Empresas Chineses têm uma mão cheia de gestores para escolher em Portugal

Chineses têm uma mão cheia de gestores para escolher em Portugal

EDP, EDP Renováveis, BCP, REN, e Luz Saúde – todas dominadas por capitais chineses – escolhem nova administração este ano. Nos bastidores, o jogo de cadeiras já começou.

No grupo de empresas cotadas, são os chineses que este ano terão a tarefa mais difícil. Têm de nomear novas administrações em cinco cotadas, quatro delas integrantes do PSI-20.

Só na energia são três as companhias que terão este ano assembleias-gerais electivas: EDP, EDP Renováveis e REN. Possíveis mudanças têm sido noticiadas na EDP, já tendo havido artigos a falar da saída de António Mexia, que é o presidente executivo do PSI-20 há mais tempo nessas funções.

António Mexia está na EDP desde 2006. Ou seja, fará este ano 12 anos à frente da eléctrica. O mandato terminou em Dezembro, mês em que o Público noticiou que, ao contrário do que tinha sido noticiado, Mexia poderia ver o mandato renovado.

O seu lugar foi questionado em 2017, depois de ter sido constituído arguido pelo Ministério Público, na investigação às alegadas rendas excessivas na energia. Nessa altura, o conselho geral e de supervisão da EDP mostrou solidariedade total à gestão e Mexia garantiu que não se demitia, para que não houvesse dúvidas da inocência.

Mas agora os accionistas – os chineses detêm 24,37% dos direitos de voto (através da China Three Gorges e da CNIC) – têm de decidir se reconduzem para novo mandato, o que colocaria António Mexia à frente da eléctrica até 2020. A assembleia-geral electiva está já prevista para 5 de Abril.

Também João Manso Neto que é administrador da EDP, mas preside à EDP Renováveis, participada para as energias verdes, tem os seus mandatos a chegar ao fim. A Renováveis é detida em 82,6% pela EDP, que em 2017 tentou retirar a empresa de bolsa com o lançamento de uma oferta pública de aquisição (OPA), mas não foi bem-sucedida.

Ainda no sector eléctrico, é da China também que depende a nomeação da REN. A gestora de infra-estruturas, liderada por Rodrigo Costa, é detida em 25% pela State Grid e a Fidelidade detém mais 5,3%.

A Fosun é, aliás, um dos accionistas que mais trabalho de nomeação tem este ano. Além de participar na escolha dos gestores da REN, tem ainda de nomear novo conselho na Luz Saúde, que tem tido Isabel Vaz como a presidente inamovível.

Mas é na banca que a palavra maior tem de ser jogada. O BCP tem este ano assembleia-geral electiva. Nuno Amado foi escolhido em 2012 pela Sonangol para liderar o maior banco privado. Mas em Angola os ventos mudaram  e quer a nova administração da Sonangol, presidida por Carlos Saturnino, quer o novo Governo, liderado por João Lourenço, não consideram o investimento no BCP estratégico nem prioritário. O que, aliás, levou a que deixassem expirar o prazo a que estavam autorizados para reforçar a sua posição no banco sem o terem feito. A Sonangol detém 15,24% da instituição financeira e tinha autorização para reforçar a sua posição acima dos 20% até 16 de Dezembro. Não reforçou. A Fosun é assim o accionista controlador com 25,16% do banco.

São os chineses que têm mais empresas para nomear, mas são também estes accionistas que têm as tarefas mais difíceis, já que no resto das cotadas cujos mandatos terminaram no final do ano não há nos bastidores jogos de poderes.

Em 2019, a dança de cadeiras vai continuar. Nas cotadas, além destas 14 sociedades (sendo nove de empresas do PSI-20) que elegem novos administradores este ano, há outras 11 que terminam no final do ano os respectivos mandatos, sendo quatro do PSI-20 (Galp, Nos, Sonae e Navigator). Mas aí as assembleias electivas só acontecerão no próximo ano.


Montepio: um mandato que deverá terminar mais cedo

José Félix Morgado tem mandato para presidir ao conselho de administração do Montepio até ao final deste ano, mas a sua saída, juntamente com a equipa, deverá ocorrer antes disso. Aliás, a accionista da caixa económica, a associação mutualista, já colocou em cima da mesa o nome do seu substituto: Nuno Mota Pinto.

Félix Morgado saiu da Inapa no Verão de 2015 em direcção à instituição financeira quando o Banco de Portugal, no rescaldo da queda do BES, obrigou à separação face à casa-mãe. Tomás Correia saiu da caixa, ficando na mutualista. O que lhe dá poderes para, agora, determinar a saída do seu sucessor, o que poderá custar 400 mil euros.

Foi o que a associação fez quando anunciou que pretende alterar os estatutos da caixa e mudar a presidência. Segundo escreveu o Expresso este fim-de-semana, o objectivo não está, contudo, facilitado: a mutualista já apresentou junto dos serviços do Banco de Portugal seis propostas informais para a mudança de estatutos da caixa económica, nenhuma delas aceite. É aí que estará consagrada a nova organização da instituição financeira, com os novos órgãos sociais. Só depois disso poderá avançar a nomeação dos novos administradores.




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