir", comparou.

 

O banco, explicou, "pode desaparecer", mas tem de haver "alguém que assegura a continuidade das funções, relativamente aos depositantes e ao financiamento".




A sua opinião1
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Rapaz Há 4 semanas

Novembro já chegou! Estejam atentos.

pub
pub
pub
pub