Corte de emissões de carbono vai levar a aumento de preços dos bilhetes da TAP
02 Maio 2012, 16:26 por Diogo Cavaleiro | diogocavaleiro@negocios.pt
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Fernando Pinto mostra-se contra o plano europeu para reduzir o nível de emissões de carbono. E argumenta que este plano obriga a pagamentos que impedem investimentos em tecnologias verdes.
“Obviamente que tenho a certeza que se vai repercutir no preço dos bilhetes”. É assim que Fernando Pinto, CEO da TAP – Transportes Aéreos Portugueses, responde ao impacto do plano europeu para a redução das emissões de carbono na transportadora, que impõe um nível de pagamentos de 500 milhões de euros às empresas de transporte aéreo.

Apesar de admitir um agravamento dos preços para os bilhetes, caso o plano entre em vigor, efectivamente, o impacto no consumidor “nunca” será integral, nas palavras do presidente da transportadora aérea.

Fernando Pinto apontou dois motivos para que nem tudo recaía sobre o viajante: por um lado, há uma elevada concorrência; por outro, a empresa não é alheia ao facto de um aumento em demasia dos preços poder conduzir à perda de proveitos, em declarações aos jornalistas à margem da conferência “O Futuro das Tecnologias de Transporte num Mundo com Menos Emissões de Carbono”, organizada em parceria pelo ISCTE, Clube ISCTE e a BP Portugal, no âmbito da 2ª edição da iniciativa BP Academia.

O indicador da Thomson Reuters Point Carbon aponta para um custo total de 500 milhões de euros para as empresas de transporte aéreo para cobrir todo o esquema de emissões (o chamado "Emissions Trading Scheme"). Este plano pretende colocar a aviação a responder pelo impacto da indústria no aquecimento global a partir de 2012.

Fernando Pinto deixou, durante a conferência, várias críticas a esta proposta da União Europeia, dizendo que é uma tentativa regional “ineficaz” com o objectivo de combater um problema que é global.

Investimento sai prejudicado

Segundo o presidente da TAP, as próprias empresas sem prejudicas por outro aspecto: não podem fazer investimentos.

“O investimento é crucial para nós”, disse Fernando Pinto na conferência. E, segundo o próprio, não se pode apostar em tecnologias verdes dado que o dinheiro fica dotado para o pagamento da participação naquele programa. “Tira capacidade de investir em aviões mais verdes”, resumiu.

Sobre a privatização da empresa, Fernando Pinto recusou-se a responder a quaisquer perguntas.


(Notícia actualizada com rectificação às 17h45: a conferência foi organizada em parceria pelo ISCTE, Clube ISCTE e BP Portugal e não apenas pelo ISCTE, como se indicava anteriormente)

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