Empresas Conserveira Cofaco despede 180 trabalhadores nos Açores

Conserveira Cofaco despede 180 trabalhadores nos Açores

A administração da conserveira Cofaco, que fabrica o Bom Petisco, informou hoje que vai proceder ao "despedimento colectivo" dos 180 trabalhadores da empresa, quadros na ilha do Pico, indicou à agência Lusa um representante sindical.
Conserveira Cofaco despede 180 trabalhadores nos Açores
Lusa 09 de janeiro de 2018 às 18:03

De acordo com Sérgio Gonçalves, representante do Sindicato de Alimentação, Bebidas e Similares, Comércio, Escritórios e Serviços dos Açores, o conselho de administração reuniu-se com os cerca de 180 trabalhadores da fábrica esta manhã para os informar de que todos seriam despedidos com direito a "indemnização e fundo de desemprego", deixando a Cofaco de laborar naquela ilha à até construção de uma nova fábrica.

 

"Serão pagas as indemnizações e vamos todos para casa com uma promessa verbal de que quando a obra estiver concluída, entre 18 meses e dois anos, nos chamariam de novo para vir trabalhar. Ficamos na expectativa. Como o ditado diz, ‘palavras, leva-as o vento’, mas vamos esperar que estas o vento não leve", afirmou Sérgio Gonçalves.

 

A fábrica Cofaco, no concelho da Madalena, na ilha do Pico, vai manter os trabalhadores até Abril, altura em que arrancam as obras para a construção da nova unidade industrial. "Queremos acreditar que iremos ser admitidos após dois anos, mas tememos muito pela nossa situação", admitiu o sindicalista.

 

A conserveira está sem laborar desde o dia 14 de Dezembro de 2017, altura em que os trabalhadores – na maioria mulheres - foram "para as férias do Natal" e sem qualquer informação acerca de qual seria a solução para a sua situação.

 

Governo dos Açores disponível para apoiar trabalhadores

O secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia, Gui Menezes, adiantou hoje à agência Lusa que o executivo açoriano está disponível para apoiar os trabalhadores "em tudo o que for necessário" no processo de despedimento coletivo na conserveira Cofaco.

Gui Menezes assumiu ter tido conhecimento do despedimento de 167 trabalhadores - número inferior aos 180 avançados pela comissão de trabalhadores - na conserveira localizada na Madalena, na ilha do Pico, sendo esta a opção da empresa "até ser construída nova fábrica" dentro de dois anos.

"A empresa garantiu-nos que os direitos dos trabalhadores iam todos ser garantidos e os serviços competentes em matérias de trabalho como a Inspeção Regional do Trabalho, a Direção Regional do Emprego e a Agência do Emprego irão naturalmente acompanhar os trabalhadores e estão naturalmente disponíveis para apoiar os trabalhadores em tudo aquilo que for necessário", garantiu.

O governante assume não se tratar de "uma situação muito confortável", sendo que a Cofaco é um dos maiores empregadores da ilha, não havendo para já garantias de que todos os trabalhadores despedidos serão integrados na nova unidade fabril a construir a partir de abril de 2018.

"Isso ainda não sabemos, naturalmente, tratando-se de uma nova fábrica há alterações tecnológicas que vão ocorrer, acho que é prematuro saber quantos [trabalhadores] é que vão ser reintegrados no futuro. O que eu posso dizer é o que a empresa nos transmitiu é que a sua aposta, novamente no Pico, também se devia muito à qualidade dos trabalhadores na laboração do atum", sublinhou.

Gui Menezes demonstrou-se, no entanto, confiante de que "grande parte dos trabalhadores será readmitida" pela qualidade e experiência adquirida, assegurando que não haverá qualquer deslocalização da empresa.

"O projeto que existe é para a reconstrução de uma nova fábrica no mesmo local", garantiu.

O secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia adiantou ainda que a candidatura da Cofaco a apoios comunitários para a construção de uma nova unidade fabril na ilha do Pico deu entrada em 20 de dezembro de 2017.

O valor estimado para o projeto é de 6,7 milhões de euros sendo que contará com o apoio público na ordem dos 75%, nomeadamente de cerca de 1,1 milhão de euros por via do orçamento da região, de cerca de 3,3 milhões de co-financiamento e de 35% de despesa privada.

"(O investimento) Faz parte de uma alteração estratégica que a empresa quer ter nos Açores para também se tornar mais competitiva e mais consentânea com aquilo que são as novas tecnologias e as exigências do mercado", disse.

A agência Lusa tentou uma reação junto do conselho de administração da fábrica da Cofaco, mas até ao momento não foi possível.




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Mário 10.01.2018

Quando a fábrica abrir, 4 robots farão o trabalho de 150 pessoas. Quando é que os pescadores começam a ganhar o que é devido?

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