Banca & Finanças Cortes no banco holandês ING afectam 7.000 postos de trabalho

Cortes no banco holandês ING afectam 7.000 postos de trabalho

O banco quer apostar na digitalização, para a qual reserva 800 milhões de euros até 2021, ao mesmo tempo que espera poupanças de 900 milhões nos custos com pessoal, admitiu o presidente executivo Ralph Hamers.
Cortes no banco holandês ING afectam 7.000 postos de trabalho
Bloomberg
Diogo Cavaleiro 03 de Outubro de 2016 às 07:40

O ING vai mudar. A aposta no digital, que tem sido um caminho feito pelo sector, vai levar a um corte de pessoal, como, aliás, já tinha sido especulado. Segundo afirmou o presidente executivo Ralph Hamers numa apresentação aos investidores, 7.000 postos de trabalho serão afectados.

 

Não é certo, com base na apresentação, que a totalidade dos 7.000 postos mencionados sejam eliminados ou se haverá, em alguns casos, mudanças de funções. Os números que são dados como certos passam pela rescisão com 2.300 trabalhadores na Holanda, sede do banco, e 3.500 na Bélgica. Também os trabalhadores externos vão sentir o impacto da decisão do banco.

 

Segundo dados do CEO, em apresentação aos investidores colocada no site oficial da instituição, o objectivo é obter poupanças nos custos na ordem dos 900 milhões de euros até 2021. Para os encargos com os cortes de pessoal, haverá uma provisão de 1,1 mil milhões de euros para "reestruturação". Destes, mil milhões serão já reconhecidos nos últimos três meses do ano.

 

O valor das poupanças nos custos estimada pelo banco holandês são equivalentes aos 800 milhões que o ING quer investir na transformação digital, também no período entre 2016 e 2021. Esta redução de pessoal vai acompanhar a redução de balcões, já que o objectivo é, nos principais mercados, aproximar-se da presença digital. Neste momento, o banco emprega 51.833 funcionários (segundo dados de Junho). As contas do terceiro trimestre serão apresentadas dentro de um mês.

 

O anúncio foi feito no dia do investidor do banco holandês, onde são traçadas metas para os próximos anos. Uma das questões aí referidas é a da qualidade do capital. Em Junho, o banco tinha um rácio de CET 1, o peso do melhor capital do banco, de 12,2%. Para o próximo ano, o objectivo é que o rácio fique acima de 10%. No final dos próximos cinco anos, contudo, a intenção é que esteja sempre acima dos rácios mínimos exigidos, que neste momento está em 12,5%, deixou claro o administrador com o pelouro financeiro, Patrick Flynn.

A diminuição dos postos de trabalho na banca acompanha a redução da presença física, com o fecho de balcões, e a aposta na digitalização da oferta bancária. Tem sido isto que tem ocorrido um pouco por toda a Europa, um caminho que Portugal também fez e continua a fazer (a Caixa Geral de Depósitos e o Novo Banco são os exemplos mais recentes). Ainda na semana passada, o Commerzbank também anunciou o corte de pessoal. 




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