Start-ups Codacy, o revisor de código dos "developers"

Codacy, o revisor de código dos "developers"

A Codacy é uma start-up portuguesa que se dedica à revisão de código de forma automática. Com cerca de metade dos clientes do outro lado do Atlântico, a empresa tem a ambição de atingir um milhão em facturação até ao final do primeiro trimestre de 2017.
Codacy, o revisor de código dos "developers"
Bruno Simão
Ana Laranjeiro 23 de outubro de 2016 às 17:00

Quando estamos a escrever um texto no ‘word’, se há um erro ortográfico, o corrector vai indicar-nos para que o possamos corrigir. O software da Codacy faz o mesmo, mas para código de linguagem de programação. Até porque nenhuma linha de código, ditam as boas práticas, pode ser libertada sem ser revista.

"A Codacy o que faz é providenciar revisão de código automático que é [como] um corrector ortográfico do ‘word’ mas para código. À medida que um programador está a trabalhar, a Codacy define-se como sendo um assistente, dizendo: cuidado com o estilo de código, cuidado com as boas práticas, podes ter aí um problema de segurança", explica em entrevista ao Negócios Jaime Jorge, CEO da start-up. A manutenção do código é também uma das áreas de actuação da empresa. Uma prática que pode evitar que as empresas tenham de pagar a chamada dívida técnica.

A solução da empresa portuguesa integra os locais onde o código está alojado. E à medida que os programadores estão a trabalhar, o software vai vendo esse código e vai dando indicações. Tal como quando um antivírus está a correr e dá um alerta.  Sendo que os programadores quase não têm de interromper o seu trabalho para que este processo de revisão aconteça.

Uma outra característica da solução Codacy é que consegue quantificar os níveis de melhorias da qualidade de código, podendo assim ajudar as equipas de engenharia a mostrar métricas que revelam essas melhorias. "Estivemos a estimar com clientes o que  aumentamos de eficiência e já ronda os 20, 30% de eficiência a partir do momento em que a Codacy entra em processo de ‘code review’".

A start-up portuguesa não é a única que trabalha neste segmento. Tem um concorrente, sendo que as duas a lideram o mercado em termos de ‘code quality’ na ‘cloud’. Há, contudo, diferenças na evolução das duas firmas,  estando a Codacy mais avançada em termos de produto, defende Jaime Jorge.

Do nascimento até São Francisco

Em 2012 nasceu a Qamine. Na altura, a empresa estava focada na tese de Jaime Jorge, que versava sobre código duplicado. Um tema que não interessava muito às pessoas, pelo que surgiu assim a necessidade de mudar o ângulo da empresa – para outro tipo de métricas de software – e com isso nasce a Codacy. "2014 foi um ano beta para nós. Foi um ano em que tivemos imensos utilizadores e estávamos a perceber o mercado. Em 2015, lançámos os nossos planos pagos, as pessoas puderam começar a pagar pelo Codacy". E continuámos a desenvolver o produto, conta o líder da start-up.

Actualmente, com uma equipa de 16 pessoas, a Codacy antecipa que pode chegar, pelo menos, às 20 no próximo ano. Uma das máximas desta start-up, conta Jaime Jorge, sempre foi "fazer o máximo possível com o mínimo de recursos possível". Tem escritórios em Lisboa, Londres e está também em São Francisco. Cerca de 50% dos clientes são originários dos Estados Unidos. Londres e Berlim são considerados também mercados "interessantes".

Em cerca de quatro anos de actividade, a Codacy levantou 1,5 milhões de dólares junto de capitais de risco e "business angels".

"Somos uma empresa de facturação real. Temos o objectivo até ao final do ano, primeiro trimestre do próximo ano, de atingir um milhão de facturação anual. Isto implica também, fazendo as contas, que estamos com um crescimento interessante ao nível dos dois dígitos, 20% de receitas por mês", apontou ainda o CEO.




A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
pub