Energia CDS ataca Governo por "borla fiscal" de 174 milhões para EDP

CDS ataca Governo por "borla fiscal" de 174 milhões para EDP

O CDS considerou hoje "escandalosa" a "borla fiscal" de 174 milhões de euros à EDP por ter aderido ao regime de reavaliação de activos adoptado em 2016 pelo Governo do PS.
CDS ataca Governo por "borla fiscal" de 174 milhões para EDP
Miguel Baltazar
Lusa 12 de julho de 2017 às 20:26

Esta "borla fiscal é um escândalo", afirmou a deputada do CDS Cecília Meireles aos jornalistas no parlamento, depois de se saber o cálculo, feito pela Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), que funciona junto da Assembleia da República.

 

Num relatório entregue aos deputados, a UTAO estima que a adesão da EDP ao regime facultativo de reavaliação de activos criado pelo Governo em 2016 gere um benefício fiscal acumulado de 174 milhões de euros para a eléctrica até 2026.

 

"À boleia de o Governo dizer que queria ajudar as empresas a capitalizar-se, criou este regime" e metade do valor "concentrou-se apenas numa empresa", a EDP.

 

Só a EDP, sublinhou, "vai conseguir fazer uma poupança ou ter uma borla fiscal de 174 milhões de euros nos próximos dez anos e é dinheiro que não vai entrar nos cofres do Estado".

 

Segundo a deputada do CDS, a UTAO fez "uma estimativa conservadora" e calcula que a medida "vai custar 242 milhões de euros", que é "quatro vezes mais do que o Governo tinha admitido".

 

Cecília Meireles criticou a esquerda -- PS, PCP e Bloco de Esquerda -- por terem viabilizado esta medida e considerou que estes partidos devem explicações ao país, num momento "em que tantas pequenas empresas necessitam de capitalização".

 

No mesmo relatório, a UTAO estima que o regime de reavaliação de activos criado pelo Governo em 2016 vai custar aos cofres dos Estado 242 milhões de euros, ou seja, mais 179 milhões que a estimativa avançada pelo executivo.

 

Em causa está uma medida prevista no Orçamento do Estado para 2016 (através de uma autorização legislativa) que foi vertida em lei em Novembro do ano passado e que permitiu ao Estado cobrar impostos antecipadamente as empresas aderentes entre 2016 e 2018 com a contrapartida para as empresas de pagarem menos IRC nos oito anos seguintes.

 

Em maio, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais agora demissionário disse no parlamento que, mediante determinados pressupostos, a medida iria custar 63 milhões de euros aos cofres do Estado: Rocha Andrade indicou na altura que, assumindo que as empresas que aderem ao regime têm sempre resultados positivos que lhes permitam fazer amortizações, que a taxa de IRC se mantém e que é aplicada uma taxa de desconto de 4%, Rocha Andrade avançou que "a diferença entre o valor actualizado líquido da receita encaixada e o valor actualizado líquido da despesa fiscal dá qualquer coisa como 63 milhões de euros".

 

Ou seja, 63 milhões de euros é a diferença estimado pelo Governo entre o montante de IRC que o Estado vai cobrar antecipadamente entre 2016 e 2018 e a receita deste imposto que deixará de cobrar nos oito anos seguintes.

 




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