Telecomunicações CMVM nomeia auditor independente para decidir preço na OPA da Media Capital

CMVM nomeia auditor independente para decidir preço na OPA da Media Capital

O regulador diz que a contrapartida fixada com base na liquidez apresenta "falta de equidade" e que é impossível "determinar a contrapartida por recurso aos critérios referidos" no n.º 1 do artigo 188.º do Código dos Valores Mobiliários.
CMVM nomeia auditor independente para decidir preço na OPA da Media Capital
Miguel Baltazar
Paulo Zacarias Gomes 28 de agosto de 2017 às 10:15

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) anunciou a nomeação de um auditor independente para fixar a contrapartida mínima da oferta pública de aquisição (OPA) lançada pela Meo sobre o Grupo Media Capital.

Em comunicado desta segunda-feira, 28 de Agosto, a CMVM justifica a decisão com o facto de a liquidez reduzida das acções da dona da TVI fazer "presumir, por si só, a falta de equidade da contrapartida fixada com base nesses valores".

E "pelo facto de o preço mais elevado, de acordo com a 'melhor estimativa' do oferente à data do anúncio preliminar, vir a ser fixado mediante acordo entre o adquirente e o alienante, através de negociação particular", o que leva a CMVM a concluir que é impossível "determinar a contrapartida por recurso aos critérios referidos" no n.º 1 do artigo 188.º do Código dos Valores Mobiliários.

Este artigo determina que a contrapartida da OPA não pode ser menor do que o valor mais elevado destes montantes: o maior preço pago pelo oferente pela compra de valores mobiliários da mesma categoria, nos seis meses antes da publicação do anúncio preliminar da oferta, ou o preço médio ponderado desses valores mobiliários apurado em mercado regulamentado durante os mesmos seis meses.

Por essa razão a CMVM diz ter pedido à Ordem dos Revisores Oficiais de Contas a nomeação de auditor independente para fixação da contrapartida mínima, uma forma também de proteger os pequenos accionistas.


A Meo ofereceu 2,5546 euros por acção no âmbito da operação lançada sobre a dona da TVI, um valor que a 11 de Agosto a administração da empresa tinha considerado "adequado", mas que, por corresponder ao valor mínimo "fixado na regulamentação para ofertas públicas de aquisição obrigatórias", tem espaço para ser melhorado.

A Meo anunciou a 14 de Julho a compra da Media Capital por 440 milhões de euros, no âmbito de um acordo para a compra à Prisa de 100% da Vertix, que por sua vez detém 94,69% da Media Capital. Três dias depois a a CMVM pediu à Altice cópia do contrato celebrado com a Prisa, como é o procedimento habitual nestas situações, apurou na altura o Negócios.

A empresa liderada por Patrick Drahi anunciou ainda o lançamento de uma OPA sobre o remanescente das acções da Media Capital (cerca de 4,5 milhões de títulos, representativos de 5,31% do capital) a 2,5546 euros por acção, o que coloca o valor a despender em cerca de 11,5 milhões de euros.

No passado dia 21 a aquisição deu novo passo, com a operação de concentração da Meo com a Media Capital a ser notificada à Autoridade da Concorrência.

Na última sessão em que as acções da Media Capital negociaram em bolsa, no passado dia 17, cada título fechou o dia a valer 3,5 euros, após uma queda de 3,58%. As acções da Altice (dona da Meo) sobem 0,46% para 18,745 euros em Amesterdão.

(notícia actualizada às 10:32 com mais informação)




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comentários mais recentes
Já não Há Mentira que Pegue Há 3 semanas

Independente ? De Quem ? De Quê ? Esta nova forma de Enganar as Pessoas, com nomes como Independente, Tem Tanto de engraçado, como de Insultuoso para as Pessoas.

Anónimo Há 3 semanas

Devia nomear alguém para inquirir o emprestimo de €43 milhões do BES à Aquapura do Mexia e que foi pelos ares! O DDT encheu os bolsos e o BES ficou a arder.

Anónimo Há 3 semanas

Estupefacto. Então a CMVM não tem de cumprir a lei? Ou então a notícia está mal explicada.

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