Banca & Finanças Como vai funcionar a compensação do Santander para os accionistas do Popular

Como vai funcionar a compensação do Santander para os accionistas do Popular

Os pequenos accionistas do Popular que adquiriram os seus títulos no aumento de capital de 2016 vão receber títulos de dívida do Santander. Os investidores com dívida subordinada também estão abrangidos. Perceba como é que esta compensação vai funcionar.
Como vai funcionar a compensação do Santander para os accionistas do Popular
Reuters
Maria João Gago 14 de setembro de 2017 às 16:06

O Santander decidiu avançar com uma emissão de títulos de dívida que vão ser oferecidos a alguns dos pequenos accionistas e aos detentores de dívida subordinada do Banco Popular Español, que o grupo de Ana Botín acordou comprar por um euro no quadro da resolução daquela instituição.

 

Os títulos vão ser atribuídos aos pequenos accionistas do Popular que adquiriram as suas acções entre 26 de Maio e 21 de Junho de 2016, período em que decorreu o aumento de capital de 2.500 euros, e que as tinham depositadas em contas deste banco ou do Santander a 6 de Junho, dia da resolução da instituição, de acordo com a informação compilada pelo diário espanhol Cinco Días.

 

Com esta compensação, os pequenos investidores poderão recuperar entre 100% e 50% do valor aplicado em acções do Popular, desde que esse investimento não tenha superado um milhão de euros. Quem aplicou até 100 mil euros, recuperará a totalidade do capital; a partir daí e até aos 250 mil euros investidos a taxa de recuperação fica em 75%; entre este valor e os 500 mil euros a percentagem a reaver baixa para 50%.

 

De acordo com esta lógica, refere o Cinco Días, um accionista do Popular que tenha investido 250 mil euros em acções conseguirá recuperar 100% dos primeiros 100 mil euros e 75% dos restantes 150 mil euros, num total de 212,5 mil euros.

 

No caso dos investidores com obrigações subordinadas adquiridas em 2011, altura em que o Popular fez uma emissão de 450 milhões de euros, a recuperação de capital proporcionada pelos novos títulos de dívida a oferecer pelo Santander será feita descontando o valor dos juros pagos desde então e que corresponderão a cerca de 40% do valor aplicado.

 

Para poderem aderir a esta oferta, os accionistas e obrigacionistas subordinados do Popular terão de desistir e renunciar ao direito de processarem judicialmente o Santander e o Popular por causa da resolução desta instituição. Além disso, os investidores que, entretanto, tenham retirado depósitos e outras aplicações do Popular têm de repor uma relação comercial com o banco equivalente à que existia quando adquiriram as acções ou as obrigações subordinadas. Logo que recebam os novos títulos de dívida, os clientes são livres de suspender a sua ligação ao banco. Tendo em conta que o prazo de subscrição termina a 7 de Dezembro, só alguns dias mais tarde é que este vínculo pode terminar.

 

Os títulos de dívida que os investidores vão receber são instrumentos complexos, que não são recomendados para clientes de retalho. Por esta razão, os seus beneficiários terão de assinar um documento em que assumem a responsabilidade por passarem a ser detentores destes títulos.

 

Um dos principais riscos destes instrumentos é a possibilidade de não pagarem a remuneração anual prevista – 1% ao ano nos primeiros sete anos e, a partir daí a taxa que resultar da soma de um "spread" de 5,947% à taxa "midswap" a cinco anos – , em caso de limitações de solidez do Santander. Além disso, numa situação de dificuldades, os títulos poderão ser usados na recapitalização interna ("bail-in") do banco liderado por Ana Botín.

 

Por outro lado, apesar de os títulos serem perpétuos, está previsto que o Santander possa fazer o seu reembolso antecipado ao fim de sete anos, altura em que a remuneração paga aos investidores passa a ser mais alta. No entanto, esta amortização está dependente de autorização do Banco Central Europeu.

 

Do ponto de vista do Santander, além de evitar que estes investidores avancem para tribunal, esta compensação ajudará a instituição a cumprir as exigências regulamentares a que está sujeita pelo facto de ser um dos 26 bancos considerados sistémicos a nível global e europeu, adianta o Expansión. Este contributo totalizará 981 milhões, valor da emissão em causa.



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mais votado Anónimo 14.09.2017

por 2500 euros comprava-as eu em dinheiro vivo e não sou Banco.

comentários mais recentes
Anónimo 14.09.2017

por 2500 euros comprava-as eu em dinheiro vivo e não sou Banco.

surpreso 14.09.2017

Vão receber PAPEl.Em Portugal é que recebem dinheiro(nosso)

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