Empresas Como um vendedor de peixe falido ficou bilionário

Como um vendedor de peixe falido ficou bilionário

A venda de produtos do dia-a-dia para quem procura artigos baratos tornou o fundador da maior loja de desconto do Japão bilionário.
Como um vendedor de peixe falido ficou bilionário
Bloomberg
Bloomberg 08 de julho de 2017 às 12:00

Hirotake Yano, fundador e presidente da empresa Daiso Sangyo, que se auto-denomina "país das maravilhas das compras", foi um dos primeiros lojistas do Japão a adoptar o modelo de preço único e usou a estratégia para construir um património líquido que o Índice Bloomberg Billionaires avalia em 1,9 mil milhões de dólares.

 

"O timing dele foi perfeito", disse por e-mail Pascal Martin, sócio da OC&C Strategy Consultants. "Abriu a primeira loja de ‘tudo por 100 ienes’ em 1991, alguns anos depois do estouro da bolha económica japonesa, que foi o início de uma profunda mudança na cultura de consumo do Japão."

 

Yano, de 74 anos, não quis comentar sobre a sua fortuna, segundo uma porta-voz da Daiso.

A trajectória de Yano no empreendedorismo não foi directa. Depois de se formar pela Universidade Chuo, em Tóquio, navegou por vários empregos diferentes, como o comando da empresa de pesca do seu sogro até à falência do companhia, segundo o site da Daiso.

 

Yano começou a vender mercadorias nas traseiras de um camião, em 1972, e teve a ideia de começar a cobrar 100 ienes por todas as mercadorias para economizar o tempo que levava a etiquetar os itens. O empresário incorporou a Daiso, cuja tradução é "criar algo grande", em 1977.

 

Salários estagnados e uma economia em desaceleração causaram uma mudança fundamental entre os consumidores japoneses nas últimas décadas, incentivando-os a procurar uma compensação maior para o seu dinheiro. Foi uma dádiva para o sector retalhista do país, cuja receita anual totaliza cerca de 600 mil milhões de ienes (5,4 mil milhões de dólares) no segmento de desconto, segundo o relatório para clientes do UBS divulgado em Março do ano passado. Daiso, a maior do sector, opera mais de 3.150 lojas no mercado doméstico e 1.800 no exterior. A retalhista, que tem sede em Hiroshima, teve receita de 420 mil milhões de ienes no exercício encerrado em Março deste ano, o que compara com os 81,8 mil milhões de ienes em 1999.

 

As acções da Seria, segunda maior retalhista de desconto do Japão, já subiram 39% neste ano, valorizando a participação de 37% de Hiromitsu Kawai e sua extensa família em 1,3 mil milhões de dólares. Kawai, que fundou a empresa da cidade de Ogaki em 1987, transferiu o controlo para o sobrinho Eiji Kawai, que entrou no negócio como director-geral em 2003 e foi nomeado presidente em Junho de 2014.

 

Masanori Kobayashi, porta-voz da Seria, confirmou a participação da família, mas não comentou sobre a fortuna do grupo.

 

A Daiso vende cerca de 70.000 utensílios domésticos, uma colecção pouco convencional que inclui patins de dedo, cabeças de manequim, dinheiro falso, roupas para animais de estimação, meias para pés de cadeiras e bolsas para guardar livros de história aos quadrinhos. A receita da retalhista subiu 6,3% no ano fiscal de 2017, em comparação com o crescimento de 11% da Seria.

 

Yano atribui o seu sucesso a uma astuta fonte de produtos, que permite à Daiso oferecer itens de alta qualidade juntamente com artigos necessários e peculiares, todos por 100 ienes cada, o equivalente a 1 dólar. A sua equipa de compras negocia directamente com os fabricantes para encomendar grandes quantidades a preços baixos, estratégia semelhante à usada pelo Wal-Mart, maior retalhista do mundo.

 

Embora a economia do Japão esteja florescendo - cinco trimestres consecutivos de crescimento, o maior período de expansão em uma década -, o desejo de pechinchas continua firmemente enraizado na mente dos consumidores.




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Anónimo Há 1 semana

Em países que se deixaram capturar por uma cultura desonesta, onde o mais desonesto vence, e provinciana, pouco atenta à realidade global e à modernidade tal como ela lhes chega do mundo mais desenvolvido, com leis atrasadas, estupidamente redigidas e permissivas a todos os abusos e abusadores, o sindicalismo e o capitalismo de compadrio são capazes de pôr o ofertante de factor trabalho, bens ou serviços com zero procura de mercado na economia, chamemos-lhe o vendedor de areia no deserto, a viver tão ou mais confortavelmente do que o ofertante de factor trabalho, bens ou serviços com muita procura de mercado nessa mesma economia, chamemos-lhe o vendedor de água no deserto. E é claro, uma economia assim cheia de distorções, frontalmente anti-mercado, atrasa-se e empobrece.

Anónimo Há 1 semana

Em organizações públicas e privadas do mundo mais desenvolvido, no âmbito da gestão das organizações faz-se gestão de recursos humanos (GRH). Sem GRH, nem criação de valor ocorre nem elevação dos rendimentos de colaboradores não excedentários se dá, uma vez que os excedentários, por definição, limitam-se a extrair valor. Economias com GRH enriquecem e desenvolvem-se de forma sustentável. Ser excedentário não significa por si só que se seja criminoso ou mesmo incompetente. Ser excedentário é como estar na condição de desempregado mas a ser suportado por uma organização que emprega o desempregado. O desempregado e o excedentário são apenas uma oferta sem procura, e isso não é crime, crime é não fazer GRH. O desempregado, sem procura no mercado laboral onde oferece trabalho. O excedentário, sem procura numa dada organização empregadora que tem que o suportar prejudicando a persecução da sua missão, visão e propósito. Ambos são um problema do Estado de Bem-Estar Social e não do empregador.

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