Construção Concessões: Gigante de 10.000 milhões pode estar a chegar às auto-estradas

Concessões: Gigante de 10.000 milhões pode estar a chegar às auto-estradas

A aproximação da italiana Atlantia e a espanhola Abertis foi confirmada esta terça-feira e pode passar por uma OPA amigável ou uma negociação directa com o La Caixa, accionista de referência da empresa do país vizinho.
Concessões: Gigante de 10.000 milhões pode estar a chegar às auto-estradas
Bruno Simão/Negócios
Paulo Zacarias Gomes 19 de abril de 2017 às 10:45

Poderá estar para breve o surgimento de um operador mundial de infra-estruturas com raízes em Espanha e em Itália e braços no continente europeu, na América Latina e Índia, capaz de facturar 10.000 milhões de euros por ano.


A aproximação entre a Atlantia e a espanhola Abertis foi conhecida esta terça-feira, 18 de Abril, quando a italiana manifestou vontade de "explorar uma operação empresarial" ou "possíveis alternativas de integração" com a empresa do país vizinho.

Antes ainda do esclarecimento oficial, os rumores de uma possível compra levaram as acções do grupo espanhol a disparar mais de 6,5% em bolsa, o que precipitou a suspensão da negociação dos títulos pelo regulador. Esta manhã, reatadas as negociações, os papéis da Abertis corrigem e caem 1,84% para 15,99 euros.

O El Confidencial avança que, caso a fusão se concretize, a Criteria, holding do grupo La Caixa – que detém 46,3% do CaixaBank, dono do BPI – verá a sua posição na Abertis (actualmente de 22,25%) reduzida para 20% na junção das duas empresas. Com a compra, o maior accionista do grupo resultante seria a família Benetton, que agora tem 30% da Atlantia.

A Atlantia pode lançar uma OPA sobre o capital da Abertis – dependente da aceitação dos minoritários e das gestoras de fundos que estão no capital – ou ir directamente ao La Caixa para negociar um acordo com pagamento em dinheiro e acções, esclareceram os espanhóis. No caso da OPA, o El Confidencial vê os italianos a gastarem 16 euros por título – ontem os papéis valorizaram até aos 16,3 euros.

O El Mundo fala, neste caso, de uma operação avaliada em mais de 16.000 milhões de euros, a actual capitalização bolsista da Abertis. Mas a empresa espanhola evita falar em valores: no comunicado oficial distribuído ontem à tarde, referia não terem sido "especificadas possíveis avaliações da Abertis e/ou da Atlantia."

"A Atlantia disse que quer reduzir o risco do mercado doméstico e com os activos da Abertis o acordo poderá ter sentido estratégico," reconhece o analista Javier Mielgo, da Mirabaud, à Bloomberg. Mas realça: "A Abertis está cara, não sei como é que a Atlantia poderá justificar o acordo a estes valores."

Há três meses que a operação estaria em preparação. E esta não é a primeira vez que se dá uma aproximação entre as empresas: há 10 anos esteve em cima da mesa uma possível fusão com a filial Autostrade, da Atlantia, operação que foi travada pelo regulador italiano. As acções da companhia transalpina caem 1,26% para 22,8 euros.

Em Portugal a Abertis vendeu em 2012 os 15,02% que detinha na Brisa – fazendo dela o terceiro maior accionista da concessionária portuguesa – não concretizando assim a parceria estratégica que tinha sido aventada entre as duas empresas. A Abertis entrou no capital da Brisa em 2002 com a compra de 10% e reforçou para cerca de 15% em 2007 à revelia da José de Mello, aumentando os rumores do lançamento de uma possível OPA.

O negócio em números:

- Combinadas, as duas empresas gerem mais de 13.000 quilómetros de auto-estradas em todo o mundo;
- A Atlantia gere 3.020 quilómetros de estradas em Itália e está presente no Chile e no Brasil;
- A Abertis domina 70% do mercado de concessões de auto-estradas pagas em Espanha;
- A receita combinada das duas companhias superaria, por ano, 10 mil milhões de euros;
- A capitalização bolsista conjunta das duas empresas ascende a 35.000 milhões de euros.




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Anónimo Há 1 semana

Nem mais meu caro. É uma vergonha ao q temos assistido nos ultimos anos especialmente na banca. Foi BES, Banif, BCP etc... Este regulador é uma vergonha é o espelho do país. Era optimo q pode-se haver concorrência dentro das bolsas especialmente para Portugal onde td dorme a sombra da bananeira

Anónimo Há 1 semana

E só comparar! Em Espanha um disparo (pequeno) de subida faz suspender a negociação. Por cá um disparo (grande de 15 ou mais por cento) de descida, não acontece nada! Incrível não é? Porque será? Em Espanha há reguladores sérios...

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