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Chineses da Three Gorges ganham privatização da EDP (act2)
22 Dezembro 2011, 14:16 por Celso Filipe | cfilipe@negocios.pt
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O Governo decidiu vender aos chineses da Three Gorges a posição de 21,35% do Estado português na EDP, apurou o Negócios. A decisão já foi confirmada.
O Governo vai anunciar esta tarde que os chineses da Three Gorges foram os escolhidos para comprar a posição de 21,35% do Estado português na EDP, apurou o Negócios em primeira-mão.

A decisão já foi confirmada pela parpública, que em comunicado à CMVM justifica a escolha "atendendo ao maior mérito da respetiva proposta

vinculativa apresentada em 9 de dezembro, a qual observa, em termos que satisfazem adequadamente o Governo, os critérios de seleção".

A Parpública adianta que "alienação será efetuada pelo preço global de 2.693.186.548 euros, incorporando um prémio de 53,6% em relação ao preço de mercado no dia 21 de dezembro".

O processo depende agora apenas de uma negociação final de alguns pormenores. Se a negociação final correr de feição para ambas as partes, a decisão definitiva será confirmada pelo Conselho de Ministros. Se a negociação falhar, então o concorrente preferido ("prefered bidder") sai de cena e o Governo chama o segunda da sua lista.

Esta negociação final deverá respeitar apenas a detalhes da proposta, pelo que a decisão final deverá apenas formalizar esta primeira escolha.

Os chineses manifestaram a intenção de criar uma fábrica de turbinas eólicas em Portugal, gerando cerca de 500 milhões de euros anuais em exportações e servir de ponte para a EDP se financiar em Hong Kong.

A empresa garante dois mil milhões de euros de financiamento à EDP, e outros 2 mil milhões por garantir e estão interessados em comprar posições em activos eólicos da EDP.

O Governo recebeu quatro propostas para a venda de 21,35% da EDP: a dos brasileiros da Eletrobras, a dos também brasileiros da Cemig, a dos alemães da E.ON e a dos chineses da Three Gorges. A proposta mais elevada, em preço, havia sido a dos chineses, de 3,45 euros por acção, o que representa um total de 2,7 mil milhões de euros pela participação e incorpora um prémio de cerca de 50% face ao fecho de ontem. Os brasileiros da Eletrobras haviam proposto 3,28 euros por acção e os alemães da E.ON haviam oferecido 3,25 euros por acção. Já a proposta da Cemig era a menor de todas.

As propostas foram, no entanto, muito além do preço oferecido ao Estado, envolvendo outras contrapartidas para a empresa e para o seu projecto industrial.

Esta privatização da EDP deixa no Estado ainda uma fatia de 4% da empresa eléctrica, que não pôde já ser vendida por estar "presa" a obrigações permutáveis. No entanto, o Estado deverá vender esses últimos 4% durante o próximo ano, o que deixará a EDP em mãos totalmente privadas.

Além de ser a mais valiosa privatização, a venda da EDP é também o maior negócio do ano em Portugal.

(Notícia actualizada com comunicado da Parpública)


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