Banca & Finanças CreditSights recomenda aceitar oferta “coerciva” do Novo Banco

CreditSights recomenda aceitar oferta “coerciva” do Novo Banco

A empresa de “research” especializada em dívida de empresas considera que não vender agora as obrigações pode expor os investidores a um risco ainda maior.
CreditSights recomenda aceitar oferta “coerciva” do Novo Banco
Sara Matos
André Veríssimo 25 de julho de 2017 às 13:50

A CreditSights divulgou esta manhã um breve relatório sobre a oferta de compra de obrigações anunciada pelo Novo Banco onde aconselha genericamente a aceitação da oferta, tendo em conta o risco de uma futura resolução caso a operação fracasse. E nota o tom "duro" do prospecto.

O Novo Banco anunciou na madrugada de terça-feira uma oferta sobre as obrigações seniores do banco, propondo-se a comprá-las por um valor próximo do valor de mercado, o que implica perdas significativas em relação ao valor nominal. A operação visa conseguir o reforço do capital em 500 milhões de euros, uma condição essencial para que o negócio da venda à Lone Star se possa consumar.


"Para muitos investidores, a oportunidade para sair de um activo ilíquido por um preço próximo dos valores actuais de mercado poderá ser uma opção menos arriscada quando comparada com a incerteza de uma resolução e as dúvidas sobre a viabilidade do banco no longo prazo", escreve a CreditSights.

A empresa de "research" salienta que a alternativa à oferta e à venda ao Novo Banco é "presumivelmente o banco ser resolvido, o que envolveria um ‘bail-in’ dos detentores de obrigações seniores, uma vez que o NB não tem dívida subordinada ou outros instrumentos híbridos para absorver perdas. Podem ser alvo de uma redução do valor nominal ou convertidas em acções, dependendo do plano de resolução. Esta pode ser uma opção mais atractiva para alguns obrigacionistas, mas isso depende da sua opinião sobre os termos do ‘bail-in’ em comparação com a presente oferta".

A CreditSights não deixa de salientar o tom do prospecto. Lembra que se o reembolso for aceite pelos detentores de mais de 75% das obrigações, os mesmos termos serão aplicados aos restantes títulos da mesma série, considerando que "a oferta tem um aspecto algo coercivo, através desta cláusula ‘sweep-up’". A expressão "oferta coerciva" está também no título do relatório. Observa ainda que a linguagem usada é "deliberadamente dura".


As obrigações têm um valor nominal de 8,3 mil milhões de euros mas estão registadas no balanço do Novo Banco por pouco mais de 3.000 milhões, salienta a CreditSights. Pelos seus cálculos, a aceitação da oferta permitirá reforçar os rácios de capital em pelo menos 250 milhões de euros, vindo o restante valor das poupanças que o banco conseguirá no pagamento de juros. 




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comentários mais recentes
Anónimo 25.07.2017

Em Espanha o cenário foi pior com Banco Popular, era maior do que o BES. Lá obrigacionistas e accionistas perderam praticamente tudo. O problema em Portugal é que não temos um Santander que possa comprar o NB. Estamos na parte crítica do processo, sinceramente, tenho medo que o NB possa ir ao ar.

MILENUM POLACO 100 milhões + que o esperado 25.07.2017

E o DESGRAÇADO sobe 1 % em DOIS DIAS enquanto o DETUSH BANCK e O SANTANDER subiram 10 % em dois dias e não apresentaram 100 MILHÕES A MAIS MATEM os SHORTS ENFORQUEM - NOS ARRANQUEM a CABEÇA a ESSES MACACOS

Anónimo 25.07.2017

Dp desta aldabrice, qual é o investidor institucional que estará disponível para adquirir obrigações no mercado portuga?
-Quem é o pato?
Grande aldabrice...perdas para credores obrigacionistas q podem superar os 90% do investimento inicial...
Essa história do BES ainda vai fazer correr muita tinta nos jornais, é só aldabrices...esperem pelo livro do Salgado, que ele tem muito para contar...

J. SILVA 25.07.2017

Rouba descarado. O Ramalho é um tretas," muito competente" mas sempre sob o chapéu do Estado". Vejam bem: (i) o BES à data da Resolução tinha capitais próprios de +4000 M€, venderam tudo ao desbarato e agora vale -9000M€;(ii) O NB ficou com a carne e recebeu 5000 M€; (iii)- agora roubam os credores

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