Media Conselho de Redação da Visão solidário com direcção. Sindicato dos Jornalistas quer reunião com Balsemão

Conselho de Redação da Visão solidário com direcção. Sindicato dos Jornalistas quer reunião com Balsemão

O Conselho de Redacção da revista Visão solidarizou-se com a direcção editorial da revista para "procurar soluções que viabilizem o futuro da publicação". Já o Sindicato dos Jornalistas quer uma reunião urgente com o líder da Impresa.
Conselho de Redação da Visão solidário com direcção. Sindicato dos Jornalistas quer reunião com Balsemão
Lusa 23 de agosto de 2017 às 19:22
O conselho de redacção (CR) da Visão lamentou hoje a "profunda alteração estratégica" da Impresa numa altura de "recuperação assinalável" e solidarizou-se com a direcção editorial da revista para "procurar soluções que viabilizem o futuro da publicação".

A Impresa, dona da SIC, do Expresso e da Visão, admitiu hoje vender títulos, no âmbito de um "reposicionamento estratégico" da sua actividade, que passa por uma "redução da sua exposição ao sector das revistas e um enfoque primordialmente nas componentes do audiovisual e do digital".

Numa nota enviada à redacção da Visão a que a Lusa teve acesso, o CR lamentou "as incertezas" que esta decisão da administração da Impresa "acarreta sobre o futuro quase imediato das revistas do grupo, entre as quais a Visão, a Visão História e a Visão Júnior".

Neste sentido, "os membros eleitos do CR entendem ser seu dever solidarizar-se com a direcção editorial da Visão na sua tentativa de procurar soluções que viabilizem o futuro da publicação", que conta já com 24 anos de existência e que "é líder no seu segmento de mercado".

O órgão que representa os jornalistas da Visão disse ainda acreditar que "esta equipa editorial continuará a dar provas da qualidade e profissionalismo".

Relativamente ao "reposicionamento estratégico" agora anunciado pela administração do grupo, o CR da Visão lamenta que "esta profunda alteração estratégica da actividade da Impresa surja num contexto de recuperação assinalável (e em contra corrente com o panorama da imprensa portuguesa) das vendas da VISÃO e das suas extensões de marca" e também num momento "de cumprimento, e até de superação, dos objectivos orçamentados para o corrente ano, nomeadamente em termos de receita".

Após reuniões de elementos das direcções com trabalhadores de vários títulos, o presidente executivo do grupo de comunicação social, Francisco Pedro Balsemão, enviou uma mensagem indicando que, tendo em conta o Plano Estratégico para o triénio 2017-2019, a "Impresa procederá a um reposicionamento estratégico da sua actividade".

"Nesse sentido, [a Impresa] iniciou um processo formal de avaliação do seu portfolio e respectivos títulos, que poderá implicar a alienação de activos. A prioridade passa por continuar a melhorar a situação financeira do grupo, assegurando a sua sustentabilidade económica, e logo a sua independência editorial", concluiu na mesma nota.

Durante esta tarde foi transmitido a vários trabalhadores que Expresso e SIC deverão manter-se no grupo e que outros títulos podem ser vendidos ou encerrados, de acordo com fontes das redacções.

O grupo Impresa fechou o segundo trimestre deste ano com um lucro de 2,8 milhões de euros, uma queda de 22,5% face aos 3,6 milhões de euros registados em igual período de 2016.

No início de Março, Francisco Pedro Balsemão disse à Lusa estar confiante na concretização do Plano Estratégico, que apesar de "ambicioso, é exequível e realista".

O Plano Estratégico prevê, entre outras metas, melhorar a rentabilidade da SIC, aumentar as receitas digitais do grupo e acelerar a expansão internacional, admitindo também repensar as actividades que não tenham um contributo estratégico para o grupo.

Em 3 de Julho, a Impresa anunciou o lançamento de uma oferta de subscrição de obrigações a cinco anos, dirigida a investidores qualificados e cujo valor poderia chegar aos 35 milhões de euros.

No entanto, a 21 de Julho, a administração do grupo decidiu "interromper o processo de emissão de obrigações", devido a "alterações recentes" nos media, o que fez com que aquela operação não se tenha realizado.

Sindicato dos Jornalistas pede reunião urgente com presidente da Impresa

O Sindicato dos Jornalistas está "preocupado com a agitação no grupo Impresa" e pediu "uma reunião urgente com o presidente do Conselho de Administração" para obter "esclarecimentos sobre a anunciada redução da exposição do grupo ao sector das revistas".

Em comunicado hoje divulgado, o Sindicato dos Jornalistas "lamenta que, neste quadro, o Conselho de Administração [da Impresa] não tenha em conta a situação laboral de cerca de duas centenas de trabalhadores" das várias publicações do grupo, que incluem a Visão, a Caras, a Activa, a Exame, a Exame Informática, a Telenovelas e a TV Mais, o Courrier Internacional, o Blitz e o Jornal de Letras.

O órgão liderado por Sofia Branco diz estar "solidário com todos os trabalhadores deste universo" e "à disposição para prestar toda a colaboração que considerarem necessária".



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comentários mais recentes
Anónimo 23.08.2017

A IMPRESA, tal como os Bancos, está a reestruturar, para se focar nas atividades mais rentáveis.
Se repararem, os Bancos portugueses, para serem mais rentáveis fecham agencias e despedem pessoas!
Assim, a Visão irá ser vendida.
As acções da IMPRESA, vão disparar, após reestruturação!

A Tentar Perceber 23.08.2017

O que quer agora o Sindicato dos Jornalistas? O que fizeram ao ver a qualidade desta imprensa ? O Sindicato só tinha era de ter Vergonha pelo tipo de Jornalismo que representa, o que quer agora ? Juízo, só se for.

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