Banca & Finanças Costa acusa PSD de "inventar" polémicas para travar plano de capitalização da Caixa

Costa acusa PSD de "inventar" polémicas para travar plano de capitalização da Caixa

O primeiro-ministro acusa o PSD de "inventar" polémicas para impedir a capitalização da CGD e defende que o presidente, António Domingues, tinha de verificar previamente se havia "luz verde" de Bruxelas para o novo plano.
Lusa 24 de Novembro de 2016 às 19:57

Estas posições sobre a Caixa Geral de Depósitos (CGD) foram assumidas por António Costa em entrevista à agência Lusa, que será divulgada na íntegra na sexta-feira.

 

Interrogado sobre a sucessão de polémicas que têm envolvido a administração da CGD - a última relacionada com um eventual conflito de interesses do atual presidente, António Domingues, que participou em reuniões sobre o futuro do banco público meses antes de exercer formalmente funções na Caixa -, António Costa advogou que a opção "fundamental" do Governo passou por "despolitizar e despartidarizar de uma vez por todas a administração da CGD e fazer da Caixa aquilo que deve ser, uma empresa gerida profissionalmente".

 

"E para isso fomos buscar um gestor bancário, com toda a sua carreira na banca, de forma a profissionalizar a gestão da Caixa. O dr. António Domingues apresentou naturalmente ao Governo o que se propunha fazer, qual o seu plano de negócios, qual o seu plano de capitalização e qual o seu plano de reestruturação", referiu o primeiro-ministro.

 

Neste contexto, sustenta António Costa, não fazia sentido António Domingues aceitar ir para presidente da CGD "sem que o acionista aprovasse o seu plano de trabalho, e nem fazia sentido o acionista nomear uma pessoa para a Caixa (por muito brilhante que seja) se não concordasse com o seu programa de trabalho".

 

"É natural que o dr. António Domingues tenha discutido com o Governo aquilo que se propunha fazer e que o Governo tenha aprovado aquilo que ele se propunha fazer. Mas, como parte daquilo que ele pretendia fazer dependia de autorização da Comissão Europeia, seria absurdo e uma irresponsabilidade, quer da nossa parte, quer da parte do próprio [António Domingues], se não tivéssemos tido o cuidado de verificar previamente junto da Comissão Europeia se havia ou não luz verde para a execução do plano. Obviamente, esse trabalho foi feito", defendeu o primeiro-ministro.

 

Para o primeiro-ministro, "o que é absolutamente irresponsável, é a postura do PSD que, enquanto Governo, procurou esconder dos portugueses a situação em que se encontrava o sistema financeiro".

 

"Por sua responsabilidade, destruiu um banco como o Banco Espírito Santo (BES), conduziu à destruição de um segundo banco, caso do Banif, e se não tivesse mudado o Governo gostava de saber quantos mais bancos teriam sido destruídos. Há um seguramente que teria sido destruído, a CGD, ou, pelo menos, teria sido empurrado para uma privatização que privaria os portugueses de terem um instrumentos fundamental ao serviço da economia", acusou.

 

Mas António Costa foi ainda mais longe nas críticas aos social-democratas, dizendo que o PSD, "não contente com o seu passado de Governo na gestão do sistema financeiro, comporta-se agora na oposição com uma irresponsabilidade total, inventando casos sobre casos, falsas polémicas sobre falsas polémicas, com um único objectivo, que é ver se evita a concretização dos programas de capitalização e de reestruturação da Caixa e a execução do novo plano de negócios".

 

Questionado sobre se agradeceria à administração da CGD se acabasse com este conjunto de problemas rapidamente, o primeiro-ministro contrapôs: "Agradecerei à equipa da CGD quando ela, no final do seu mandato, tiver dado plena execução ao plano de atividades para a qual foi nomeada e em cuja execução tem de se concentrar". "O resto são questões laterais", acrescentou.

 

Na perspectiva do primeiro-ministro, "o que era essencial fazer na CGD passava por assegurar aos portugueses que se conseguiria recapitalizar a Caixa, de forma a mantê-la 100% pública, com autorização das instituições europeias, assegurando que continuaria a ser o grande referencial de estabilidade do nosso sistema financeiro, a garantia das poupanças das famílias portuguesas e um instrumento ao serviço da economia".

 

Esses objectivos traçados pelo Governo, de acordo com António Costa, não foram de escassa ambição, "porque ainda no ano passado o anterior executivo [PSD/CDS-PP] dizia que não era possível capitalizar a CGD com dinheiro público e que tinha de ser parcialmente privatizada, porque a União Europeia nunca autorizaria a recapitalização pública". "Dizia mais: Que não havia dinheiro do Estado para capitalizar a CGD. Ora, aquilo que este Governo se concentrou em fazer foi o que era necessário".

 

"Este Governo concentrou-se em dotar a CGD com um plano de negócios, com um plano de reestruturação, com um plano de capitalização e uma administração capaz de dar execução a estes problemas", acrescentou.




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mais votado JCG Há 2 semanas

Ó Sr Costa, estou farto da sua verborreia em que eu enquanto cidadão deste país e contribuinte sou reduzido à condição de mentecapto.
Capitalizar a CGD não é um fim em si mesmo: é apenas um meio. Mas V.Exª ou tem uma visão encebada sobre estas coisas ou então, é como disse antes, trata os portugueses como se fossem imbecis.
A CGD deve perseguir objectivos para os portugueses / seus acionistas/ contribuintes e não ser a modos que doada a uns quantos tipos - que já deram mostras do baixo nível de carácter e civismo - para eles porem e disporem como se fosse sua - sem lá terem posto um tusto.
Por isso, não se arme em esperto e não acincalhe quem lhe proporcionou o cargo. Respeite os portugueses!

comentários mais recentes
Anónimo Há 1 semana

Este vizinho da China, não entende que, há felizmente, muitos portugueses, informados e responsáveis, sabedores dos seus "golpes", prevenidos, de pé atrás, a quem o seu blá blá, nada diz. Quem atirou para o atoleiro a banca, floram os "comparsas", até Maio de 2011 !!!, de que ele fez parte.

ÉTICA É COISA QUE SEMPRE PASSOU AO LADO DE PASSOS Há 2 semanas

A guerrilha que Passos mantém sobre a não entrega de declarações pelos administradores da CGD é apenas e tão-só um pretexto camuflado e hipócrita para esconder o verdadeiro motivo, que é inviabilizar a recapitalização da CGD com fundos públicos, para que a CGD tenha de se abrir aos privados
PONTO

JCG Há 2 semanas

Consta que um matemático português que atingiu alguma notoriedade caracterizou os portugueses com os mais ou menos.
É frequente alguém que esteja a fazer qualquer coisa rematar o seu esforço com o "isto já está mais ou menos".
Eis a divisa da indigência e da mediocridade.
Assim, há uma forte temdeência - dentro desta matriz cultural - e conforme o propósito for o de apoiar ou de derrotar, perante alguém ou entidade que perante uma tarefa realizou alguma faceta eventualmente desejável e positiva tender a desculpar outras facetas ou detalhes disparatados na obra global. Isto na ótica dos apoiantes.
Dois casos: o BNIF e a CGD. O caso BANIF - um problema resolvido pelo governo PS, dizem os apaniguados - afinal saldou-se na transferência de uns largos milhares de milhões dos bolsos dos portugueses para uns espanhóis. "Resolver" problemas assim, é fácil. Idem em relação à CGD. A um ponto aparentemente positivo - o de reforçar o K da CGD, contrapõem-se um role de disparates. Mas todos descul

Pedro Lima Há 2 semanas

Contas marteladas: O investimento desceu 13%, logo o país está parado. As contribuições para a SS cresceram 3.6% enquanto o pagamento de subsídios de desemprego diminuiu 15%, logo há mais pessoas desempregadas. A receita fiscal está mto abaixo excepto nos impostos indirectos logo não há actividade.

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