Imobiliário Casas compradas a crédito em máximos de 2011

Casas compradas a crédito em máximos de 2011

Do total de compras de habitações efectuadas entre Janeiro e Março, 41,4% foram concretizadas com recurso a financiamento.
Casas compradas a crédito em máximos de 2011
A recuperação do imobiliário continua sem travão. Nunca foram vendidas tantas casas em Portugal, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Mais de metade destas operações são realizadas a pronto. Contudo, este ano, o número de transacções efectuadas com recurso ao crédito aumentou e atingiu a percentagem mais elevada em quase seis anos.

Foram vendidos, nos primeiros três meses deste ano, 35.178 imóveis, anunciou o INE, esta sexta-feira. Estas operações totalizaram 4,31 mil milhões de euros, o valor mais elevado desde que o instituto começou a publicar estes dados, em 2009. Ora, no mesmo período, o valor das novas operações de crédito à habitação ascendeu a 1,79 mil milhões de euros, segundo os dados do Banco de Portugal. Isto significa que, do total de compras efectuadas entre Janeiro e Março, 41,4% foram concretizadas com recurso a financiamento. Trata-se da percentagem mais elevada desde o terceiro trimestre de 2011, ano marcado pela chegada da troika.

Pelo contrário, 58,6% das compras foram efectuadas a pronto. Nos últimos anos, a percentagem de imóveis comprados a pronto chegou a superar os 70% devido à postura dos bancos que fecharam a "torneira" do crédito.

O grande motor destas transacções continua a ser a Área Metropolitana de Lisboa que, sozinha, é responsável por metade do valor de todos os imóveis vendidos. As compras de casas nesta região ascenderam a 2,09 mil milhões de euros.

Por tipo de casas vendidas, a grande maioria são usadas. Quase 84% dos imóveis transaccionados eram já existentes. Trata-se também da percentagem mais elevada desde que o INE começou a recolher estes dados. Apenas 16% das casas vendidas são novas, uma percentagem que tem vindo a diminuir nos últimos anos.

Este maior dinamismo das casas em segunda-mão é também evidente na comparação com o ano anterior. O número de imóveis já existentes vendidos aumentou 23,2% face ao período homólogo, para um recorde de 29.511 habitações. As vendas de casas novas subiram 2,9% para máximos desde o quarto trimestre de 2015 (5.667 casas).

Preços das casas com subida recorde
Quanto aos preços, estes aumentaram 7,9%, no primeiro trimestre. Este crescimento no Índice de Preços da Habitação compara com o aumento homólogo de 7,6% registado nos dois trimestres anteriores, já marcados por um forte aumento dos preços. Na comparação com o último trimestre de 2016, os preços aumentaram 2,1%, sendo já o oitavo trimestre consecutivo de aumentos em cadeia nos preços. Nas habitações já existentes, o aumento de preços foi de 9,2% (igual ao do trimestre anterior), enquanto nas casas novas a subida foi de 4,2%, a mais elevada desde o primeiro trimestre de 2016.

"A aceleração dos preços no primeiro trimestre de 2017 foi inteiramente devida ao mercado dos alojamentos existentes (2,5% face a 1,2% no quarto trimestre de 2016), visto que o aumento de 0,8% dos preços dos alojamentos novos foi inferior em 0,2 pontos percentuais ao observado no trimestre transacto", diz o INE. 



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