Automóvel CEO da SIVA: "Ritmo de crescimento das vendas de automóveis não é sustentável"
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CEO da SIVA: "Ritmo de crescimento das vendas de automóveis não é sustentável"

O crescimento do turismo tem ajudado a impulsionar as vendas de automóveis, através do “rent-a-car”. O segmento sobe mais de 20% este ano, uma evolução não vai manter-se nos próximos.
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André Veríssimo e Rosário Lira

O crescimento da economia, e em particular do turismo, tem ajudado a impulsionar as vendas de automóveis, que entre Janeiro e Agosto subiram 8,6%. Pedro de Almeida prevê que no próximo ano este ritmo vá baixar.

Como é que o crescimento do PIB se está a traduzir num aumento das vendas de automóveis?

Há uma relação muito directa entre o crescimento do PIB e a estrutura do crescimento do mercado automóvel. Se nós olharmos para o PIB, a componente que mais cresce é a das exportações. E é a que está num índice mais alto face a 2018. O investimento privado também cresce, mas está num nível ainda bastante abaixo. O mercado automóvel é o reflexo disso. Uma componente das exportações é obviamente o turismo. E a componente que mais cresce no mercado automóvel é a do "rent-a-car". O mercado este ano cresceu cerca de 8% e isso são mais ou menos 12 mil carros, comparando Janeiro a Agosto deste ano com o mesmo período do ano passado. E a grande maioria desses 12 mil carros são carros do "rent-a-car".

Mas essa é uma área em que a SIVA não está a fazer uma grande aposta.

A SIVA, ao longo da sua história, sempre teve uma componente grande das suas vendas no "rent-a-car". Houve anos em que a quota de mercado da Volkswagen, por exemplo, era superior no "rent-a-car" à quota de mercado média da marca. E nós este ano, estrategicamente, decidimos reduzir o nosso envolvimento no negócio do "rent-a-car", e portanto este ano vamos ter uma quota de mercado menor no "rent-a-car" do que no mercado global.

Porquê essa aposta estratégica, se é um segmento que está a crescer?

Porque é um segmento com margens muito baixas e que tem risco. Porque os negócios do "rent-a-car" são feitos 95% em "buy-back". Ou seja, nós vendemos e recompramos. E, portanto, se nos enganarmos no valor de recompra... Só sabemos o resultado da venda passado um ano. Temos um ano de risco para perceber se o negócio dá margem ou não. Como logo à partida a margem é relativamente reduzida, corremos o risco de fazer negócios sem margem.

Isso significa que mesmo com as vendas de automóveis a retomarem os valores anteriores à crise, a rentabilidade do negócio continua ainda a ser muito mais baixa?

Continua a ser muito mais baixa. O volume claro que ajuda, mas a estrutura do mercado mudou completamente em relação a 2008. O segmento do "rent-a-car" pesava 13% no mercado total, quando se vendiam 220 mil carros, antes de 2008. Agora é 25% "rent-a-car". Além disso, no negócio das gestoras de frotas, o peso não aumentou muito, mas o poder de negociação aumentou de forma significativa. O mercado também passou a ter mais "players". Há 10 anos, as marcas "premium" estavam só nos segmentos "premium" como a Mercedes, a Audi e a BMW. Agora todas têm carros no segmento mais baixo. A concorrência também se tornou mais forte e com isso a rentabilidade tem vindo a ficar um bocadinho pior.

E o recurso dos privados ao crédito? Isso tem facilitado?

O que nós sentimos é que o recurso ao crédito agora não é um gargalo. Não há procura travada ou não satisfeita por não haver crédito. Nós não sentimos isso.

E qual é o risco deste crescimento, do seu ponto de vista? É sustentável ou não?

É sustentado no crescimento do turismo e da exportação. Sustentável acho que não, porque o "rent-a-car" tem crescido a um ritmo muito rápido. Não há números muito fiáveis, mas o que se estima é que o "rent-a-car" esteja a crescer entre 22% e 25% este ano, para um mercado que cresce 8%.

O que prevê para a frente são taxas de crescimento mais baixas?

Prevejo taxas de crescimento mais baixas, mas mais altas no segmento dos clientes individuais.

Os descontos que estão a ser feitos aos clientes particulares são hoje menores do que foram?

Não, não são menores. São é menores do que os descontos do "rent-a-car", e dos descontos às empresas, e que os descontos de frota.

Esta política de devolução de rendimentos do Governo, apostando também no consumo interno, pode ser também uma ajuda às vendas?

Deixa de ser uma restrição, também. 

Respostas rápidas 

Brasil
Grande desafio, grande saudade, grande ritmo de vida, cansativo e, como diz um amigo meu, o Brasil para os portugueses prescreve aos 50 anos; eu tenho 54, por isso aos 53 vim-me embora.

Família
Neste momento partida, porque tenho um dos filhos no Brasil, mas sempre muito unida.

Banco de Portugal
Controlador, às vezes injustamente acusado de acções que talvez não tenham sido todas da sua responsabilidade.

Uber
Bom serviço.

"Renting"
Boa alternativa para usar um carro.

Tempos livres
Futebol, Sporting, esqui na neve.

Marcelo Rebelo de Sousa
Bom Presidente.

Portugal
Grande país para viver.

)

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