Banca & Finanças Como está a banca portuguesa para o BCE

Como está a banca portuguesa para o BCE

Um relatório do Banco Central Europeu traça a evolução da banca da Zona Euro, mas deixa, também, uma leitura sobre como a banca portuguesa se situa e está a mover-se.
Como está a banca portuguesa para o BCE
Kai Pfaffenbach/Reuters
Diogo Cavaleiro 23 de outubro de 2017 às 14:44

O Banco Central Europeu publicou um relatório em que analisou a crescente consolidação que está em curso na Zona Euro e que, nos últimos oito anos, se reflectiu no desaparecimento de um em cada quatro bancos. Nesse documento, Frankfurt refere, por várias vezes, os diferentes países, o que permite enquadrar o sistema bancário nacional na evolução regional.

 

"A descida no número das unidades bancárias na Zona Euro foi reflectida num aumento em dois indicadores de capacidade do sistema bancário entre 2008 e 2016 na maior parte dos países da Zona Euro: a população por agência local e a população por funcionário bancário", revela o relatório sobre as estruturas financeiras, da autoria do BCE. E, aí, Portugal está em destaque.

 

O avanço relativo do indicador da população por agência "foi particularmente significativo em Portugal, Letónia, Grécia e Holanda". O país tem vindo a cortar balcões, pelo que aumenta o número de pessoas por cada agência: eram 1.645 pessoas por balcão em 2008; 2.096 em 2016. O número está abaixo da média da Zona Euro (2.278). Ou seja, apesar de ter vindo a crescer, o indicador nacional segue aquém do que se verifica na região. No que diz respeito aos funcionários por população, eram 169 pessoas por cada trabalhador da banca em 2008; em 2016 estava em 222. 

Portugal está, também, na linha das frentes dos mercados em que se registaram as maiores quebras nos activos entre 2015 e 2016, ainda que atrás de países como a Grécia e a Áustria. Um comportamento que ocorreu pese embora se tenha verificado um avanço de 0,5% do valor dos activos dos bancos da Zona Euro, para 24,2 biliões de euros. A queda do crédito tem sido uma realidade nos últimos anos no país, onde os bancos se viram obrigados a empreender uma estratégia de desalavancagem, o que justifica esse comportamento.

 

Tal como a Finlândia, Grécia, Letónia e Lituânia, também Portugal verificou as maiores melhorias de eficiência, que medem o peso dos custos sobre o produto bancário. Em muitos dos países que verificaram aumentos destas melhorias, o BCE atribui aos "consideráveis esforços de consolidação".

 

Noutro campo, a Zona Euro verificou um crescimento da cobertura do rácio de malparado, sendo que, aqui, o BCE nota que Portugal, como Itália e Chipre ("países com elevados níveis de malparado"), têm registado melhorias nestes indicadores. Mas Portugal, como a Grécia e o Chipre, ainda registam prejuízos que ofuscam as melhorias na base de capital.

 

A exposição a Espanha

 

O sector português é visto, igualmente, com um mercado exposto à banca espanhola. Não são dados exemplos, mas o Santander Totta, que já estava na lista dos maiores bancos em Portugal, adquiriu o Banif e está a integrar o Popular Portugal. Além disso, o CaixaBank é o dono do BPI. O BCE refere que estas exposições são, muitas vezes, devidas às "proximidades geográficas ou aspectos culturais". Motivos para que Portugal esteja ligado a Espanha, a Bélgica esteja exposta à Holanda e o Chipre à Grécia.

 

Noutro ponto, o relatório da autoridade presidida por Mario Draghi regista que "os rácios de capital regulatórios dos bancos da Zona Euro continuaram a melhorar em 2016". Muitos deles deveram-se a aumentos de capital registados em 2016. A Irlanda e França marcaram os maiores avanços. "Pelo contrário, os rácios de capital deslizaram na Estónia e em Portugal". Só que, no caso português, há uma nota de rodapé: "A descida em Portugal foi temporária e terminou no final do primeiro trimestre de 2017". Em causa está a Caixa Geral de Depósitos, que ficou com rácios abaixo do exigido no final de 2016, mas que depois foi capitalizada pelo Estado em 3,9 mil milhões de euros.




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