Media Catarina Martins: "Se Altice está em condições para anunciar um dos maiores negócios de sempre, como é que está a despedir na PT?"

Catarina Martins: "Se Altice está em condições para anunciar um dos maiores negócios de sempre, como é que está a despedir na PT?"

A coordenadora do Bloco de Esquerda voltou este sábado, 15 de Julho, a atacar a Altice.
Catarina Martins: "Se Altice está em condições para anunciar um dos maiores negócios de sempre, como é que está a despedir na PT?"
Miguel Baltazar
Lusa 15 de julho de 2017 às 14:45

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, questionou este sábado, 15 de Julho, as condições financeiras da Altice para comprar a TVI ao mesmo tempo que quer despedir mais de três mil trabalhadores da PT.

Catarina Martins, que falava durante uma visita à feira da Senhora da Hora, em Matosinhos, afirmou que "um país que se leva a sério não pode permitir que isto esteja a acontecer".

Considerando que por causa deste tema o país "está a viver uma situação muito particular", lembrou que o negócio, que envolve 440 milhões de euros, "está a ser avaliado pelos reguladores".

É um negócio "que faz uma concentração de uma empresa de comunicações com a TDT, com uma distribuição de canais por cabo e com uma empresa de media que tem um canal de televisão, rádios e produção de conteúdos. Há aqui, portanto, um fenómeno de concentração que acho que merece toda a atenção e que terá toda a atenção", disse.

"Há uma pergunta que é preciso colocar em Portugal: se a Altice está em condições financeiras para anunciar um dos maiores negócios de sempre, como é que está a despedir mais de três mil trabalhadores na PT?", perguntou a responsável bloquista.

"Lembro que os despedimentos colectivos estão sujeitos a autorização do Ministério do Trabalho. Um despedimento colectivo é algo que pesa imenso a cada trabalhador e é uma injustiça para quem dedicou a sua vida e o seu trabalho à empresa, mas é também um enorme custo social para o país e para a Segurança Social", acrescentou Catarina Martins.

Perante a posição do Governo de não autorizar as demissões na PT, Catarina Martins entende que o que a Altice "está a tentar fazer é um despedimento colectivo utilizando outros estratagemas".

"Está a passar trabalhadores para outras empresas, sendo que algumas são do próprio Grupo Altice, para depois os despedir ou baixar salários. Ou seja, é uma situação, no mínimo, nas margens da legalidade", afirmou a coordenadora do BE.

"O que nós dizemos é que o mesmo Governo, e bem, que recusa o despedimento de mais de três mil trabalhadores, não pode ficar a assistir a este despedimento ser feito utilizando outros estratagemas sendo que é possível, legalmente, pará-lo", alertou.

Para a coordenadora bloquista, "há que travar já os despedimentos que a Altice quer fazer" e "Portugal não pode ser a lei da selva na legislação laboral".

Prometendo iniciativas legislativas para os próximos dias sobre o tema, Catarina Martins assegurou que o BE "está concentrado nos despedimentos da PT" e lembrou que o regulador "ainda tem uma palavra a dizer".

 




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mais votado Anónimo 16.07.2017

Em 2006 e no sector das telecomunicações, já se faziam despedimentos nas economias e sociedades mais avançadas, as que não perdem soberania, não vão à falência, não pedem resgates, não têm emigração forçada à saída da escola, não têm pobres full-time a ordenado mínimo, etc.: "France Telecom’s hair shirt may not be as uncomfortable as it appears. The French telecoms operator seems to have set itself a superhuman task in ditching 17,000 jobs. It is also to cut E2bn from its other running costs. But in spreading the cuts over three years, it looks to have given itself a handy margin for error. Take the job cuts. At below 6,000 a year, they are less ambitious than Deutsche Telekom is attempting. What’s more, they represent half the number that FT managed in 2004, the last year for which full figures are available. In 2002, FT cut three times as many. And it still has stacks of dead wood to chop out" https://www.breakingviews.com/considered-view/france-telecoms-17000-job-cuts-look-modest/

comentários mais recentes
Anónimo 17.07.2017

O factor trabalho é alocado em combinações variáveis com os factores capital e recursos para produzir da forma mais económica e eficiente bens e serviços com procura no mercado e que servem para satisfazer necessidades. Que parte desta factualidade elementar e indesmentível é que o sindicalista radical por natureza e o neoludista por profissão de fé, ainda não perceberam?

Juca 16.07.2017

Oh Catrina isto é muita areia para a tua camioneta. Só te resta fingir que defendes a classe operária, que é onde podes arranjar votos.

Anónimo 16.07.2017

Cada vez restam menos dúvidas de que o comunismo é uma doença mental.

Anónimo 16.07.2017

Os ofertantes de factor produtivo trabalho no mercado laboral devem perceber que quando não existe procura para o tipo de trabalho que têm para oferecer ou quando a oferta desse tipo de trabalho se expande pressionando o preço de mercado para baixo, o Estado, a economia e sociedade não têm a obrigação de se deixarem pilhar para lhes oferecer um tão generoso quanto irrealista nível de vida ambicionado, baseado em expectativas exageradas e fantasiosas. Em alternativa, esses ofertantes até ai tomados por um falso sentido de auto-elegibilidade que o respectivo sindicato ou ego corrompido lhes incute, devem estar dispostos a oferecer trabalho com real procura mesmo que o seu preço de mercado esteja abaixo das suas expectativas pessoais e a criar propriedade intelectual, a empreender ou investir obtendo por essas vias royalties, lucros, mais-valias, dividendos, rendas e juros.

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