Banca & Finanças CMVM acrescenta um auditor à estranha história das OPA à Cipan

CMVM acrescenta um auditor à estranha história das OPA à Cipan

O preço que o grupo espanhol quer pagar pelo capital que não tem da Cipan, 14 cêntimos, pode não ser equitativo para os outros accionistas. Um auditor vai definir o preço. Mas continua outra OPA, vinda dos EUA, a decorrer a 45 cêntimos.
CMVM acrescenta um auditor à estranha história das OPA à Cipan
Correio da Manhã
Diogo Cavaleiro 04 de Outubro de 2016 às 11:47

A estranha história das duas OPA à Cipan não se fica por aqui. A oferta a 45 cêntimos, lançada por um accionista que tem 2% e quer chegar aos 10% da empresa que fabrica produtos activos para a indústria farmacêutica, segue o seu caminho. Contudo, a oferta vinda de Espanha, do accionista que comprou 85% da mesma Cipan e que pode chegar aos 100%, poderá já não ser a 14 cêntimos. É um auditor externo que vai decidir o preço a pagar.

 

"A CMVM informa que solicitou, nesta data, à Ordem dos Revisores Oficiais de Contas a nomeação de auditor independente para fixação da contrapartida mínima a oferecer na OPA obrigatória sobre as acções representativas do capital social da Cipan – Companhia Industrial Produtora Antibióticos, SA preliminarmente anunciada a 23 de Setembro de 2016", assinala um comunicado da autoridade presidida por Carlos Tavares.

 

A Cipan é uma empresa que está cotada na Easynext, um mercado não regulamentado gerido pela Euronext, em que a liquidez é reduzida (apenas 14,63% do capital está disperso por accionistas).

 

O detentor dos 85,37% do capital da Cipan era a Atral-Cipan, empresa do fundador Sebastião Alves, mas houve negociações para a venda da empresa que fabrica os produtos farmacêuticos activos. Um dos grupos que negociou a aquisição foi o americano Chartwell Pharmaceuticals mas não houve acordo. O entendimento chegou posteriormente com a Lusosuan, controlada pela espanhola Suan Farma. A compra da participação maioritária foi feita a 14 cêntimos por acção. 2,9 milhões no seu todo.

 

Como passou a ter 85,37% da Cipan, a Lusosuan foi obrigada a lançar uma OPA pelo restante capital. E o preço aí oferecido foi 14 cêntimos. Só que, justifica a CMVM, não há garantias de justiça nesta contrapartida para os outros accionistas.

 

Os motivos para a auditoria

 

A deliberação da entidade liderada por Carlos Tavares de nomear um auditor independente para calcular o preço da OPA "assenta na impossibilidade de determinar a contrapartida por recurso ao critério referido no n.º 1, alínea b) do artigo 188.º do Código dos Valores Mobiliários, atento o facto de as acções da Cipan – Companhia Industrial Produtora Antibióticos, SA não estarem admitidas à negociação em mercado regulamentado, e o valor oferecido resultar de negociação particular, circunstância que, nos termos da al. a) do n.º 3 do mesmo artigo, faz presumir a natureza não equitativa da contrapartida fixada com base naquele valor". 

 

Ou seja, segundo o Código, a contrapartida numa OPA tem de ser superior ao "preço médio ponderado desses valores mobiliários apurado em mercado regulamentado durante o mesmo período". Mas, no caso da Cipan, não há negociação em mercado regulamentado, logo não é possível saber que preço é esse. 

 

Da mesma forma, a legislação também esclarece que uma contrapartida não é equitativa quando o "preço mais elevado tiver sido fixado mediante acordo entre o adquirente e o alienante através de negociação particular". Foi o que aconteceu no acordo entre a Lusosuan e a Atral-Cipan. Logo, tem de vir o auditor definir o que é um preço equitativo para todos os accionistas. 

 

Enquanto a oferta obrigatória que a Lusosuan teve de lançar sobre 14,63% do capital aguarda a auditoria, mantém-se a oferta voluntária que a Chartwell, que tem 2% do capital, lançou sobre outros 8% a 45 cêntimos por acção.  

 

Ambas as ofertas aguardam registo junto do regulador do mercado de capitais para poderem avançar.




A sua opinião3
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Anónimo Há 4 semanas


CM Lisboa ignora o Código da Estrada e provoca atropelamento de peões nas passadeiras.

A CML marcou por toda a cidade, lugares de estacionamento a menos de 5 metros antes das passadeiras.

Como todos sabemos o Código proíbe o estacionamento nessa situação, que aumenta dramaticamente a probabilidade de ocorrerem mais atropelamentos.

Alguns dos atropelamentos que se verificam diariamente na cidade, podem ser causados por esta situação.

Solicita-se à CML a correção urgente desta situação.

comentários mais recentes
surpreso Há 4 semanas

A CMVM é inerte e eventualmente corrupta

Anónimo Há 4 semanas


CM Lisboa ignora o Código da Estrada e provoca atropelamento de peões nas passadeiras.

A CML marcou por toda a cidade, lugares de estacionamento a menos de 5 metros antes das passadeiras.

Como todos sabemos o Código proíbe o estacionamento nessa situação, que aumenta dramaticamente a probabilidade de ocorrerem mais atropelamentos.

Alguns dos atropelamentos que se verificam diariamente na cidade, podem ser causados por esta situação.

Solicita-se à CML a correção urgente desta situação.

zé dos bois Há 4 semanas

como é que a CXMVM permite esta bagunçada?
não há vergonha na cara?
Se não fosse este jornal estas ilegalidades (e outras) faziam-se na " maior" e não se passava nada,..
anda tudo a "tocar bateria" e ninguém enxerga nada.

pub
pub
pub
pub