Banca & Finanças CGD rejeita salvação de imobiliária a quem emprestou 278 milhões de euros

CGD rejeita salvação de imobiliária a quem emprestou 278 milhões de euros

O banco público concluiu que não valia a pena avançar para um PER e preferiu a solvência da Birchview, mesmo depois da promotora associada ao empreendimento de luxo da Quinta do Lago ter assinado contratos promessa de compra e venda.
CGD rejeita salvação de imobiliária a quem emprestou 278 milhões de euros
Pedro Elias/Negócios
Diogo Cavaleiro 06 de fevereiro de 2017 às 16:28

A Caixa Geral de Depósitos rejeitou a recuperação da Birchview – Imobiliária, uma promotora imobiliária associada ao empreendimento de luxo da Quinta do Lago. Uma empresa que deve 278 milhões de euros ao banco público.

 

Segundo um documento publicado no portal Citius, o administrador judicial Jorge Calvete informa que "se mostra encerrada a fase das negociações sem apresentação de Plano Especial de Revitalização [PER]". Foi a instituição financeira liderada por Paulo Macedo que rejeitou a recuperação, ainda que não tenha sido possível obter explicações da Caixa.

               

A 31 de Janeiro, a empresa, o credor CGD e o administrador de insolvência reuniram-se e foi aí que o banco público transmitiu não ter condições para aprovar um processo especial de revitalização, tendo-se mostrado favorável à apresentação de insolvência, segundo indicam os documentos do processo, a que o Negócios teve acesso. A Birchview não está interessada na insolvência mas o banco público concentra a quase totalidade dos créditos reconhecidos no PER: 277,8 milhões em 279 milhões.

 

Em Dezembro, na altura do pedido de entrada em PER, processo em que se pretende chegar a um entendimento entre os credores para evitar a insolvência, o banco público mostrava-se receptivo a um acordo. Aliás, para justificar a entrada em PER, a Birchview usava a instituição financeira como argumento: "O facto de a Caixa Geral de Depósitos ter realizado uma constante e aprofundada análise de risco da requerente e ter decidido continuamente aprovar o seu financiamento comprova a normalidade da situação".

 

Nada justificava o impedimento do PER, assinalava a empresa, dizendo ter já "contratos promessa de compra e venda relativos a moradias a construir no lote" com sinais avaliados em 7,5 milhões de euros. Estes contratos teriam valores totais de venda de 40 milhões de euros. Para a totalidade do projecto, o valor total das transacções ascendia aos 309 milhões. Montantes referidos mas que não garantiram o acesso ao PER.

 

Com esta decisão da CGD, o administrador judicial vai ouvir os restantes credores, entre os quais se encontra o Estado, com impostos não pagos de 376 mil euros, mas em que não há mais nenhuma instituição financeira, de acordo com a lista de credores.

 

Segundo a informação que consta do Portal de Justiça, a Birchview é uma "promotora de investimentos no sector imobiliário, turístico e hoteleiro, a compra e venda de imóveis, e a revenda dos adquiridos para esse fim, a administração de bens móveis e imóveis, pertencentes à sociedade ou a terceiros, a gestão de patrimónios imobiliários e a construção civil", tendo como accionista a Quintaudel. A sua actividade principal consiste, sobretudo, num único projecto: o "desenvolvimento de um projecto imobiliário turístico na Quinta do Lago, designado por ‘The Keys’", o projecto que tem na Quinta do Lago.

 

De acordo com documentos que estão no PER, o contrato de financiamento entre a CGD e a Birchview foi celebrado em Maio de 2007, à altura presidida por Carlos Santos Ferreira e com Armando Vara, constituído arguido na Operação Marquês, como vice-presidente. O banco tem uma hipoteca sobre imóveis que, diz o Correio da Manhã, pertencem a três antigas sociedades "off-shore" apanhadas na investigação ao BPN. Aliás, a Procuradoria-Geral da República, com a ajuda da Polícia Judiciária, está a investigar créditos concedidos pela CGD, num período que vem desde 2000 – aliás, o mesmo período que está sob averiguação na comissão parlamentar de inquérito. 


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mais votado Anónimo 06.02.2017

PRESOS?
OH CAMARADA, NUM PAIS COM A NOSSA JUSTIÇA, SERÁ MUITO DIFÍCIL!

comentários mais recentes
PORTUGUÊS 08.02.2017

RAPAZIADA ISTO NÃO TEM NADA QUE SABER : OS NOSSOS POLÍTICOS FIZERAM UMA SOCIEDADE INVIOLÁVEL. SÓ ENTRA QUEM ELES QUEREM. PESSOAS DE BEM NÃO PODEM ENTRAR . DEMOCRACIA AH! AH! AH!... O PODER TÁ CONCENTRADO NA ESCÓRIA DA SOCIEDADE. AGORA GRITO ALTO : QUE FAZER ??????? SERÁ QUE ESTAMOS CONDENADOS ?

Anónimo 08.02.2017

Até que enfim... Alguém menciona o ponto mais importante. Indiquem quem autorizou os créditos e caso haja indício evidente de favor deve ser julgado e preso. Mas está visto que o Governo não está para aí voltado. Porquê?

Dão o credito 08.02.2017

Ficam com parte, tudo MAMA

P1958 08.02.2017

Não se devem fazer julgamentos precipitados quando não se tem conhecimento de todos os factos. Mas que tudo aparenta ser muito estranho, dúvidas não há. O que mais surpreende é que nada seja verdadeiramente apurado neste país, cujo sistema de justiça se apressa a condenar a pena de prisão efetiva um tal Coelho da Madeira (desgraçado) por ter apelidado de agente da CIA (tamanha ofensa!) um tal de Garcia Pereira, mas que pouco ou nada investiga nestes casos de peixe mais graúdo. É caso para dizer: coitado do Coelho e de todos nós.

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