Telecomunicações Costa ataca Altice e teme destruição

Costa ataca Altice e teme destruição

O primeiro-ministro serviu-se do exemplo da Cimpor para atacar a Altice, dizendo temer que seja desmembrada com perdas de postos de trabalho. A Altice não comenta.
Costa ataca Altice e teme destruição
Miguel Baltazar/Negócios

No mesmo dia que Paulo Neves, presidente da PT Portugal, foi ao Parlamento explicar o plano de saída de trabalhadores da operadora, o primeiro-ministro endureceu o discurso contra a empresa. E disse mesmo temer que "a forma irresponsável" como foi feita aquela venda [da PT, durante o anterior Executivo] "acabe por transformar este caso num caso Cimpor, com um novo desmembramento que ponha não só em causa os postos de trabalho, como o futuro da empresa".

A Cimpor, agora detida pelos brasileiros da Camargo Corrêa, é uma sombra do que era a empresa, tendo, até, em 2016 registado prejuízos de 788 milhões de euros, com os capitais próprios a ficarem negativos em 460 milhões de euros.

 

Mas o ataque de António Costa à PT/Altice não ficou por aí, quando João Oliveira, do PCP, confrontou o primeiro-ministro com o que se diz ser um ambiente de "intimidação" aos trabalhadores da PT, disse, segundo a Lusa, que partilha esses receios. E até foi mais longe, referindo-se ao serviço da operadora. "Espero que a autoridade reguladora [Anacom] olhe com atenção ao que aconteceu com as diferentes operadoras nestes incêndios de Pedrógão Grande. Compreenderá certamente que houve algumas que conseguiram sempre manter as comunicações e houve outra que esteve muito tempo sem conseguir comunicações nenhumas - e isso é muito grave", comentou António Costa, para logo a seguir tirar a consequência a nível pessoal: "por mim, já fiz a minha escolha da companhia que utilizo".

 

Contactada pelo Negócios depois destas declarações, a PT Portugal remeteu-se ao silêncio, recusando comentar o ataque do primeiro-ministro.

 

Um ataque que chegou horas depois de Paulo Neves ter ido à comissão do trabalho no Parlamento defender a legalidade do processo de transferência dos trabalhadores da operadora para outras empresas, algumas do universo Altice, outras do universo dos fornecedores, nomeadamente da Visabeira.

 

"Não aceito qualquer acusação de ilegalidade", disse o presidente da PT Portugal quando confrontado com o anúncio de que a empresa iria transferir 118 trabalhadores para outras empresas, depois de já ter feito o mesmo com 37 empregados da área informática. Os trabalhadores da PT já convocaram uma greve geral para dia 21. "A transferência de estabelecimento apenas pretende tirar áreas de negócio que não são 'core' para a PT Portugal, mas que estes trabalhadores vão continuar a trabalhar com a operadora", declarou, dizendo que "se a pessoa não quiser, damos a hipótese de rescindir, sempre com valores superiores àquilo que a lei obriga". Já houve na PT 300 pessoas a mudarem de funções e outras 600 saíram "por iniciativa própria ou rescisão amigável". 




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