Transportes CP e Metro de Lisboa alvo de 3.000 queixas até Junho

CP e Metro de Lisboa alvo de 3.000 queixas até Junho

A Autoridade da Mobilidade e dos Transportes recebeu quase 8.200 reclamações de utentes no primeiro semestre deste ano. O incumprimento de horários e o mau funcionamento de equipamentos de venda de bilhetes são os principais motivos.
CP e Metro de Lisboa alvo de 3.000 queixas até Junho
Miguel Baltazar
Maria João Babo 22 de dezembro de 2017 às 09:00

Um total de 8.158 reclamações foram recebidas pela Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) no primeiro semestre deste ano, o que equivale a quase 45 por dia.

CP e Metropolitano de Lisboa são as empresas com o maior número de queixas, respectivamente 1.642 e 1.306, revela o regulador no relatório sobre reclamações no mercado da mobilidade e dos transportes a que o Negócios teve acesso. Seguem-se a Rede Nacional de Expressos (RNE), com 424, a Carris, com 371, e a Transtejo, com 368.

De acordo com a AMT, o número de reclamações apresentadas no primeiro semestre deste ano representa uma redução de 20,7% face à segunda metade de 2016 (menos 2.131). Um decréscimo que o regulador admite que possa ser explicado por uma "possível melhoria na prestação do serviço por parte dos principais operadores" ou a "eventuais dificuldades no acesso ao livro de reclamações". Já comparativamente com os primeiros seis meses do ano passado, os números agora avançados significam um aumento de mais de 3.580 queixas. Uma diferença que a AMT admite que se deva ao facto de há um ano "não existir ainda consciência plena" da existência deste regulador.

As 8.158 queixas contabilizadas dizem respeito às inscritas no livro de reclamações dos operadores e recebidas directamente pelo regulador. Fora destes canais, a AMT refere que foram recebidas entre Janeiro e Junho outras 20.335 queixas directamente pelos operadores de transporte de passageiro.

Segundo o regulador, são três os motivos principais das reclamações nos transportes, que pesam 63% do total: incumprimentos contratuais (nomeadamente de horários ou não realização do serviço); preços/pagamento/bilheteiras (designadamente mau funcionamento de equipamentos ou divergência entre preço afixado e exigido); e qualidade do atendimento (como seja a prestação deficiente de apoio ao utente).

No relatório, a AMT salienta que apesar da CP e Metro de Lisboa liderarem as queixas, foram também as que mais diminuíram esse número face ao semestre anterior. Também a Transtejo, TST e RNE foram menos contestadas pelos utilizadores no período em análise. De acordo com os dados da AMT, à excepção da CP todas registaram decréscimos das queixas por incumprimento de horários. Diminuíram também as reclamações na CP, no Metro do Lisboa e Transtejo relativas à conduta de fiscais e de colaboradores.

Os sectores rodoviário e ferroviário representam 88,5% do total das reclamações recebidas, o que para o regulador não é surpresa visto tratarem-se das principais redes de transporte utilizadas. No rodoviário, 82% das reclamações dizem respeito ao transporte de passageiros e aluguer de veículos. No relatório o regulador realça que neste subsector foi registada uma subida significativa das queixas relativas às infra-estruturas rodoviárias (mais 189,2%) e também um aumento das reclamações dos centros de inspecção de veículos.

Quanto a elogios e louvores, até Junho não foram além dos 27.

AMT recebe 3 queixas da Uber

Ao regulador dos transportes chegaram pela primeira vez no primeiro semestre deste ano três reclamações relativas à Uber. De acordo com a AMT, no conjunto do subsector do transporte em veículos ligeiros (onde se incluem os táxis) verificou-se "um aumento significativo do número de reclamações", que passou de 60 no segundo semestre de 2016 para um total de 101 nos primeiros seis meses de 2017. Como refere, neste segmento, "nem os prestadores em nome individual nem as empresas têm estabelecimentos onde fazem o atendimento ao público pelo que não têm obrigação de possuir livro de reclamações".


tome nota

As reclamações que chegaram à AMT  

As reclamações apresentadas ao regulador dos transportes também respeitam aos rent-a-car, auto-estradas e centros de inspecção.

Autocarros

No subsector de transporte colectivo de passageiros, a RNE lidera em número as reclamações, seguindo-se a Carris, TST e Scotturb. Todas registaram diminuições. 

Rent-a-car
A Europcar é a empresa com mais reclamações no aluguer de veículos, tendo mantido a tendência de aumento (7,8%) face ao semestre anterior. Neste segmento, seguem-se a Guérin e a Avis.


Centros de inspecção
Relativamente aos centros de inspecção de veículos, o "ranking" das queixas é encabeçado pela Controlauto, onde o número de queixas aumentou neste semestre, o mesmo acontecendo com a Cima.

Auto-estradas
Na área das infra-estruturas rodoviárias as reclamações praticamente triplicaram, com um acréscimo de mais 140 reclamações. No caso da Ascendi as queixas passaram de 14 para 126.

Ferrovia
A CP representa 88% das reclamações no sector do transporte ferroviário de passageiros, com mais de 1.600 reclamações. A Fertagus registou 222.
 
Metros
No caso dos sistemas de metro, o número de reclamações totalizou 1.503. O Metro de Lisboa lidera o "ranking"  com 1.306, seguindo-se o Metro Transportes do Sul, com 103, e o Metro do Porto, com 89.

Barcos
No transporte fluvial constata-se um aumento das queixas da Soflusa, ainda que a Transtejo acumule o maior número de reclamações.




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