Banca & Finanças CGD e BPI reforçam posição no moçambicano BCI

CGD e BPI reforçam posição no moçambicano BCI

Os dois bancos portugueses ficaram com a participação de 16% no BCI que pertencia à Insitec, do ministro moçambicano Celso Correia. O incumprimento dos créditos concedidos em 2007 obrigou à negociação daquela participação.
CGD e BPI reforçam posição no moçambicano BCI
Diogo Cavaleiro 12 de dezembro de 2017 às 18:03

A Caixa Geral de Depósitos e o Banco BPI reforçaram as respectivas posições no BCI – Banco Comercial de Investimentos. Ambos ficaram com a participação do grupo Insitec, do ministro moçambicano Celso Correia, que estava na lista de maiores devedores das duas instituições financeiras.

 

"A Caixa Geral de Depósitos, S.A. informa que passou a deter, directa e indirectamente, 61,5% do capital social do BCI-Banco Comercial e de Investimentos, S.A., reforçando a sua anterior participação de 51,0% no capital social deste banco moçambicano", assinala o grupo bancário presidido por Paulo Macedo (na foto).

 

Já o banco sob o comando de Pablo Forero explica, por sua vez, que a posição a si imputável passou de 30% para 35,67% do capital social do BCI, líder no mercado moçambicano.

 

As duas posições têm "origem na posição anteriormente detida pela Insitec Capital, S.A.", empresa que pertence ao grupo de Carlos Correia, ministro moçambicano da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural. A Insitec detinha cerca de 16% do banco.

 

Quer isto dizer que, juntos, os dois bancos têm uma participação de 97% da instituição financeira, sendo que os restantes quase 3% estão nas mãos de accionistas individuais, "maioritariamente colaboradores do BCI", e acções próprias, de acordo com o site do banco de Moçambique.

 

Nenhuma das instituições financeiras justifica, nos comunicados enviados à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), de que forma houve o aumento das participações, que atribuem uma participação conjunta de 97% no banco moçambicano.

 

Segundo noticiou o Público, em Setembro de 2016, o ministro Celso Correia estava na lista dos maiores devedores da CGD e do BPI, o que se devia ao financiamento concedido de 60 milhões (40 milhões pelo banco público, 20 milhões pela instituição controlada pelo CaixaBank) em 2007, em créditos associados à aquisição da posição que detinha no BCI.

 

O pagamento destas dívidas estava em incumprimento, o que obrigou à existência de um acordo com os bancos. Em 2015, houve um aumento de capital no BCI no qual o grupo Insitec já não participou.

 

A CGD e o BPI partilham dois acordos relativos ao BPI: um deles parassocial, que remonta a 2006, e que regula as relações entre os dois bancos naquela entidade; um outro de preferência, de 2007, que regula o "direito de preferência dado pelo grupo Insitec à CGD e BPI "em caso de alienação onerosa" da participação no BCI.




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comentários mais recentes
Anónimo Há 3 dias

A Caixa ficou com a parte do devedor num mercado em que as fragilidades são mais do que muitas. Sendo que a própria CGD está numa situação periclitante e tem indicações do BCE para alienar unidades no exterior... Não me parece que isto vá acabar bem. Nem para a CGD nem para o contribuinte português.

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